<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887</id><updated>2012-02-15T03:10:31.097-02:00</updated><title type='text'>OS MORTOS ESTÃO NO LIVING</title><subtitle type='html'>Um blog para publicar e discutir meu livro OS MORTOS ESTÃO NO LIVING, adotado nos vestibulares de 2007 a 2009 da Ufes. Os curiosos, sintam-se à vontade para perguntar ou comentar o que quiserem. No fim de semana, eu junto perguntas e comentários e respondo o que eu souber. Se ninguém disser nada, fico quieto aqui no meu canto, que nem moita de espinho... Divirtam-se.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-4292990294616406659</id><published>2008-11-18T00:48:00.002-02:00</published><updated>2008-11-18T00:56:53.798-02:00</updated><title type='text'>Acabou...</title><content type='html'>Acabou, gente. Daqui a pouco é o VestUfes e eu desejo a todos vcs boa sorte. Espero que as visitas (a maioria das oito mil e tantas em completo silêncio) a este blog perdido nos confins do Google possa ter sido de alguma utilidade ou distração. A quem perguntou, eu tentei responder. Quem não perguntou foi porque não quis ou não precisava. Vou manter o boteco aberto até sair o resultado do VestUfes. Tomara que vcs voltem aqui então para compartilhar a boa notícia da aprovação. Aos que não conseguirem agora, só posso dizer que não desistam, que aprendam, sim, com os erros, mas, principalmente, com os acertos (acertos ensinam muito mais que erros). E lembrem-se de uma coisa: Tudo tem um jeito diferente de ser. Depende do modo que a gente vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Life must go on. Isso aqui, em breve, vai virar um blog de poesia. Apareçam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-4292990294616406659?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/4292990294616406659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=4292990294616406659' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4292990294616406659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4292990294616406659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/11/acabou.html' title='Acabou...'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-4968808486268021839</id><published>2008-11-04T00:19:00.006-02:00</published><updated>2008-11-12T08:56:10.184-02:00</updated><title type='text'>Carta aos mortos (Paulo Roberto Sodré*)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aqui, uma análise brilhante de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os mortos estão no living&lt;/span&gt;, que certamente ajudará na interpretação do livro. Divirtam-se.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;a tarde é de ventos e agosto, fazendo as horas e as idéias sobre as páginas do seu livro de mortos que você me deu à espera de algo como um prefácio (que não terá). Sobre a mesa, também estão &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;A Fuga&lt;i style=""&gt; e &lt;/i&gt;o vento&lt;i style=""&gt; (1980) e &lt;/i&gt;Exercício do corpo&lt;i style=""&gt;, livros de poemas seus, em que procuro faixas de lua e réquiens para seus féretros que me aguardam no living de alguma leitura necrometafórica.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Caro Miguel, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;uma carta carrega notícias, traduz estados, expressa passeios de climas que se fazem no íntimo remetente. Esta carta, no entanto, carrega caminhadas pelos seus contos, traduz possibilidades de leitura, expressa primeiras e breves notícias de seu livro, o que me permite uma subjetividade racional ou uma cientificidade descompromissada, tornando minha leitura duplamente prazerosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;ao não-prefaciar o seu &lt;i style=""&gt;Os mortos estão no living&lt;/i&gt;, procuro despertar a curiosidade do leitor para alguns pontos que, na minha fotografia panorâmica de seu texto, insinuam ensaios interessantes, além de surpreenderem com imagens cintilantes (“arremessando-Se a ambos até outro instante ainda sem usar.”, in “Amor”), e de grafitizarem sensações variadas, da iluminada (“Uma borboleta atravessou o &lt;i style=""&gt;set&lt;/i&gt; e fez um pouso azul na borda de um copo de cristal.”, in “O vampiro, Deborah”) à sombria (“planejando um futuro que, de antemão, já está gasto.”, in “Os sobreviventes da história”).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;pensei em pedir a companhia de U. Eco e Roland B. para que, com suas lanternas esplendorosas, pudéssemos vasculhar seu livro; contudo, se assim procedesse, perderia grande parte da proposta que me fiz: com a panoramização da leitura, angariar a curiosidade do leitor para seu texto: de início, calidoscópico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;não me interesso pelo sexo dos anjos, assim como não me meto entre malhas de diferenciação entre prosa, poesia, poesia prosética, prosa poesaica. Absolutamente; e talvez peque (que me venha, então, o exílio). Seu texto literário instaura “a ambigüidade”, capricho da boa ficção, e privilegia “o absurdo que desencadeia o espanto”, não fazendo disso uma opção gratuita pelo hermetismo, como disse bem Tânia Chulam, no prefácio ao seu &lt;i style=""&gt;Exercício do corpo&lt;/i&gt;. A ambigüidade e o absurdo carpem a imbecilidade do cotidiano, esterilidade cultuada;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;o ambígüo se estabelece, n&lt;i style=""&gt;Os mortos...&lt;/i&gt;, entre o sentido lógico do texto, subtextâneo, e a ludicidade quase parnasiana de se ler nele apenas o &lt;i style=""&gt;nonsense&lt;/i&gt; de um esteticismo caudaloso que se percebe no seu prazer picturista em descrever cenas, personagens e situações cheias de detalhes venéreos (“A luminárias acesa ilustrava o sexo dela, que era de noite”, in “Amor”); sinestésicos (“Uma sonata de Beethoven desprendeu-se do teto, escorreu mansamente pela parede e, escavando o silêncio, tingiu-as de luz.”, in “A terceira realidade”, conto que, junto com o “Nenhuma mulher é Isabel”, constata o deliciar-se com as possibilidades plástico-sonoras das palavras.); imagísticos (“O sol fugiu por uma fresta do horizonte e incendiou os cabelos da mulher”, in “Quatro assassinatos (quase) sem motivo”); figurativistas (“gritando cada vez mais lato, mais Alto, mais ALto, mais ALTo, interrompendo a .&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;l&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;u&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a espaços regulares dos vagões”, in “Nessa noite, o trem atrasou”),&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;e um etc de Haydn, urubus, violetas, masturbações, Isabel, banhos, camaleões, vinhos e seios (seu fetiche aliterante).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;1987, outono de um século obeso de cultura e contracultura, possui os quartos, salas e outras dependências cheias de mortos, assim como os possui este seu livro de contos necromáticos. Na primeira parte dele, intitulada de “Os mortos”, inicia-se, com um conto tridiegético, “Três histórias”, um tríptico de dor, fogo e lua, que parece sintetizar tematicamente os hematomas humanos desenvolvidos nos seus contos, ou seja:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;1. “A noiva passa, de carro, como para um enterro.” Nessa face do conto, a morte acompanha a instituição casamento, a função social da mulher (o ser humano com seu papéis predefinidos, num sentido mais amplo), a trivialidade existencial burguesa (“educação”, namoro, família), a felicidade individual. Tudo se faz em estado de velório. O contraste entre o papel social e o arbítrio se concretiza com os convidados felizes e a lágrima impercebida da noiva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;2. “Alguns moleques atêm-se a atear fogo a velhas caixas de papelão.” Nessa segunda face, Miguel, a morte aborda a humanidade em sua microestrutura: os moleques, membros gangrenados dela, desacreditam em solidariedade humana, esperança mística, equilíbrio social, e destroem essas abstrações humanistas, queimando o vazio e o mentiroso que elas contêm, “velhas caixas de papelão”, inúteis e ocas: na destruição dessas “caixas”, a esperança é cinza, sem a possibilidade de Fênix. Assim, nesse queimar as chances, os moleques queimam-se a si mesmos, incinerando o cão, projeção de suas dores, mágoas e misérias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;3. “A lua”, a hóstia de febre que permeará seu &lt;i style=""&gt;Os mortos estão no living&lt;/i&gt; de uma maneira antitética: ao mesmo tempo que ela pressagia a morte (do trivial, do gasto, do rotineiro, como no conto “Nessa noite, o tem atrasou”), ela também prenuncia a vida (do instinto criador, da alternativa, da poesia, como no conto “Leitmotiv”); a lua se torna Tanatos, a parada e a possibilidade de fim de um estado, e Eros, a busca pela vida ou o seu exercício em outra alternativa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;A lua será, se me permite, a chance de vida em outra estrutura, apunhalando o cotidiano e o bom senso, como acontece no já citado “Nessa noite, o trem atrasou”, em que, morrendo o censor, devido ao “atraso” do trem (a rotina, o comportamento estereotipado), o indivíduo se instintifica, valendo-se do absurdo e poético como redenção, embora o medo e o pavor do desconhecido afaste a ambos como aracnídeos repugnantes:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;“que espantou os escorpiões, suplantou a morte e tudo foi acontecendo ao contrário. [...] eles foram retrocedendo, assustados, devolvendo cada pedaço devorado de mim, restabelecendo o corpo de Eva, até que voltaram para a cabeça dela e, ela, à sua posição inicial no sofá, e o trem terminou de passar. A normalidade vítrea de sempre.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;essas três facetas de um mesmo conto, “Três histórias”, já revelam um clima angustiano que percorrerá a espera de seus personagens no living de um mundo minado de pós-isso-e-aquilo, onde tudo é um largo e enferrujado clichê (o que o justifica com presença em seu texto); tudo isso já foi tridito, feito, triprometido, esperado, sexdecepcionado. Uma escória amarga e profunda de desencantamentos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Miguel, a tarde se enroscou de nuvens gordas de chuva. Tenho receio de que minha vontade de &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;ler&lt;i style=""&gt; seu texto delongue esta carta. Lembrei-me de &lt;/i&gt;Eu sei que vou te amar&lt;i style=""&gt;, do Jabour, ao reler seu conto “Amor”. Juan-Eduardo Cirlot, em seu &lt;/i&gt;Dicionário de símbolos&lt;i style=""&gt;, comenta algo interessante sobre a lua, o que reforça a importância dela no seu texto: “acima de tudo, é o ser que não permanece sempre idêntico a si mesmo mas experimenta modificações ‘dolorosas’ em forma de círculo clara e continuamente observável”. A vontade de um ensaio chegou cheia em mim, rapaz.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;ao reler seu poema “Ofício”, no livro &lt;i style=""&gt;A fuga e o vento&lt;/i&gt;, (“não posso prescindir da janela // é meu ofício pretender a lua”), deparei-me com o sumo do conjunto de temas que compõe seu livro de contos d&lt;i style=""&gt;os mortos&lt;/i&gt; e outros que &lt;i style=""&gt;estão no living&lt;/i&gt;. Na verdade, cada personagem, recuperado pela eficácia de sua linguagem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;ora linda (“ela permitiu-se um sorriso, que ilustrou o quarto”, in “Nessa noite, o trem atrasou”; “Havia sapos coaxando na memória, onde os mortos passeavam, impunes, suas sombras.”, in “Os mortos estão no living”; “Foi quando a manhã floriu outro futuro e o sol confiscou-lhe a imaginação”, in “Narciso indeciso”);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;ora patética (“Fim da sua última esperança.” in “Cão”; “Selam seu destino”, in “Casamento”);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;ora trocadilhesca (“divinos divididos filhos do falho útero de Deus”, in “Os fetos, as begônias”; “Cumpre-se, cúmplice de si.”, in “Fragmentos”), tenta resgatar a fantasia e a mutabilidade dolorosa e fecunda que o cotidiano carcome, massificador, maresia feroz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;contra essa ferina maresia, o indivíduo abdica da máscara, e procura o suicídio, não somente ou exatamente o físico, mas o cultural com os papéis definidos (“Rua da cidade”; “Leitmotiv” — um belo conto arguto); a fantasia (“O vampiro, Deborah” — onde um narrador voyeur rouba a trama do conto; “As adversárias” — a mulher e sua origem mítica: a serpente, ou Cleópatra em retrato com cores de Gôngora e traços de Ingres); o delírio (“Nessa noite, o trem atrasou”); a busca (“O homem, a estrada” — o chegar-se a si inexeqüível: Narciso amputado de seu espelho), e todas essas possibilidades de escape apresentam-se inítidas, sob a fertilidade sombria da lua: veneno contra o comum em favor da alucinação, do alumbramento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;“pretender a lua”: o motivo que desencadeia seus personagens, Miguel? Serão seus contos poemas onde seu fascínio pela palavra e sua vontade de a tocar homem e lunarmente abandonam o verso, parcimonioso e contido, e buscam a completude de uma ficção extensa de uma interioridade intensificada?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;poemas ou contos (boa noite, Mário de Andrade!), seus textos desenham os cadáveres abstratos de nossa contemporaneidade, desde a morte de uma esperanceta social até a morte de vontades filosóficas de equilíbrio; mitos (Narciso, Vampiro), instituições (cristandade, cidadania), estereótipos (normalidade, sensatez), natureza (frutos, fetos), afetividade (amor, bondade) e outras abstrações de chumbo fenecem, sucumbindo ao delicioso exercício da mutação, do poetizar a existência farpeada (o que nem todos fazem ou procuram, doendo-se de medo e culpa e mesquinharia).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;minha proposta de ser breve, tomando café, enquanto a noite é risco de ventos escuros, exige que eu pare de lhe escrever, moço. E creio que ela tenha razão. Delongo, e a brevidade já se torna retórica demagógica. (Tenho esboçado a capa do seu livro, acho que logo a terei pronta.)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;finalizando com reticências, Miguel, já que há tanto a ser estudado no que concerne à estrutura de seus textos (diálogos, parágrafos incomuns etc.), linguagem, procedimentos poéticos, metáforas, intertextos, estilos e outros aspectos do seu livro, repito, calidoscópico, deixo-o intacto para sensibilidades e argúcias lerem e comprazerem-se com ele: talvez reclamem de alguns clichês oracionais e temáticos; imperdoáveis, seus clichês? Não. Se os mortos estão no living, que todos os cadáveres tenham seu lugar à lua.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;um grande abraço&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;do cúmplice&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;paulo roberto sodré&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;19 de agosto de 1987&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Paulo Roberto Sodré é escritor: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Interiores &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gravuras de Sherazade na penúltima noite&lt;/span&gt;, entre outros, professor de literatura medieval na Universidade Federal do Espírito Santo e, o melhor de tudo: meu amigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-4968808486268021839?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/4968808486268021839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=4968808486268021839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4968808486268021839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4968808486268021839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/11/carta-aos-mortos-paulo-roberto-sodr.html' title='Carta aos mortos (Paulo Roberto Sodré*)'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8830076313969400652</id><published>2008-11-04T00:15:00.000-02:00</published><updated>2008-11-04T00:16:03.037-02:00</updated><title type='text'>Júlia D.: o banho</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Já tinha perdido a escova de dentes e agora era o sabonete quem afluía neve sobre o corpo. A neve cheirava a algo assim como pitanga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Me dá um pedaço do teu sorriso?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Poderia. Não queria uma resposta sincera mesmo, queria?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Deus criou o mundo... o mundo... o mundo...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O padre tinha uma voz tão bonita de sotaque castelhano...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;—&lt;i style=""&gt; Doutor, eu queria ver Deus. Ia falar pra Ele das minhas visões. Sabe, sonhei com meu canário pardo, que morreu. Tinha uma esperança de liberdade apregoada em cada pena. Doutor, eu queria ser Deus!&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O telefone. Se ao menos tivesse um, tocaria agora. Traria notícias?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;A esperança é sempre natal. Tão-somente haja, esperança é sempre fatal. Já ouviu falar de Cristo? Era um grande sujeito. Morreu de esperança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;E o padre, doutor, é também um suicida?&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Uma lágrima imitou o brilhar da lâmpada, descreveu um arco em torno da narina e trouxe-lhe um sabor de sal. Tudo doía. A mão, adormecida na torneira, esquecia-se de mover-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Um punhado de neve desabou de sobre o seio esquerdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Tinha todos os sintomas do belo. Não precisava de uma estrela nos cabelos. Não conseguia sequer precisar o momento exato de acionar a vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ela, feto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Mamãe, é inadiável que se nasça? É mesmo preciso nascer, mamãe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Não sei. A solução apenas homologa a situação.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Outra lágrima tentou trafegar no mesmo sentido que a anterior, mas não chegou a completar a trajetória, por causa de um acidente qualquer da geografia do rosto. Havia uma taruíra no banheiro, porém esqueceu o grito antes mesmo que o forjasse. Era melhor não ter memória. Talvez fosse melhor nem existir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Via pela janela um pedaço do céu, que era um pedaço do mundo. Toda ela era um pedaço da vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Doutor, o padre...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;A vida...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;... não ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;... não ...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;... é ...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;... corresponde...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;... um louco!&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;... à realidade.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Doutor, eu quero saber de mim.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;É justo. Todas as crianças têm o dever da credulidade.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Mas, crendo, adulteram o sentido primário da realidade: passam a ter desejos.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Está bem. Resta-lhe uma saída: não creia em nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Black-out.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Black-out. Esperou a luz voltar e pensou em Deus criando o universo: era só apertar o interruptor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Subitamente, percebeu que estava coberta de neve recendendo a pitanga e suicidou-se de frio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Um toca-discos manchava o ar com uma valsa de Strauss.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ninguém deu pela falta da morta. Então, ela se levantou e lavou toda neve do corpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Enquanto isso, foi vista pelo espelho, Deixou-se admirar. De fato, possuía belos seios, belos olhos, bela imaginação. Havia pouco de que se queixar, mas, agora, a vida lhe pesava nos ombros. Quanto tempo ainda de silêncio?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Doutor, sou grávida por hierarquia. Porque minha mãe, minha avó, minha bisavó, todas as mulheres da minha família eram grávidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;A gravidez é um estado masculino de desprezo. Nascer, fazer nascer, são maneiras cômodas de não apresentar razões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Mas eu jamais quis ter este ser dentro da minha virgindade!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— &lt;i style=""&gt;Não tenha medo. Nem todas as mulheres geram Cristo. Algumas geram Marx. Quer me fazer crer que o orgasmo não substitui essa frustrada tentativa de não-existir? Então, ancore-se, pare de voar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Estava nua. Como não se sentir mulher?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;— Mamãe, é mesmo irremediável nascer?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8830076313969400652?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8830076313969400652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8830076313969400652' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8830076313969400652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8830076313969400652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/11/jlia-d-o-banho.html' title='Júlia D.: o banho'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3466601420505194415</id><published>2008-11-04T00:01:00.003-02:00</published><updated>2008-11-04T00:14:04.612-02:00</updated><title type='text'>As adversárias</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://l.yimg.com/g/images/spaceball.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 1px; height: 1px;" src="http://l.yimg.com/g/images/spaceball.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Porque, é claro, ela tem as pernas azuis. Porque olha com jeito de quem sabe a arco-íris. Porque, bela, está flutuando acima dos jasmins e da violetas. Claro, ela tem as pernas azuis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Borboletas em volta — rimas para Eros —, ela descansa sua sensualidade particular na paisagem. Não vai estar nunca diferente. Já se acostumou à pele dourada dos seios e do colo, à tepidez do sol no rosto, às mãos, macias, desvendando o corpo, desnudando os enigmas de si — mulher —, e às pernas azuis confundindo-se com o céu, pois ela possui essa capacidade invulgar de absorver cores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Não que fosse um processo fácil, como voar ou mudar de cara. Gastava tempo, tinha que ficar ao sol, secando, como as cobras, depois de adquirir o matiz ambicionado. E havia cuidados especiais para que a cor se fixasse. Nada de esforços violentos ou de sobressaltos, por exemplo. Ela mesma já tinha visto desbotar de si uma tonalidade maravilhosa que absorvera de uma orquídea rara — um meio-tom pastoso entre lua e aurora — porque uma noite se esquecera de sonhar e acordara em pânico, em branco, no escuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Mas agora, não. Agora, ela tem as pernas azuis, como sempre quis, e dorme e sonha, abre os olhos e sonha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Ora, mas eis aqui a serpente e sua policromia. Impedida de alar-se, ela impele ao espaço sua música mágica, para encantar a presa, a desejada. A mulher percebe o movimento abaixo dela e, hipnotizada, senta-se no ar. Fitam-se uma à outra, fascinadas, adorando-se. Não é só a melodia que as une, mas o cromatismo de ambas, vário. Então, ela desce do seu céu, deita-se no chão, o rosto rente à grama, os olhos postos nos olhos oblíquos da serpente. Cobiçam-se, as adversárias. Sabem: o golpe tem que ser único, o bote tem de ser. Vão ficar assim até a noite, até que os restos do presente sirvam de fundo para os fantasmas liberados pela pálida luz da lua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Vão ficar se amando à distância, répteis, femininas — cada qual à sua maneira — sob um cenário de medo e estrelas. Vão ficar até que uma não será mais. Ou as duas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Agora, cumprido o ritual previsto, não lhes resta, senão o ataque, alternativa. A mulher ergue a mão. A serpente recua e se arma, alarmada. Mas a mão erguida apenas acaricia e elas, enfim, aportam uma na outra, em seu beijo mortal. Cada qual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3466601420505194415?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3466601420505194415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3466601420505194415' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3466601420505194415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3466601420505194415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/11/as-adversrias.html' title='As adversárias'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-514893728420625543</id><published>2008-10-28T22:39:00.003-02:00</published><updated>2008-10-28T22:49:50.277-02:00</updated><title type='text'>Nenhuma mulher é Isabel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para Maria Izabel&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Não é de todo fundamental que seja alemão, o vinho, mas é imprescindível que se trate, no mínimo de um Qualitätswein mit Prädikat. Mozart tem de ser deixado ad libitum para que percorra o ambiente, penetre nas frestas menos aparentes dos armários e das estantes; para que passeie, claro e límpido, por entre as poucas palavras que encontrará pelo caminho; para que acompanhe a curva indelével dos seios sob a blusa de seda e se aconchegue quando quiser no matelassé. Porque deve ser uma noite densa e fria, talvez com fiapos de lua apegados a uma reprodução de Klimt (na impossibilidade absoluta de um original), ou com borboletas azuis pousadas na vidraça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Mas nada de tangos, rumbas, coisas tristes ou violentas. O futuro, um carteiro retardatário, que não entre já com telegramas, encomendas do reembolso postal e sua pressa ininterrupta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Sim, as mãos. Estas devem estar preparadas para suas possibilidades infindas de movimento, mas cegas a qualquer outra opção que não a suavidade, o penetrar macio através do mar profundo e resoluto dos cabelos, o molde do ombro, a linha irrepreensível as pernas, o quantum dos quadris.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;As mãos, porque é necessária a tensão exata do arco nas cordas do violino, o andamento bem definido, a vigência precisa dos bemóis e sustenidos, a melodia executada com perfeição, para que sustente do ar o que por si só suspenso não poderia permanecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;É permitido discorrer um pouco sobre a sensualidade possível dos vampiros, o êxtase calmo que aflora com o sangue, aos filetes, da jugular despedaçada. Admitem-se breves incursões por teorias neobehavioristas, pela antropologia medieval, por Galahad e Guinevere, a expansão do universo, as razões por que Eusébio de Cesaréia omitiu o nome de Cristo em &lt;i style=""&gt;De laudibus Constantini&lt;/i&gt;, o sistema métrico nepalês, por tudo que se queira, desde que nada seja vulgar: as palavras devem ter vida e gesto, cor, cheiro, sabor, e a medida justa para ocupar apenas o espaço a elas destinado no mosaico do silêncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Há que se encontrar aderido ao próprio ser dos objetos (e não só no lobo da orelha) um sutil aroma de Opium by Saint Laurent. Grave erro terá sido cometido, no entanto, se ele não puder se desgarrar das coisas em função de outro cheio qualquer que esta mulher possa preferir ou, principalmente, deste perfume que ela emana e que não é de nada que mortal algum tenha até aqui tocado ou concebido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;É de suma importância também que se declame, em voz baixa e rouca, um poema de García Lorca ou de Fernando Pessoa para esta mulher amada que se espreguiça docemente, sem se dar conta de que qualquer movimento seu desregula o mundo e é como girar um caleidoscópio: o móveis mudam de lugar, os lustres experimentam novas posições, as cortinas se transformam, e o mar lá embaixo deixa de ser mar para tornar-se em espectro, inexprimível por qualquer manifestação verbal ou escrita conhecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Música de dança. Tomá-la pela mão, cuidando em que os dedos não exerçam sobre a sua pele nem mais nem menos pressão do que a estritamente necessária à absorção do calor que ela desprende, ignorado de Celsius e Kelvin e Fahrenheit. Sentir o Danúbio, azul, deixando ao Reno e ao Mosela a tarefa de refletir o sol sobre os vinhedos de Baden, sobre as Riesling pretas de Würtemberg, sobre Rheinhessen e Mosel-Saar-Ruwer, mas trazendo consigo a própria essência romântica e distante dos Cárpatos e da Floresta Negra, para lançar-se aqui com o peso da sua história, a sinuosa beleza da sua forma e a impetuosidade de um crime passional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Desde sempre, no entanto, está pronta uma hora em que o Danúbio se acalme, o feixe de laser retorne ao seu ponto de inércia no cedê, o que se ouve é o silêncio, a respiração dos amantes, misturada aos olhares que se atraem e aos lábios que se aproximam, de tal forma homogênea que não se sabe mais se respiram ou se apenas reaproveitam o ar que o outro devolve já utilizado, sem se importarem com a necessidade orgânica de renovação do oxigênio consumido, pelo simples prazer de morrer da mesma asfixia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Acontece que não há tempo de parar para morrer. Não é essa, para nenhum dos dois, nem a ocasião nem a forma desejada da morte, de modo que ela se afasta, derrotada, com seu alfanje e seu manto escuro e pesado, em busca de outras vítimas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Perguntar quem é esta mulher. “Isabel”, responde. Isso basta: a certeza de que nada mais existe de tão pleno e irresumível escreve-se na penumbra com sua tinta iridescente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Isabel, Isabel, a palavra acabada de dizer muitifica-se, traz no bojo uma beleza mágica e megalítica, para muito adiante de Carnac e da simples vastidão da identidade. O que é esse nome que, de tão completo, é sua exata expressão, o objeto em si mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Isabel e, por sedução, blues. Josephine Baker levanta-se do túmulo trazendo consigo Alberta Hunter rediviva. Sentam-se ambas nas almofadas de cetim, conversando sobre St. Louis, Chicago, Paris, uma época em que ainda havia tempo para ser feliz. Elas parecem à vontade, proprietárias de uma era que Isabel não viveu, que não vivi, fantasmas de um teatro abandonado ao qual comparecemos inteiros em número grau e gênero sujeito verbo predicado, espectadores renitentes, na esperança de que os atores voltem ao palco, de que a cena se ilumine, de que o pano não tenha caído.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Alberta Hunter aproxima-se de Isabel, dentro dos olhos, vendo-lhe a alma, os desejos contidos. Com sua mão magra e delicada, segura-lhe suavemente o braço e completa com ela, em slow motion, o gesto que ficara por fazer, esquecido de se terminar, quando as descobrimos sentadas na sala como duas pessoas da família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;O gesto é o abraço, a carícia dos dedos irretocáveis na nuca exposta, e de tal importância que por ele dois fantasmas negros e ossudos atravessaram não apenas as fronteiras da casa e do país, mas, principalmente, a fronteira membranosa e úmida de dois mundos, o dos vivos e o dos mortos, para que pudesse não deixar de acontecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;O resto é ritual. Navego o oceano interminável do colo no beijo sem pressa. O seio sob a seda lacerada por dez facas ávidas se dá por descoberto, a textura de pétala da pele revelando, enfim, sua trama.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;No delta das coxas, Aracne tece sua teia. A teia me enreda. Entrego-me. Gloria victis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O futuro, comme il fault, arromba a porta com seu dia cheio de notícias e urgência de acontecer. Josephine Baker diz adeus, Alberta Hunter diz adeus. Procuro Isabel no abraço vazio que me dou, em que ela nunca esteve. Há muitas mulheres no mundo e nenhuma delas é Isabel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Do lado de fora, alguém atravessa a rua assobiando um rock new wave.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-514893728420625543?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/514893728420625543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=514893728420625543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/514893728420625543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/514893728420625543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/10/para-maria-izabel-no-de-todo.html' title='Nenhuma mulher é Isabel'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-5816624567634364482</id><published>2008-09-26T14:02:00.002-03:00</published><updated>2008-09-26T14:09:37.040-03:00</updated><title type='text'>O vampiro, segundo a vítima</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SN0W9Ei05oI/AAAAAAAAAJs/0etq3APIOx0/s1600-h/Vampire.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SN0W9Ei05oI/AAAAAAAAAJs/0etq3APIOx0/s400/Vampire.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250377979031512706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para Luciane F.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Ela ouviu os dentes afiados rangendo na pele, explorando a carne, explodindo a artéria e disse para si mesma que a paz é viscosa e doce como leite condensado, e vermelha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Usava uma camiseta muito justa, que mal conseguia conter os seios em sua ânsia de fuga, e um fio de sangue começou a correr por entre eles, unindo-os, mais um afluente da sua emoção.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-5816624567634364482?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/5816624567634364482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=5816624567634364482' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5816624567634364482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5816624567634364482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/09/para-luciane-f.html' title='O vampiro, segundo a vítima'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SN0W9Ei05oI/AAAAAAAAAJs/0etq3APIOx0/s72-c/Vampire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-553586677901569090</id><published>2008-09-26T12:28:00.005-03:00</published><updated>2008-09-26T13:26:07.466-03:00</updated><title type='text'>Numa quarta-feira sombria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SN0NFGDciuI/AAAAAAAAAJk/s9qZSxwkNfo/s1600-h/Dark+night.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SN0NFGDciuI/AAAAAAAAAJk/s9qZSxwkNfo/s400/Dark+night.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250367121759439586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Passou a andar de costas, com medo de encarar o tempo. Talvez por isso não se saiba exatamente quando desabou. Alguns dizem ter sido numa noite farta, com os telhados das casas retinindo de lua, que o asco represado atravessou-lhe a garganta, feito lâmina de aço. Então, o corpo teria sido sacudido violentamente, as mãos tentando ainda reter a vida que lhe fugia, os pulmões explodindo, e só foi encontrada na manhã seguinte, junto a uma poça de vômitos os mais díspares: poesia, ócios, ódios, limites, entre restos coagulados de uma lucidez perplexa, como se tudo que descobrira fosse bile.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Não havia pistas nem explicações plausíveis, nada sobre o que especular, ao lado do corpo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Os jornais nem deram a notícia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-553586677901569090?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/553586677901569090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=553586677901569090' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/553586677901569090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/553586677901569090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/09/numa-quarta-feira-sombria.html' title='Numa quarta-feira sombria'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SN0NFGDciuI/AAAAAAAAAJk/s9qZSxwkNfo/s72-c/Dark+night.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1992610880429322163</id><published>2008-09-01T19:03:00.003-03:00</published><updated>2008-09-01T19:50:34.285-03:00</updated><title type='text'>O homem, a estrada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SLxxrdGmwsI/AAAAAAAAAI0/gwjc2_5sBLc/s1600-h/desert+road.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SLxxrdGmwsI/AAAAAAAAAI0/gwjc2_5sBLc/s400/desert+road.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241189057713062594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;O homem está nesta estrada, neste instante. Não há como falar o que se está vivendo, os verbos não cabem no momento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Pergunta-me — tenta — algo. É, neste tempo irremovível que nos une, o fio da navalha: a pele, maravilhada pela expectativa do corte; a artéria, ilustrada de sangue, que pulsa, pulsa, indefinidamente. Mas o homem, neste espaço imensurável de tempo que nos separa, torna a se retrair. E sua luz não é mais que a luz normal de todos os homens, iguais e inapeláveis em seu fazer humano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Lúgubre. É assim esta paisagem que nos contém enquanto caminhamos e que se modifica a cada minuto novo, aleatoriamente, independente de nós, que somos parte dela. Então, pensamos (e, com isso, nos aproximamos outra vez) o quanto não somos o que queríamos ou poderíamos ser. O que fizemos aos outros, o que nos fizeram, em tudo nos parecemos — eu e ele —, até que nos encontramos, díspares, aqui. Ambos nos sabemos, ambos nos esquivamos, ambos nos queremos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Eu poderia chamá-lo e ao mistério que tão bem o porta. Poderia, se desejasse, beijá-lo, cortar-lhe as orelhas, torná-lo palpável. Contudo, se ele fugisse, quem me acompanharia nesta caminhada que parece nunca terminar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;[&lt;i style=""&gt;Aproximo-me dele&lt;/i&gt;.]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Ai, preciso ao menos tocá-lo brevemente. E se ele se desvanecer? E se este lugar se tornar de noite e eu não souber mais o rumo a seguir? Outros já devem tê-lo feito antes de mim. É por isso que esta estrada está assim, cheia de cadáveres carpidos por estrelas silenciosas, porque o tocaram. Ousaram tentar o proibido. Mas só um fio de cabelo!? Quanto de escuro, de perdição, haverá nisso? [&lt;i style=""&gt;Já sinto sua respiração. Ele me olha fixamente. Tem a impressão de saber o que vai acontecer. Estará imaginando um modo de escapar?&lt;/i&gt;] E eu? Qual de nós, nesse jogo de toques, se perderia? Quanto de nós ficaria nesta rota, com buracos negros em lugar de olhos, noite em vez de pele e veias lácteas em lugar de sangue? [&lt;i style=""&gt;Paro. Pára. Não vai — não, não vai — resistir. Talvez seja isso que o move, não resistir.&lt;/i&gt;]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Não cederei. Há muito venho me gastando aos poucos, por que vou me gastar agora, inteiro, de uma só vez? De qualquer modo, terei outras chances, pois ainda falta muito para o fim-não-se-sabe-onde deste caminho. Para ele, não. Para ele não há riscos. Surgiu do vazio, apareceu de repente. Está aqui apenas porque estou, significa algo por minha causa, e só está andando paralelo a mim porque vou devagar. Basta que me apresse um pouco, para livrar-me dele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;[&lt;i style=""&gt;Eis que ele me olha de novo. Vai dizer alguma coisa? Confesso que ainda não me acostumei totalmente com isso. Acabo sempre tendo certo medo, vindo de não sei qual recôndito de mim. Será que ele já percebeu o que vai acorrer? Parece estar mais rápido. Aperto o passo.&lt;/i&gt;]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Irei à frente dEle, assim não terei de me preocupar mais com a tentação de tocá-Lo. E, se Ele se perder por aí, melhor. É uma companhia muito calada mesmo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Pronto. Já não O vejo mais. À minha frente, apenas a paisagem em seu leque de coisas. Respiro. Os elementos e suas normalidades. Respiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Por que este ar carregado, de súbito? E este algo de eletricidade na espinha? Às minhas costas não há nada, exceto o terreno já percorrido. O céu está límpido, nenhuma possibilidade de tempestades repentinas, mas... estas mãos! Não são as minhas! E não é minha esta língua, nem minha esta boca e nem é minha pele, esta sobre não-meus ossos. Não são estes meus pensamentos! Não sou eu, este em mim!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;E quem é aquele que vai em meu corpo, quase longe, desaparecendo na curva, lá na frente?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1992610880429322163?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1992610880429322163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1992610880429322163' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1992610880429322163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1992610880429322163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/09/o-homem-estrada.html' title='O homem, a estrada'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SLxxrdGmwsI/AAAAAAAAAI0/gwjc2_5sBLc/s72-c/desert+road.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7238608447759195087</id><published>2008-08-09T12:42:00.006-03:00</published><updated>2008-08-09T12:50:47.649-03:00</updated><title type='text'>Acuado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Para João da Matilde*&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Não. Não houve gritos. Não ouve mais. Apenas a dor imprimiu-se por um breve instante no néon dos olhos desdormidos. A lua era um alfanje inacessível e, se não bastasse, uma cor de estrelas escorria pelas paredes, fazia uma poça no chão e molhava o rosto que despencou, ao ritmo dos relâmpagos, de onde antes estivera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Fez frio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;O vento atravessou as paredes, portas e corredores sombrios e penetrou até o sangue, nas testemunhas. Alguns dos covardes se abarcaram aos outros e temeram vinganças divinas; outros desembainharam suas armas e, ainda assim, portavam mãos vazias, cheios de espanto e medo, porque este é o meu Filho, que será dado por vós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;O Que Antes Era Corpo, de onde a vida rastejou, impassível, para outro espaço, jazia na poça de estrelas quando um cheiro a jasmins varreu todo o âmbito e se pressentiu o Inexprimível. O morto — e nunca, em toda sua in/existência tivera chance de não sê-lo —, o morto se levantou ao terceiro dia e, apontando o dedo para a culpa de cada um, dedicou-nos suas veias abertas e a serena lucidez que agora, por direito, adquiria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Se possuísse nome, casa, emprego, profissão, poderia até não ter sido condenado, mas seu destino, de qualquer modo, não deixaria de ser o de acusado: desde sempre, todos os dias, fora Morto, um pouco de cada vez. Por temer a amplidão, tomaram-no como louco e o encerraram em cela escura. Temeu a escuridão e tanto que lhe nasceram estrelas em lugar dos olhos, até que elas também lhe foram proibidas. Perdeu com isso o peso de dois mundos e passou a flutuar. Confundiram-no com nuvens e exigiram que parasse de divagar. Chorara, quando o acorrentaram: “Por favor, tirem essas correntes dos meus pés”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Não tiraram. Antes, alguns trouxeram uma âncora, que lhe foi imputada com força de lei, de forma que se tornasse raiz e, como tal, para júbilo da nação adormecida, vivesse sua morte lentamente. Até que outros venham tomar seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;_____________________&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* João da Matilde foi um pedreiro, preso, sob equivocada acusação de roubo, e assassinado na prisão, pela polícia capixaba, em dezembro de 1981.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7238608447759195087?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7238608447759195087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7238608447759195087' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7238608447759195087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7238608447759195087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/08/acuado.html' title='Acuado'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-4750046712572203010</id><published>2008-08-01T23:53:00.011-03:00</published><updated>2008-08-02T00:40:18.171-03:00</updated><title type='text'>Espírito romântico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SJPQHVtXNII/AAAAAAAAAIM/xPKQdBuHwig/s1600-h/despertar.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SJPQHVtXNII/AAAAAAAAAIM/xPKQdBuHwig/s400/despertar.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229752416812348546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Acho que peguei um espírito romântico (já não bastava alergia a perfume, não?). Deve ser saudade da &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SJPVSmpetXI/AAAAAAAAAIs/FuCPGBj0gQQ/s1600-h/100_2902m.jpg"&gt;Priscila&lt;/a&gt; (ela não parece a Mona Lisa nessa foto?), que despencou para um congresso em Natal e só volta daqui a dez dias. Até lá eu fico aqui, tonto e com cara de parede. Então, meninos e meninas estressados com a proximidade do vestibular, dêem um tempo aí nas equações e ligações covalentes, ouçam &lt;a href="http://www.mp3tube.net/br/musics/Mandy-Pecly-A-la-claire-fontaine/32893/"&gt;À la claire fontaine&lt;/a&gt; e me façam companhia. Essa é uma música tradicional francesa ou belga (esse Google, francamente, não se decide, pombas!). Tem (não usem esse verbo na redação do vestibular) uma versão impagável dela no filme &lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.youtube.com/watch?v=X2vnikuJvcc"&gt;O despertar de uma paixão&lt;/a&gt; (quem não viu veja. Nem o Edward Norton consegue estragar). Aconselho (tarde demais, né?), aos que ainda não assistiram a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O despertar de uma paixão&lt;/span&gt; que ouçam a versão do primeiro link aí. A outra, do YouTube, traz as cenas finais. Os que desejarem acompanhar a letra, pra treinar o francês, entrem por &lt;a href="http://www.mamalisa.com/?t=es&amp;amp;p=141&amp;amp;c=22"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Vão dar com os costados no &lt;a href="http://www.mamalisa.com/world/"&gt;Mama Lisa's World&lt;/a&gt;, um site fantástico, com canções infantis do mundo inteiro. Se vcs não gostarem, os pais de vcs talvez gostem. Dêem uma chance pra eles. E tá bom por hj. Voltem aos livros...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-4750046712572203010?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/4750046712572203010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=4750046712572203010' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4750046712572203010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4750046712572203010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/08/esprito-romntico.html' title='Espírito romântico'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SJPQHVtXNII/AAAAAAAAAIM/xPKQdBuHwig/s72-c/despertar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6475353810138818580</id><published>2008-07-28T18:51:00.007-03:00</published><updated>2008-07-28T19:30:01.727-03:00</updated><title type='text'>Para a Brenda, que odeia a norma culta</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A Brenda Braga disse umas coisas interessantes aí nos comentários de "Cão". Este post é pra ela. Mas é tb pra pra quem mais quiser meter o bedelho no assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brenda, vc pode não gostar de escrever de acordo com a norma culta (muita gente não gosta), mas ela é necessária para dar coesão à língua. Já pensou que babel se cada um pudesse escrever de acordo apenas com sua vontade? Agora, vc pode, sim, burlar as normas vigentes, quando escrever textos literários. O escritor não é o cara que segue as regras, mas o que cria novas regras. Isso não dá direito ao vale-tudo. É preciso conhecer as normas cultas para inventar outras, artísticas, pessoais, a partir delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa: é a norma culta que é exigida em concursos e vestibulares. Vc pode (e deve) ter a sua língua artística própria, mas deve conhecer a culta para não passar por ignorante. Existem dois tipos de "desvios" na escrita: o desvio "eufórico" e o "disfórico". O eufórico é fruto do trabalho do escritor, que, por vontade própria, resolve dar uns bicos nas canelas das normas cultas e cria novos efeitos sobre o já estabelecido. Exemplo (do "Caso pluvioso", do Drummond):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva me irritava, até que um dia,&lt;br /&gt;descobri que Maria é que chovia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chuvadeira maria, chuvadonha,&lt;br /&gt;chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha [...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu? Chover é verbo impessoal, defectivo, só conjugável na terceira pessoa (do singular ou do plural), de qualquer tempo ou modo, a não ser quando em sentido figurado. Nesse caso, geralmente o sujeito vem posposto ao verbo, se não me falha a memória das aulas com José Augusto Carvalho. Mas o Drummond, que sabia disso, inventa que Maria é que chovia e, portanto, Maria chove e o efeito disso é das páginas mais belas da poesia brasileira. Os adjetivos que ele pespega em maria (chuvadeira, chuvadonha etc.) não existem no dicionário (ou não existiam, à época), mas todos são compostos de acordo com as regras de formação de neologismos do português (aquela história de prefixo grego isso, sufixo latino aquilo...). O resto do poema deixo pra sua curiosidade descobrir. Vc vai amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao tal desvio disfórico, trata-se de fruto da ignorância de quem escreve. É o tal "erro" mesmo. Ele não é proposital, apenas quem o comete não tem noção das regras e escreve o que lhe dá na telha. Nem vou dar exemplo, pra não ferir suscetibilidades, mas eu vejo muito disso por aí. Pessoas que não conhecem as normas cultas e querem, mesmo assim, revolucioná-las. Nas artes plásticas isso acontece demais: o cara não sabe desenhar, pintar, esculpir, e se acha um revolucionário porque tira xerox do próprio traseiro e pendura na parede. Na verdade isso não quer dizer nada. Os grandes pintores revolucionários (um Picasso, um Dalí, um Miró, p. exemplo) estudaram muito até chegar ao nível de desconstrução do que aprenderam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, Brenda, pra encurtar esse discurso chato, ainda que vc não goste das normas cultas da língua (mas acho que vc não gosta mesmo é de aula de gramática - no que concordo com vc: é ruim de aula de gramática ser interessante pra quem já não nasceu com ela no sangue), aprenda-as. Elas são ferramentas que vão fazer, no mínimo, com que vc crie sua própria língua com conhecimento de causa. E olha que, às vezes, te dão um prazer enorme. Eu, por exemplo, adoro falar de silepse... Mas isso fica pra outra conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode aparecer mais vezes. Estarei aqui até o fim do vestibular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: O livro, claro que autografo. Só não sei como. Se vc quiser, envie pelo correio para o endereço da editora, eu o pego lá e devolvo pelo correio tb. Dá-se um &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;j&lt;/span&gt;eito... E que bom que vc gostou. Eu achei que os vestibulandos iam me achar um doido, pelo meu estilo, mas a reação tem sido o contrário. Vá a gente entender vcs... hehe E que conto vc foi escolher pra gostar, hein? É um dos meus favoritos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6475353810138818580?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6475353810138818580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6475353810138818580' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6475353810138818580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6475353810138818580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/para-brenda-que-odeia-norma-culta.html' title='Para a Brenda, que odeia a norma culta'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6777640031244966253</id><published>2008-07-25T13:43:00.012-03:00</published><updated>2008-07-25T19:21:13.778-03:00</updated><title type='text'>Cão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SIpPJjxBNqI/AAAAAAAAAIE/TCwvT8SgtzQ/s1600-h/spaceball.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SIpPJjxBNqI/AAAAAAAAAIE/TCwvT8SgtzQ/s400/spaceball.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227077343155140258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SIpLyfvdzdI/AAAAAAAAAH0/bWM_k7qJZt4/s1600-h/solitude+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SIpLyfvdzdI/AAAAAAAAAH0/bWM_k7qJZt4/s400/solitude+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227073648403008978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;O cão largou-se ao pé da escada, último remanescente de outrora vigorosa matilha. Era o fim da espécie ou, no mínimo, da estirpe. Trazia o pênis ferido, preso ao corpo apenas por uma suja nesga renitente de carne, que hesitava em abandonar o dono, e a boca seca. Tão seca que a língua — lixa-que-lixa — já abrira um buraco do palato. Era tudo quanto lhe restava de corpo, tudo que possuía ainda de cão em si, que ele tentava descansar, diante da impossibilidade de recuperar-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Uma barata passou rastejando sobre suas patas dianteiras. De imediato, ele sentiu-se ultrajado ao contato que confirmava seu asco por todo gênero de insetos, mas não conseguiu exteriorizar mais do que um olhar de nojo, incapaz de qualquer outra reação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Havia no céu uma lua estranha, gélida, pendurada em um vazio avassalador, proprietária de olhos que cingiam o mundo. Tudo restante era apenas escuridão e silêncio. Existiria — sim, existiria — vida em outra parte do universo, e ele não se encontrava muito distante de lá. A lua balançava-se, presa a algum pêndulo invisível, no firmamento, enquanto ele, reles, mero cão, impotente, ruminava restos de pretérito, grotescamente arraigado na paisagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Já não tinha muito o que esperar. Em breve, estaria extinto e, com ele, todas as coisas visíveis e invisíveis que povoavam o planeta também desapareceriam. Já não possuía forças nem sequer para lembrar-se de como conseguira chegar até aqui. Talvez tudo resultasse de sua relutância em ser o último, o derradeiro dos cães. Por esse motivo decidira não se entregar: havia resumido seus pertences, abandonado os ossos dos seus ancestrais e ficado à deriva durante longo tempo, para sobreviver à história, para não deixar morrer consigo a memória da sua espécie. Mas falhara desde o princípio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;A lua apossou-se de outra fração do céu. Ele percebeu, vaga e ofuscadamente por entre as lágrimas algo de nuvem boiando no espaço. Um mosquito zombou-lhe da paciência com uma insuportável melodia supersônica. As pulgas e os carrapatos aproveitaram-se de sua debilidade e o atacaram conjuntamente em todos os flancos, como um exército devastador. Logo agora, que estava tão próximo do seu objetivo! Tinha certeza de que haveria outros iguais a ele, já quase podia pressenti-los no quarteirão seguinte, mas estava tão fraco que não conseguia nem abanar o rabo e espantar as moscas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Amanhecia. A lua empalideceu rapidamente. O mundo deixou de ser tão assombroso e avassalador. Semimorto, o cão ainda ouviu o barulho dos carros e os murmúrios da gente que ia-vinha, rasgando a pele fina da manhã. Aí que não suportou mais a dor, a solidão, a impotência, e deixou-se ficar, definitivamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Uma cadela, vibrando de cio, aproxima-se da escada. Ainda não desbravou a esquina e já fareja o cheiro do macho, tão ansiado. Aperta o passo e depara-se com ele. Feliz, lânguida, lambe-lhe o focinho, livra-o das moscas, acaricia-lhe o rosto, pensa-lhe as feridas, roça seu corpo no dele, procurando despertar-lhe a paixão, e, de súbito, percebe que não obterá resposta. Fim da sua última esperança. Agora, com quem dividirá o futuro que se avizinha? Preocupada com isso, descobre o pequeno pênis dilacerado e acha que tem a solução: termina de extraí-lo do corpo inerte e o introduz em si. Há de levá-lo consigo — um pedaço dele preenchendo seu espaço — até que se refaça a espécie.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6777640031244966253?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6777640031244966253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6777640031244966253' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6777640031244966253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6777640031244966253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/co.html' title='Cão'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SIpPJjxBNqI/AAAAAAAAAIE/TCwvT8SgtzQ/s72-c/spaceball.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8938243015752908473</id><published>2008-07-20T12:26:00.006-03:00</published><updated>2008-07-20T16:16:49.162-03:00</updated><title type='text'>Para Aline B., escondida aí em "Rua da cidade"</title><content type='html'>Sra. B., qd a gente escreve, pensa em um monte de coisas, quase simultaneamente. Não se tem (pelo menos, eu não tive) um objetivo específico em mente, do tipo "o que eu quero passar de mais importante é...". Na verdade, o lado mais relevante da relação livro-leitor é o leitor. Afinal de contas, é ele quem vai processar o que ler. Por isso, quanto mais vc lê, mais habilidade adquire para interpretar, de acordo com a sua vontade e conhecimento, não apenas o livro, como também o "&lt;a href="http://www.goear.com/listen.php?v=58185d4"&gt;universo ao seu redor&lt;/a&gt;", só pra citar Marisa Monte. Faça a experiência: leia um mesmo texto várias vezes. Vai perceber que, a cada vez, vc o verá de maneira nova. Qd me fazem perguntas como essa que vc fez – e fazer perguntas é a melhor forma de tentar entender as coisas – eu costumo citar uma cena de &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0110877/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O carteiro e o poeta&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (vc viu? Se não, aproveite e limpe essa mancha de sua biografia, rs), em que o carteiro pergunta ao poeta o que significavam os versos tais e tais que ele (o poeta) escreveu. O poeta responde: "Mário, sinto muito, mas só sei dizer daquele jeito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qt às características que vc aponta em meu livro (imprevisibilidade, presença da morte, uma espécie de pessimismo), acho que vc tem elementos no texto suficientes para justificá-las. Eu tenho repetido aí nuns comentários passados e nas palestras que faço que há, sim, certo niilismo presente em quase todos os contos, mas eu prefiro pensá-lo não como pessimismo, mas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;niilismo ativo&lt;/span&gt;, à Nietzsche – uma maneira de reconhecer a decadência dos valores tradicionais ocidentais (moral, religião, casamento, família, relações afetivas, instituições...) e, com isso, abrir caminho para a destruição desses valores e para a construção de um novo homem. Penso que, qd, os leitores do meu livro se vêem contestando ou corroborando o que digo quanto à instituição casamento nos contos "Três histórias" e "Casamento", por exemplo, esse papel de fazer pensar sobre o que está petrificado em nosso imaginário como algo imutável está sendo cumprido. O que vai fazer com o que pensou diz respeito a cada um, mas é inegável que é bem melhor ter duas idéias do que apenas uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa sorte, Aline.&lt;br /&gt;MM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Ah, e não tome nada do que digo como verdade absoluta. Deixa esse negócio de verdade absoluta pro coitado do Papa. Depois que um livro é publicado, o autor é apenas mais um leitor. Assim, minha opinião tem tanto valor quanto a sua e a dos seus professores e colegas, desde que adequadamente justificadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS2: Se me chamar de Sr. Marvilla de novo, eu nem olho pra trás. rs&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8938243015752908473?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8938243015752908473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8938243015752908473' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8938243015752908473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8938243015752908473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/para-alice-b-escondida-em-rua-da-cidade.html' title='Para Aline B., escondida aí em &quot;Rua da cidade&quot;'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-2722025525128229090</id><published>2008-07-19T15:01:00.002-03:00</published><updated>2008-07-19T16:22:26.707-03:00</updated><title type='text'>Ditado popular (muito "oportuno", aliás)</title><content type='html'>O Opportunity faz o ladrão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-2722025525128229090?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/2722025525128229090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=2722025525128229090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2722025525128229090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2722025525128229090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/ditado-popular-muito-oportuno-alis.html' title='Ditado popular (muito &quot;oportuno&quot;, aliás)'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8646842109076478806</id><published>2008-07-15T10:13:00.008-03:00</published><updated>2008-07-15T11:38:37.095-03:00</updated><title type='text'>Pelo fim da impunidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SHyiptll0bI/AAAAAAAAAHU/EDUX72L5TVc/s1600-h/Gilmar+Mendes.jpeg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SHyiptll0bI/AAAAAAAAAHU/EDUX72L5TVc/s400/Gilmar+Mendes.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223228505338532274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Os colegas estão de férias e o cara, fazendo a festa dos amigos: "Eu sou Deus"! Quando é que vão nos mandar comer brioches? Fora, Gilmar Mendes!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8646842109076478806?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8646842109076478806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8646842109076478806' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8646842109076478806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8646842109076478806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/pelo-fim-da-impunidade.html' title='Pelo fim da impunidade'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SHyiptll0bI/AAAAAAAAAHU/EDUX72L5TVc/s72-c/Gilmar+Mendes.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1882674322554311880</id><published>2008-07-11T13:10:00.006-03:00</published><updated>2008-07-11T13:47:02.813-03:00</updated><title type='text'>Rua da cidade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O professor do 201 olhou o televisor, calçou os chinelos e guardou na estante o volume III de &lt;i style=""&gt;O capital&lt;/i&gt;, que escorregara de suas mãos enquanto cochilava. Mais-valia, capital constante e variável, trabalho, modos de produção, taxas e sobretaxas, misturaram-se, irreconhecíveis, ao sabor de menta da pasta de dentes. &lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/casablanca/casablanca.asp"&gt;&lt;i style=""&gt;Casablanca&lt;/i&gt;&lt;/a&gt; na Sessão Coruja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;No 202, a atriz de teatro amador, entre gemidos &lt;a href="http://www.kryingsky.com/Stan/Biography/bot.html"&gt;stanislavskianos&lt;/a&gt;, atingia seu terceiro orgasmo consecutivo com a diretora da sua última peça. Maria Bethânia, cantando&lt;i style=""&gt; &lt;/i&gt;“Mel” cheia de ruídos na velha Sonata, em surdina. Luz negra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;No apartamento 203, a estudante de Psicologia tentava concentrar-se nas teorias de &lt;a href="http://www.2001video.com.br/detalhes_produto_extra_dvd.asp?produto=15071"&gt;Skinner &lt;/a&gt;para a prova do dia seguinte, mas era constantemente interrompida pelos gemidos da atriz. Assim, desistiu e deu corda ao despertador, ordenando-lhe que a acordasse às 6:30, tempo suficiente apenas para um banho e café rápidos. Se o trânsito estivesse bom, chegaria, então, com apenas 15 minutos de atraso à primeira aula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;No 204, um adolescente acordou suado, apanhou a revista &lt;i style=""&gt;Playboy&lt;/i&gt; no armário embutido e se masturbou olhando as fotos das mulheres nuas, todas suas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O casal de namorados, distraído em suas carícias no banco de trás do velho fusca, não percebeu que começou a chover a chuva fina de sempre, quando é setembro. Tinham tempo ainda, agora é outro sábado. Mas que desculpa daria ele à esposa desta vez?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;No bar defronte à praça, o sonolento garçom abriu a nona garrafa de cerveja para o bêbado da mesa 5. Depois, como de hábito, ele pagaria a conta com um cheque de assinatura tremida e, sem se importar com os jacarés, dormiria na cadeira, segurando a garrafa até que o bar fechasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O guarda-noturno, com seu apito trilongo, passou, avisando que ainda estava vivo, fazendo a ronda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Cansado de si, o bêbado da mesa 5 tira da bolsa um revólver e se suicida, às 2:51, interrompendo mais um orgasmo da atriz de teatro amador e os sonhos &lt;a href="http://www.bfskinner.org/aboutbfskinner.html"&gt;neobehavioristas&lt;/a&gt; da estudante de Psicologia. O casal de namorados, absorto em seu amor, não vê o sangue descer as escadas, passar por debaixo do carro e escorrer para um bueiro próximo. O professor, alheio à rua, desliga o televisor. O adolescente ejacula, precoce, nas páginas da revista, sem poder conter sua emoção. O guarda-noturno já vai longe e seu apito, indiferentes a dramas pessoais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O dono do bar ainda tem de limpar o sangue de sobre a mesa, pensando no prejuízo das nove cervejas que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o suicida não pagará desta vez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;      &lt;span style="font-size:78%;"&gt;  [Sorry, mas alguns links só em inglês. Mesmo assim, podem ser úteis aos mais curiosos.]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1882674322554311880?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1882674322554311880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1882674322554311880' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1882674322554311880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1882674322554311880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/rua-da-cidade.html' title='Rua da cidade'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-2816431500916343349</id><published>2008-07-08T00:52:00.001-03:00</published><updated>2008-07-08T00:55:54.308-03:00</updated><title type='text'>Maria, Clara, Lia, Susana...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;E eis que, de repente, a eternidade sibila ao nosso redor e nos convida a entrar. Só aí nos convencemos, tintos de terror, de que ainda não somos eternos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Vejo-me a passear os olhos pelo que me cerca. Pelos cantos da casa encarquilham-se velhas bolhas de sabão, à espera de que vistamos novamente nossas impossíveis peles de crianças — nós, infantes antigos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Avisto o futuro de onde estou. Tudo tão longe! Esta miopia que me restringe, como atinge meu interior! Meus óculos, sustentados apenas por sua vontade de enxergar, espraiados sobre este rosto rústico e perplexo que dizem me pertencer, aludem a possibilidades remotas, aproximam o mundo e me distanciam, ao mesmo tempo, de mim. E eu aqui, desarmado, nem posso mover-me, enquanto elas estão caindo, prisioneiro intacto de minhas próprias lembranças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Maria. O corpo colado à vidraça. Chovia ferozmente. Sentia-se presa. De súbito, acusava-me: eu era a chuva e o medo dos trovões, a lâmina e o corte, o abutre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Tão repentina quanto sempre, ela se decidiu à liberdade: abriu a janela e era bela, muito bela e brilhante, à luz dos relâmpagos, ao exercer seu direito de vôo. Após dar três voltas no vazio, sustentou-se por alguns instantes em alguma barreira de ar e, finalmente, despencou para o abismo. Então, ainda de súbito, lá estava ela, serena e límpida (mas o corpo no jardim, descansando entre as begônias), flutuando no ar, entre pássaros e pensamentos undíferos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Inesperadamente, em seguida, a porta se abriu. Assustei-me: o sangue que me a/tingia a camisa não me pertencia, mas Clara (Clara mentia sua presença) nem reparou nele. Aproximou-se de meu posto de observação e sorriu, não-me-vendo. Ela era volátil, mas líquida e certa. Permanecia sempre inerente ao espaço que ocupava anteriormente e, assim, conseguia estar em todos os lugares simultaneamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Procurava algo. (Não creio que encontrasse nada além de uma ou outra recordação esquecida pelo chão da sala. Aqui, tudo é tão sutil que se torna difícil até saber onde estamos pisando. Opto sempre por me mover o menos possível de onde estou: há o risco demasiado freqüente de esbarrar em algum motivo adormecido ou em algum real sem fantasia que, por acaso, eu possua.) Ela conhecia muito bem isso aqui e estava revirando o local talvez pelo mero prazer de me fazer apreensivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Chamei-a e disse-lhe que parasse — eu não suportaria dar de cara com qualquer coisa que estivesse tentando esconder.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;A princípio ela não me ouviu (ou fingiu que não) e tive de ser ríspido. Imediatamente, pedi-lhe desculpas, atingi-a mais do que pretendia. Ela se tornou inóspita. Depois, aproximou-se de mim como se fosse pronunciar uma sentença muito importante — algo relacionado com arte dramática ou com borboletas, não importa, todas as suas palavras adquiriam caráter de coisa fundamental —, pois ela aproximou-se de mim e notou, no sangue em minha roupa, sua incapacidade de reconhecê-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Perguntou de quem era. Não respondi. (Eu sei que devemos nos lavar após cada crime cometido, senão para desviarmos de nós as suspeitas, ao menos por higiene, para que estejamos limpos em momentos futuros de amor. Mas não tiver oportunidade de fazê-lo. Clara já havia planejado não me dar mais tempo.) Não responderia por meus atos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Havia algumas pessoas sentadas sobre botijões na calçada lá embaixo, augurando o caminhão do gás. Cá dentro, algo de grandioso estava por acontecer. Clara insistia em sua curiosidade. Antes que ela, só para me torturar, repetisse mais uma vez sua pergunta e que eu, pela terceira vez, lhe negasse a resposta, indiquei-lhe a janela aberta, única solução que me restava. Ela acercou-se da sacada, sem afastar de mim seu olhar inquisidor. Lá embaixo, começou a chover forte e as pessoas que esperavam o gás já tinham ido embora. O corpo de Maria ainda permanecia nítido entre as begônias. Clara fixou a atenção nele, espantada, e eu a empurrei, sem raiva, mas ela não caiu de todo: a cada espaço que ocupava/desocupava, ia deixando pistas de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Quando estatelou-se contra o solo, atônita, olhou-me (eu não seria capaz disso) e ainda encontrou forças para abraçar-se a Maria. Melhor assim. As pessoas pensariam que foi um duplo suicídio por amor, embora pudessem irritar-se por amassarem as flores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Ah, eu nunca deveria ter confiado nelas, especialmente porque era abril, continuava fazendo calor e elas se fechavam todas, mas não pude resistir. Eram muitas e, se não tivessem querido cobrar as partes de mim que lhes pertenciam, poderiam ter sido mais. Elas se muitificam feito epidemia e me surpreendem a cada esquina, como um adultério que resolvesse saltar de dentro do armário embutido...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Devo estar louco... ouço-as, que se aproximam. Impossível, todas juntas não caberão aqui. É contra a lei de impenetrabilidade da matéria, dois corpos no mesmo espaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Eu deveria ter trancado todas as portas que Clara deixou em aberto. Agora é tarde, elas há estão entrando. Posso vê-las, deste meu esconderijo, rubras, rugindo suas revoltas, portando suas armas. Como negar que são belas, umas mais que as outras?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Ainda não sabem da minha presença, mas uma delas, debruçada sobre o parapeito da janela, observa, intrigada, os dois corpos adubando o jardim, sem saber o que pensar. Se ela se virar um pouco mais para a esquerda, serei descoberto. Ela me vê e compreende o que aconteceu. Só há uma saída, antes que grite: empurro-a para baixo rapidamente e me oculto de novo, incólume. Contudo, o barulho do ar se deslocando atrai as outras. São, realmente, muitas e belas. Sabem, agora sim, que estou aqui. É questão de acaso atinarem comigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;No entanto, antes de começarem a vasculhar o ambiente à minha procura, uma delas — não defino bem se Lia ou Susana — percebe nas demais detalhes de mim que lhes ficaram, indeléveis. Perco o medo. Acho que, por me haverem dividido entre si, elas se irmanarão. Puro engano: surgida de onde a invisibilidade, portada por horror à comunhão, uma faca súbita exerce seu poder de facção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;As descobertas de meus pedaços em seus corpos se multiplicam e elas se matam, cada vez mais ferozes e mais próximas de mim. Respingam-me de sangue. Gritam, mas não se ouvem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Não. &lt;i style=""&gt;Eu&lt;/i&gt; não tentarei nada. E talvez nem seja necessário, não há facas suficientes para tantas que me possuíram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Agora, há um intervalo em que elas se acalmam um pouco. Posso respirar também. Algumas — e, a cada minuto, são mais que chegam, de maneira que já não cabem todas aqui — começam a atirar os corpos das derrotadas pela janela, a fim de ampliarem o campo da batalha. Depois, e me surpreendo com isso, imaginam que a queda é o caminho para o infinito e se atiram também, tão perto de mim que posso ver suas expressões de júbilo. Elas parecem não acabar mais. No jardim, vão se amontoando fraternalmente no mesmo sangue, na mesma massa. E continuam a saltar, a saltar, a saltar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Ainda faltam dez minutos para começar a eternidade. Não posso nem sequer me mover daqui, pois então serei carregado pela enxurrada de corpos que despencam, mas &lt;i style=""&gt;tenho&lt;/i&gt; que fechar a janela: os vizinhos começam a reclamar do barulho dos cadáveres caindo no jardim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-2816431500916343349?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/2816431500916343349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=2816431500916343349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2816431500916343349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2816431500916343349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/maria-clara-lia-susana.html' title='Maria, Clara, Lia, Susana...'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-5889049899492301873</id><published>2008-07-08T00:46:00.002-03:00</published><updated>2008-07-08T00:48:45.769-03:00</updated><title type='text'>Um resumo</title><content type='html'>David, dá pra vc fazer um resumo daquelas perguntas que fez antes de o Fluminense virar motivo de chacota, para eu tentar colocar nossa conversa em dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Tô de volta, moçada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-5889049899492301873?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/5889049899492301873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=5889049899492301873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5889049899492301873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5889049899492301873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/um-resumo.html' title='Um resumo'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8298501214253360966</id><published>2008-07-03T00:59:00.004-03:00</published><updated>2008-07-04T11:57:31.668-03:00</updated><title type='text'>Chega!</title><content type='html'>Incompetentes no governo, incompetentes no trânsito, incompetentes nas escolas, isso a gente tem de agüentar. Agora, incompetentes no futebol também?!? Ah, não dá. Os caras ganham horrores pra perder pênalti?!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro encerrada minha carreira de torcedor do Fluminense: vou torcer pro Flamengo, que, pelo menos, tem o (divertidíssimo) Obina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos voltar a falar de literatura, que é mais interessante e menos estressante: a partir de segunda, novas postagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• • •&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS2: Vade retro, Renato Gaúcho, Ygor e Washington!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8298501214253360966?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8298501214253360966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8298501214253360966' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8298501214253360966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8298501214253360966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/chega.html' title='Chega!'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-5284047047870338257</id><published>2008-07-02T09:00:00.001-03:00</published><updated>2008-07-02T09:00:23.015-03:00</updated><title type='text'>É hoje!</title><content type='html'>Ou não...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-5284047047870338257?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/5284047047870338257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=5284047047870338257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5284047047870338257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5284047047870338257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/07/hoje.html' title='É hoje!'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8541562145395824027</id><published>2008-06-05T14:51:00.005-03:00</published><updated>2008-06-05T15:01:18.606-03:00</updated><title type='text'>Excursão. Quem vai?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SEgn6CAj6EI/AAAAAAAAAF8/aFI7AE-NWoQ/s1600-h/Fluminense1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SEgn6CAj6EI/AAAAAAAAAF8/aFI7AE-NWoQ/s400/Fluminense1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208456846979098690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Excursão para Yokohama no fim do ano: quem for tricolor que me siga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Gente do vestibular, especialmente o David, desculpem aí (viram que silepse de número bonita, "Gente, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;desculpem &lt;/span&gt;aí"?), mas eu tô esperando pra ver esse time jogar assim (apesar do tal do perYgor) desde 1976. Vcs nem eram nascidos ainda e não viram Rivelino, Gérson e Doval jogar. Então, tenham paciência, esperem a Libertadores acabar, que eu volto. Enquanto isso vou publicando um ou outro conto. Guardem suas perguntas e a gente se fala com o troféu na mão. Poeta tb é humano e tem seus dias de plebe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por favor, comprem esses danados desses livros aí ao lado e o outro que vou lançar em breve, que eu preciso juntar dinheiro pra ir com o Flu ao Japão, hehe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8541562145395824027?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8541562145395824027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8541562145395824027' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8541562145395824027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8541562145395824027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/06/excurso-quem-vai.html' title='Excursão. Quem vai?'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SEgn6CAj6EI/AAAAAAAAAF8/aFI7AE-NWoQ/s72-c/Fluminense1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-2065109276720051330</id><published>2008-06-05T01:29:00.002-03:00</published><updated>2008-06-05T01:36:58.908-03:00</updated><title type='text'>Pintou o campeão!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SEdtQbX8FLI/AAAAAAAAAF0/AZo2rVZMRpo/s1600-h/bandeiraflu.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SEdtQbX8FLI/AAAAAAAAAF0/AZo2rVZMRpo/s400/bandeiraflu.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208251623070766258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que venha a LDU! Que venha Yokohama!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-2065109276720051330?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/2065109276720051330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=2065109276720051330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2065109276720051330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2065109276720051330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/06/pintou-o-campeo.html' title='Pintou o campeão!'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SEdtQbX8FLI/AAAAAAAAAF0/AZo2rVZMRpo/s72-c/bandeiraflu.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-9124846153257867939</id><published>2008-05-13T18:18:00.005-03:00</published><updated>2008-05-15T00:26:53.895-03:00</updated><title type='text'>Nas livrarias não? Por e-mail, então.</title><content type='html'>Recebi alguns e-mails de alunos que não encontram &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os mortos estão no living&lt;/span&gt; nas livrarias. Quem desejar adquirir o livro pode também escrever à Flor&amp;amp;cultura Editores e solicitar o envio por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;snail-mail &lt;/span&gt;(&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;"&lt;/span&gt;correio-lesma", aquele com carteiro, envelope, carimbo, tinta de caneta, selos... lembram? Ah, não deve ser do tempo de vcs... Mas caneta, pelo menos, vcs sabem o que é, né?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O e-mail da editora: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;florecultura@gmail.com&lt;/span&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-9124846153257867939?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/9124846153257867939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=9124846153257867939' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/9124846153257867939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/9124846153257867939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/05/nas-livrarias-no-por-e-mail-ento.html' title='Nas livrarias não? Por e-mail, então.'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7940501173425190543</id><published>2008-05-13T12:10:00.008-03:00</published><updated>2008-05-13T12:42:24.143-03:00</updated><title type='text'>A queda</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SCm2oGGuIOI/AAAAAAAAAFc/6Mt-ahn0blI/s1600-h/1437043349_0f8baf7119_o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SCm2oGGuIOI/AAAAAAAAAFc/6Mt-ahn0blI/s400/1437043349_0f8baf7119_o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199888044725772514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Uma pequena fruta vermelha e doce despenca de sua árvore-mãe, criança abandonando contra a vontade seu vício de útero. Na viagem que faz pelo abismo, pode-se negar o próprio momento. Há um lapso no universo, após o qual nada mais acontecerá da mesma maneira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Um fiapo de luz, costurando os limites da tarde, impede que o mundo, por mais que se esforce, conclua a noite. Duas flores são primavera — pássaros, ainda, e folhas novas. Alguns objetos são idéias — vagas semelhanças com suas formas reais —, supridos de satisfação por sua singularidade. Algumas idéias — aproveitadas outras, anteriores — são insetos e podem ser vistas claramente por entre os plátanos e as begônias. Deus e suas invenções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;A pequena fruta, a meio-caminho do seu destino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;As cores pastosas do pôr do dia hesitam em desgarrar-se da paisagem. O cheiro e os sons da estação, misturados às abelhas e borboletas recentes num balé bucólico, permitem entrever a harmonia, antes da rigidez que logo se aproxima.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O sol já está completamente do outro lado do planeta mas, com o que lhe resta de veemência, permanece apegado, ensangüentado, a tudo que, por esse motivo, ainda tem alguma forma. É um anoitecer tão denso que, sobre ele, uma lua mal começada rasteja a duras penas, qual lesma que deixasse atrás de si restos pegajosos de nuvens.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;A pequena fruta ainda não terminou sua trajetória, quando um pedaço da tarde não resiste mais e rasga-se, deixando-se tingir de escuro. Todas as coisas cedem, assim, uma parte de si. Em algum lugar, uma ave qualquer trina uma melodia triste, meio tom acima das quasicores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O choque, finalmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O chão desloca-se vagarosamente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;sob uma lagarta listrada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7940501173425190543?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7940501173425190543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7940501173425190543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7940501173425190543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7940501173425190543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/05/queda.html' title='A queda'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/SCm2oGGuIOI/AAAAAAAAAFc/6Mt-ahn0blI/s72-c/1437043349_0f8baf7119_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6035319675950051474</id><published>2008-04-18T09:06:00.002-03:00</published><updated>2008-04-18T09:16:05.561-03:00</updated><title type='text'>(Parênteses para abaixo-assinado)</title><content type='html'>Pessoal, desculpem o mau jeito (com silepse de número e tudo), mas percam meio minuto aí e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;assinem &lt;/span&gt;o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;abaixo&lt;/span&gt;-&lt;span style="font-style: italic;"&gt;assinado &lt;/span&gt;no link &lt;span style="font-style: italic;"&gt;abaixo&lt;/span&gt;. Pra poupar tempo, explico: é que um sujeito (um desses artistas "mudernos") promoveu uma instalação em El Salvador, se não me engano, em que a "arte" se resumiu a manter um cão amarrado a uma parede até que ele (o cão) morresse &lt;b&gt;de fome&lt;/b&gt;. Ao que consta, a tortura ao animal (o cão, não o "artista") durou vários dias. E agora, o sujeito, Guillermo Habacuc Vargas, foi classificado/convidado para a Bienal Centroamericana de Honduras 2008. O abaixo-assinado visa a boicotar a participação do cretino na Bienal Centroamericana e a demonstrar o asco de, até agora, 2.200.000 pessoas diante de manisfestações "artísticas" com tal nível de imbecilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não quiser assinar não assine. Quem tiver raiva desse tipo de coisa, bastam nome e e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o link: &lt;a href="http://www.petitiononline.com/13031953/" target="_blank"&gt; http://www.PetitionOnline.com&lt;wbr&gt;/13031953/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sabem o que é pior? Tem gente que acha que essa merda é arte mesmo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6035319675950051474?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6035319675950051474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6035319675950051474' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6035319675950051474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6035319675950051474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/04/parnteses-para-abaixo-assinado.html' title='(Parênteses para abaixo-assinado)'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1195853072196372506</id><published>2008-04-11T00:12:00.007-03:00</published><updated>2008-04-11T00:31:35.446-03:00</updated><title type='text'>Narciso indeciso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R_7baJ6wLlI/AAAAAAAAAFM/rpPSHD4cXvw/s1600-h/475130799_aae239ef4b_o.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R_7baJ6wLlI/AAAAAAAAAFM/rpPSHD4cXvw/s400/475130799_aae239ef4b_o.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187825063162818130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Para Oscar Gama&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;É que Narciso acha feio que não é espelho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-variant: small-caps;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;— Caetano Veloso&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Era — já — a hora da lua: em breves semitons de azul e verde, ela surgiu, pingo de-prata, com o hálito antropófago da noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Ancorado no acaso da calçada, ele ficou procurando palavras para justificar sua permanência e tanto fantasiou que virou estrela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Como tal, sentiu-se na obrigação de brilhar. E brilhou, brilhou, brilhou de tal forma que, por excesso de resplandecência, fez desaparecer os oceanos, a lua, os plantadores de rosas, as outras estrelas. Mas ficou querendo voltar a ser homem para receber homenagens, pois seria o único homem-estrela do mundo, de maneira que vestiu sua melhor roupa e desceu do céu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;No entanto, seu fulgor ofuscava as pessoas e elas ou fugiam dele, assustadas, ou o atacavam com o que encontrassem à mão: paus, pedras, edifícios. Decepcionado, ele tornou para o firmamento e jurou vingança: iria brilhar ainda mais. Afogaria todos em sua luz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;Foi quando a manhã floriu outro futuro e o sol confiscou-lhe a imaginação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;É — já — a hora da Lua. Ainda perdido no acaso da calçada, ele se ama, indeciso entre um tango argentino e um trago de aguardente, enquanto a noite pousa, desdentada, no quintal da sua cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1195853072196372506?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1195853072196372506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1195853072196372506' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1195853072196372506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1195853072196372506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/04/narciso-indeciso.html' title='Narciso indeciso'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R_7baJ6wLlI/AAAAAAAAAFM/rpPSHD4cXvw/s72-c/475130799_aae239ef4b_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-5235362376578414378</id><published>2008-03-14T14:34:00.004-03:00</published><updated>2008-03-14T14:50:44.819-03:00</updated><title type='text'>Luz e sombra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R9q6lmobfDI/AAAAAAAAAFE/-HcQRcrC0F4/s1600-h/Light+and+shadow.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R9q6lmobfDI/AAAAAAAAAFE/-HcQRcrC0F4/s400/Light+and+shadow.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177655876803853362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Para Simone&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os olhos se enchem de um excesso de beleza, fechá-los é voluptuosidade.      • Victor Hugo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma réstia de sombra penetrou por uma fresta da janela e exprimiu um protesto mudo contra a claridade do lugar. A um canto, em desalinho, o corpo da mulher exibia uma luz muito forte e pegajosa que, divulgada pelas paredes e espelhos, contagiava os objetos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Algo imperceptível empurrou o mundo para outro minuto. As coisas envelheciam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um movimento mais brusco do sonho e eis que a mulher retoma o momento. Abre ligeiramente os olhos e — mistério impregnando o ambiente — os elementos se curvam diante da Beleza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Subitamente, uma lágrima se desenrolou dos olhos dela. Aproveitando-se desse descuido, a réstia de sombra refletiu-se numa quina da parede, espalhando-se pelos rodapés. Uma flor e uma garrafa de vinho semivazia que brilhavam muito perceberam-lhe a intenção e tentaram impedi-la de prosseguir, mas, frágeis seres de matéria, foram logo absorvidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A mulher está feliz. Ei-la que ama e a quem amam. Havia muito que se destinara à emoção, e tanto que terminara por apossar-se da Luz. Assim é que, quando ama, brilha e se emite — ela, a claridade; a cor; o dia. (É nesses momentos que o seu braço pode abdicar do átomo e permanecer apenas gesto.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Algum móvel, uma jóia e uma pequena peça de roupa tornaram-se, sem uma segunda chance, noturnos, como o avançar da sombra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nua sob os lençóis, ela se ocupa, de novo, em sonhar. Macia, esgueira-se, suave e mansa, onde a fantasia. O nácar de sua pele é a própria essência das coisas. O mundo plausível e presumível logo se desfaz e ela está inerente à plenitude.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eis aqui a Lei: o mundo só é porque é luz e sombra. Há que se combaterem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um desenho a grafite, uma aliança de ouro, um poema e até pedaços perfumados de ar já haviam sido englobados pela sombra em sua fome de amplidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ainda sob os lençóis, emaranhada em seu torpor, a mulher se move alguns centímetros e deixa a descoberto um seio plácido, provido de vida própria, que se encanta em acompanhar seu ritmo respiratório, subindo e descendo lentamente, dotando de sensualidade o todo ao seu redor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A sombra estacou por alguns instantes. Havia que render-se, posto que momentaneamente, ao belo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nisso, porém, a mulher, munida então sua maior luminosidade, percebeu a falta dos objetos que a envolviam. Rolando sobre si mesma, abandonou os lençóis e deu-se conta de estar rodeada de sombras. Preocupou-a, entretanto, somente o amado, chegando e achando a casa às escuras. Poderia entender o que aconteceu? Saberia encontrá-la? Conseguiria ultrapassar a sombra — ele, tão frágil e desarmado, despido de &lt;i style=""&gt;sua&lt;/i&gt; luz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pensando assim, ela esforçou-se por ampliar-se e recuperou a flor e o poema. Nessa hora, porém, o ar, carregado de sem-cor e não suportando mais o peso da própria culpa, terminou de desabar..&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O amado está à porta. Uma força de dentro para fora o impede de abri-la. Ele insiste. É quando a força de dentro de faz maior e, levando-o de roldão, a noite jorra sobre o mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No interior do escuro, duas manchas luminosas resistem a ser possuídas, mas são a única luz do universo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-5235362376578414378?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/5235362376578414378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=5235362376578414378' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5235362376578414378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5235362376578414378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/03/luz-e-sombra.html' title='Luz e sombra'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R9q6lmobfDI/AAAAAAAAAFE/-HcQRcrC0F4/s72-c/Light+and+shadow.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8903170970483696878</id><published>2008-03-04T22:18:00.018-03:00</published><updated>2008-03-04T23:34:04.837-03:00</updated><title type='text'>Cada um por si</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R8387IPBtAI/AAAAAAAAAE8/lPunXhnPJpE/s1600-h/O+beijo+%28Klimt%29.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R8387IPBtAI/AAAAAAAAAE8/lPunXhnPJpE/s400/O+beijo+%28Klimt%29.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174069639671559170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;FOI ASSIM: anoiteceu exatamente quando ela, no sinal fechado, percebeu que o motorista do carro ao lado, distraído, mordia levemente o lábio inferior. Induzido por essa visão, o coração dela pulou uma batida. Foi nessa mudança involuntária de ritmo que o outro motorista reparou quando o sinal abriu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Tornaram-se cúmplices, num acordo feito de avenidas e olhares, enquanto atravessavam a cidade, até uma delicatessen. Ele pediu uma Coca-Cola e ela, um tímido sorvete de creme com crocante. [No jogo de sedução que se seguiu, não foi possível definir quem era assaltante, quem era vítima; quem era conquistador, quem, conquistado.]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Depois, alguém abriu uma porta e deixou que &lt;a href="http://www.ipernity.com/doc/40968/1539947"&gt;Marisa Monte&lt;/a&gt; se materializasse de algum lugar ao fundo e oferecesse a ela o mote para fugir:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;i style=""&gt;Eu não sou da sua rua,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu não sou o seu vizinho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Estou aqui de passagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Este mundo não é meu,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Este mundo não é seu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Mas ela não fugiu e, em resposta, quase rasgou com um pensamento qualquer o silêncio caudaloso que, então, se abateu sobre eles, sem saber que pensavam ambos as mesmas coisas, simultaneamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;E saíram juntos, abraçados com força, não era porque fosse a primeira hora deles juntos que se furtariam à libido. Muito pelo contrário. &lt;i style=""&gt;Estou aqui de passagem&lt;/i&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;É ASSIM:&lt;span style="font-variant: small-caps;"&gt; &lt;/span&gt;ele subtrai à pele dela a camiseta de algodão e, bolívar, liberta os seios arfantes de sua inexpugnável prisão de lingerie. Ela, serpêntica, enrosca-se nas coxas dele e o surpreende com quantas mãos inventa para tocá-lo. Ele, mal esteve aqui, em beijos abrasivos na planície dos ombros e da nuca, preparando o que haverá em pouco, e já reaparece em outro lugar, desbravando vertigens e regiões que ela ignorava desconhecer na própria anatomia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Mas. Porque o ar vai ficando irrespirável de tanto uso, é necessário que se abram sem interrupções cortinas portas janelas e, assim, separada do outro, ela retorna rapidamente à consciência e se recompõe. “Não foi para isso que vim”, pensa, sem muita convicção. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="line-height: 150%;" lang="EN-US"&gt;Este mundo não é meu&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" lang="EN-US" &gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Recortado, nu, contra um néon intermitente, ele também se recupera da presença dela e está mais calmo quando ela torna a aninhar-se em seus braços, sublinhando cada gesto com um olhar muito muito azul. “Pena”, pensam tristemente, hipnotizados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Os lábios dele beijam de leve o lobo da orelha dela e descem suavemente, sem pressa, até o pescoço delicado que lhes é oferecido. No espaço agora virtual entre os dois, o desejo acumulado de tempos em que ainda não se conheciam forma uma película oleosa, sobre a qual deslizam sons, gostos, cheiros, formas. “Pena mesmo”, repetem, cada um por si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;ANTES QUE um corte brusco de energia elétrica deixe o quarteirão inteiro às escuras, o néon ainda brilha tempo suficiente para ilustrar a surpresa de ambos quando os caninos afiados de um penetram furiosamente a jugular desprevenida do outro, em busca de alimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;__________&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A ilustração lá em cima, "O beijo", pra quem não sabe, foi pintada em óleo sobre tela, entre 1907 e 1908, por Gustav Klimt, um pintor austríaco. Se um dia perguntarem a vcs no Faustão, digam que, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;junto com Rembrandt (esse vcs vão perguntar ao oráculo quem é, se não souberem), &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;é o meu favorito.   &lt;a href="http://www.expo-klimt.com/1_3.cfm?id=872872960"&gt;Aqui  &lt;/a&gt;há uma centena de quadros do cara e uma penca de informações preciosas, ainda que básicas, mas... em inglês, sorry.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8903170970483696878?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8903170970483696878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8903170970483696878' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8903170970483696878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8903170970483696878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/03/cada-um-por-si.html' title='Cada um por si'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R8387IPBtAI/AAAAAAAAAE8/lPunXhnPJpE/s72-c/O+beijo+%28Klimt%29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6868425681882107066</id><published>2008-03-03T09:32:00.000-03:00</published><updated>2008-03-03T09:33:10.381-03:00</updated><title type='text'>Janela</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O corpo era muito longe. Tudo que podia fazer estava em fomentar-lhe ânsias de não estar preso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Zoom, aproximou a janela: um pássaro tentou um looping e, desarvorado, desabou o mundo de cabeça para baixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O âmbito carregou-se de um cheiro fétido, no silêncio que se seguiu. Ela decidiu que era chegada a hora da liberdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Diante do espelho do armário embutido, calçou as luvas de lã e disfarçou-se com uma alma nova, que havia guardado especialmente para uma ocasião como esta. Tanto tempo enclausurada e, no entanto — admirou-se —, nenhum cupim, nenhum roído, nada de memória.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Saiu de casa pensando animosamente nas coisas que a reencontrariam. Sorriria, caso a reconhecessem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;“Não”, disse para si mesma. “É cedo ainda. Sendo assim, devem estar todos dormindo.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Enganou-se, como durante sempre. No instante em que pisou a rua, re-parou na chuva. Amedrontada, voltou sobre seus próprios passos, para não se perder/denunciar, fechou a porta e esqueceu-se em definitivo de onde pôs a chave. Não queria mais sair. Queria raiz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O cheio fétido era de um enterro e persistia incrustado no ambiente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Súbito, feito uma evidência de traição, um raio de sol varou as copas dos edifícios em frente e sublinhou-lhe no olhar um rasgo de serena idade. Ela continou, ainda assim, radicada em seu canto, à espera de algo que a co/movesse, até que a tarde, abdicando da luz, abortou uma noite gélida, quase tátil, que permaneceu boiando no ar com sua lua e uma prole numerosa de estrelas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ela se levantou, enfastiada, e tomou banho. Esfregou-se com força, buscando arrancar da pele o cheiro do dia, até agora presente. Estarrecida com a resistência que encontrou, deixou-se ficar na banheira, enquanto a alma nova, esta sim, fina e emancipada, fugia pelo ralo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Quando se deu conta de que precisaria de outra alma, ainda sentia o Cheiro, mais forte. Impotente, enxugou-se com pressa e correu, nua, para a cama. O Cheiro a perseguiu. Trancou portas e janelas esperando detê-lo, mas ele já estava em todos os lugares, múltiplo e insistente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Uma mosca, em vôo cego, riscou na atmosfera arabescos incompreensíveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;O enterro passou dentro do quarto, as pessoas usando suas máscaras de não-caras e seus espíritos fúnebres.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Ela não se mexeu de seu lugar, enquanto se desenrolavam lágrimas de desespero dos não-olhos das carpideiras. Depois, caminhou até a janela, tornando a abri-la. A noite entrou numa lufada. Ela livrou-se da pele e, ignorando o cheiro que se desprendeu, arremessou-se para fora, tentando um looping.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6868425681882107066?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6868425681882107066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6868425681882107066' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6868425681882107066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6868425681882107066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/03/janela.html' title='Janela'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7109409374781423034</id><published>2008-03-01T13:23:00.006-03:00</published><updated>2008-03-01T15:49:22.070-03:00</updated><title type='text'>Casamento</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R8mE6DSTrUI/AAAAAAAAADY/n-7GzVh_Ovg/s1600-h/100_2293.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R8mE6DSTrUI/AAAAAAAAADY/n-7GzVh_Ovg/s320/100_2293.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172811779861097794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para Priscila, sempre&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;1.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para os teus olhares&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as impurezas deste homem&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para o teu corpo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as cicatrizes que ele traz?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para os teus sonhos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;a aspereza deste homem&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para as tuas boas lembranças,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as dores que ele provoca?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para os teus dias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;os ruídos deste homem&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para as tuas noites vazias,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;os gritos que ele te arranca?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para a tua simplicidade&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;a arrogância deste homem&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para as tuas delicadezas,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;os cheiros do asfalto nele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para a tua beleza&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;a estranheza deste homem&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para a tua sensualidade,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;a prepotência e a força dele?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Diz que sim e a paz te será negada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Mas não existe outra maneira de amar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;senão em guerra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Amor não é gelo, nem previsível&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;— não há uma estação do amor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Amor é simum,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;avalanche,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;pesadelo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;amor é ermo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;2.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para a tua imponência&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;a permanência desta mulher&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para as tuas muitas tristezas,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;os cristais dos risos dela?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para as tuas ausências&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;a espera desta mulher&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para o teu lado de ferro,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as asas que ela te dá?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para o teu ódio&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as luzes desta mulher&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para os teus dias de angústia,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;os mapas que te oferece?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas para o teu ranger&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;de dentes os beijos dela&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, até para o teu cansaço,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as almas desta mulher?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceitas pra o teu veneno&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as veias desta mulher&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;e, para os teus tempos de câncer,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;o abraço em que te protege?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Aceita, tua sapiência,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;as pistas desta mulher?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;E aceitas que onde ela esteja&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;é onde estar é melhor?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Diz que sim e tua guerra será negada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Existem, sim, outras maneiras de amor&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;que não em guerra.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Amar não é selo, nem imprevisível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;E toda estação, decerto, é estação de amar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Amar é brisa,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;planície,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;pensamento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;Amar é zelo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;— e não tem meio-termo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;28.2.2008 -  &lt;a href="http://www.ipernity.com/doc/40968/1515924"&gt;I'll shoot the moon&lt;/a&gt; (Tom Waits)&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7109409374781423034?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7109409374781423034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7109409374781423034' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7109409374781423034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7109409374781423034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2008/03/casamento.html' title='Casamento'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R8mE6DSTrUI/AAAAAAAAADY/n-7GzVh_Ovg/s72-c/100_2293.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-153857304618309391</id><published>2007-12-20T19:15:00.000-02:00</published><updated>2007-12-20T20:03:34.018-02:00</updated><title type='text'>Fééééééééériaaaaasssssss!!!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R2rflvecV6I/AAAAAAAAACw/9MFCSUo6JPA/s1600-h/71020274_3f80489119_b.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R2rflvecV6I/AAAAAAAAACw/9MFCSUo6JPA/s320/71020274_3f80489119_b.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146171363716519842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase dez anos sem férias, este escriba resolveu, a partir desta sexta, 21 de dezembro do ano da graça de 2007, desligar os motores e ir pra Barra Seca&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;*&lt;/span&gt;, adorar o sol e ajudar a aumentar o aquecimento global com uma churrasqueira ligada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;full-time&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que as conversas aqui tenham sido úteis ou, pelo menos interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ano que vem, depois do carnaval. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem for brasileiro que me siga. Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;*&lt;/span&gt; Barra Seca é o paraíso: não pega celular, não tem internet, a única televisão de um boteco na beira da estrada empoeirada serve de pedestal pra um jarro de rosas artificiais, o mar está cheio de sereias, e peixes e camarões saltam da água nas mãos da gente... Energia elétrica, acho que tem...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-153857304618309391?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/153857304618309391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=153857304618309391' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/153857304618309391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/153857304618309391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/12/friaaaaasssssss.html' title='Fééééééééériaaaaasssssss!!!'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R2rflvecV6I/AAAAAAAAACw/9MFCSUo6JPA/s72-c/71020274_3f80489119_b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1223043987835068680</id><published>2007-12-15T18:44:00.001-02:00</published><updated>2008-03-02T10:32:13.769-03:00</updated><title type='text'>Sugestões para a Ísis, às portas do VestUfes</title><content type='html'>Ísis, para bem interpretar qualquer coisa, é necessário primeiro conhecer os termos dessa coisa. Ou seja, antes de tentar ver o que há nas entrelinhas é preciso ver o que há nas linhas. Vc vai se surpreender. Por exemplo, em "Os fetos, as begônias", as chaves interpretativas estão notítulo: fetos e begônias. Palavras têm vários sentidos, às vezes simultâneos. Nesse caso, begônias são, obviamente, flores e fetos tanto podem significar embriões quanto... samambaias. Aí já se estabelecem duas relações tendo como centro o personagem que leva os fetos e os coloca no subterrâneo: uma, que fala de enterrar embriões, o que dá ao conto certa aura de terror; outra que fala de colocar samambaias junto com begônias, como alguém que cria um jardim particular longe dos olhares da mulher (ela não sabe, está dito aí em algum lugar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que o autor (este escriba que escreve neste momento - 18h55 de sábado, 15 - atabalhoadamente, num cybercafé em Mantena, apenas para te dar mais coisas em que pensar), pareece que ele pretendeu falar das coisas que mantemos escondidas. Problemas ou mentiras, frustrações ou rancores, dores ou invejas, nossos pequenos e grandes crimes cotidianos, sempre que essas coisas são jogadas debaixo do tapete ou escondidas nos porões, sempre que não temos coragem de mantê-las à tona, de dizer o que queremos, de expressar nossos sentimentos, essas coisas se acumulam, formam um lixo tóxico e uma hora, quando vc se esquece delas, quando menos espera, elas saem do escuro em que estavam e , como samambaias e begônias, partem em direção à luz, num espetáculo de fototropismo para o qual, na maioria das vezes, não estamos preparados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem mais coisas aí, Ísis, mas esse tempo do cybercafé está se esgotando (pasme, eles fecham às sete e já tem uma senhora quase me mandando embora), então, espero que algo aqui tenha sido útil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1223043987835068680?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1223043987835068680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1223043987835068680' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1223043987835068680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1223043987835068680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/12/sugestes-para-sis-s-portas-do-vestufes.html' title='Sugestões para a Ísis, às portas do VestUfes'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1276722917596163451</id><published>2007-12-15T18:36:00.000-02:00</published><updated>2007-12-15T18:43:57.891-02:00</updated><title type='text'>Os fetos, as begônias</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Os mortos vão bem, guardados na terra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Que os aquece e os mistérios lhes encerra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; font-variant: small-caps;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;— Paul Valéry&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Não eram pó, ao pó não tornariam. Eram carne, sangue, sexo de seu sexo, mesmo assim, munidos que estavam de a-feições, divinos divididos filhos do falho útero de Deus. Eternally.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Foram recusados sete vezes e sete vezes sete seriam ainda expulsos do convívio com a Divindade, antes de apreenderem por experiência própria que não eram tantos, mas um, que se desdobrava, de forma que achou melhor conservá-los à parte uns dos outros para que não se reunissem de novo e não se multiplicassem, fazendo com que a noite desça sobre o mundo, e se rasgue o véu do tempo, e não se veja mais o dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;O cheio acre a formaldeído, inundando o âmbito em que os deixava. Ficariam ali, no escuro, donos incontestes de seus quase gestos e de suas quase formas peculiares, transpirando seus desejos, ruminando suas limitações e seus ódios, mas cada qual à parte, patente em sua redoma de vidro e formol. Ele viria toda noite. Sabia acalantos vários e dispunha de notas suficientes para niná-los eternamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Eles não chorariam, tinha certeza, e não sentiriam fome, mas, até se sentissem, isso já estava previsto: comeriam os próprios estômagos, de maneira que o espaço que ocupavam não careceria jamais de amplidão, pois o que crescessem além do possível serviria para, amputado, alimentá-los. Eles concordariam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;A mulher não saberia de nada. Ela, além do mais, teria de compreender se soubesse. Mesmo porque, se fizessem tudo certo, não haveria pânico na vizinhança, nem explicações à polícia, nem jornalistas à porta. Nada poderia denunciar a existência dos fetos nos vidros de formol, porque suas raízes foram fixadas bem fundo. Os fetos não se incomodariam, certamente, de nunca mudarem de lugar. Melhor para eles, que permanecessem quietos nessa superfície escura do que se tivessem que disputar seu espaço na umidade do subsolo com as formigas e os escorpiões.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Pensando assim, ele cimentou a base dos vidros, para que vento algum os derrubasse (seria uma lástima ter embriões vagando pela casa, cobrando seu dasein, poderiam espantar as visitas) e se foi, fechando a porta, devagar, para não acordá-los, agora que descansavam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;E ele vinha, como prometera, todas as noites, por desencargo de consciência ou por amor. Até que, sem explicações, não veio mais. E todo movimento cessou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;Então, guiando-se por um raio de sol incrustado em algum lugar, eles se ergueram, todos juntos, romperam a entrada da vagina e irromperam no jardim, misturando-se, verdes, às begônias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1276722917596163451?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1276722917596163451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1276722917596163451' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1276722917596163451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1276722917596163451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/12/os-fetos-as-begnias.html' title='Os fetos, as begônias'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3909895268701575056</id><published>2007-12-09T14:32:00.001-02:00</published><updated>2007-12-09T14:34:08.684-02:00</updated><title type='text'>D. asm / Alice e a redação no VestUfes</title><content type='html'>Aqui embaixo, no post Pink &amp;amp; Floyd, a sra. asm (ou Alice,  ou Anônima), a (ex) tímida, escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu gosto de escrever, gosto de algumas coisas q escrevo, mas tenho dificuldade de falar em público, e tb de escrever com alguma pressao: tempo, tema q eu nao domine, e o principal, saber que estao avaliando o texto, fazendo um julgamento. Tenho certeza q na prova vou deixar muito a desejar por causa desses fatores, tb pq gosto de escrever mais poemas, coisas + subjetivas.&lt;br /&gt;O q vc acha q devo fazer nesse pouco tempo q tenho para amenizar esse problema, acho q muitas pessoas devem se sentir assim tb."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então... eu acho que vc já tem um bom e um péssimo começo, simultaneamente. O bom, claro, é gostar de escrever. Isso já faz de vc alguém para quem uma caneta é algo tão natural quanto sentir sede. O lado péssimo é que, por medo, vc já começa derrotada ("Tenho certeza q na prova vou deixar muito a desejar"). Daí que, a primeira coisa a fazer é relaxar, acreditar em vc, ter confiança nas suas qualidades e entrar no jogo pra ganhar. As redações da Ufes não são meramente subjetivas (mas subjetividade ajuda muito): antes, exigem dos candidatos uma série de habilidades e conhecimentos objetivos. Nesse ponto, o melhor a fazer é treinar a escrita sob pressão (marque um tempo e pratique sozinha ou com a ajuda de alguém, para controlar a ansiedade) e, principalmente, ler, ler muito (que, aliás, é o que todos deveriam &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ter feito durante o ano&lt;/span&gt;): quem lê muito &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pode não&lt;/span&gt; escrever, mas quem não lê, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;com certeza&lt;/span&gt; não escreve — por falta de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abre parênteses: meu filho, Frederico, teve aulas particulares com José Augusto Carvalho. Frederico era muito bom em gramática, sintaxe e ortografia. Um dia José Augusto me disse: "Seu filho escreve muito bem... sobre nada". Faltava conteúdo. A partir daí a gente intensificou as leituras dele e ele foi aprovado na UFMG. Fecha parênteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitura não é pesadelo de vestibulando. Enfiam isso na cabeça de vcs, mas é o contrário: ler é prazer diário. Na medida em que encontramos prazer no que fazemos, o que fazemos fiza bem melhor. A vcs, meninos e meninas da Ufes, aconselho que se habituem a ler pelo menos uma revista por semana. TODA SEMANA. O RESTO DA VIDA. Descontando os defeitos que todas têm, Veja, Época, Carta Capital, IstoÉ, são ótimas fontes de informação (quem souber inglês ou alemão pode tentar a Time e a Der Spiegel hehe). Além disso, o cuidado que dedicam à sintaxe, à gramática e à ortografia (sem contar o estilo de escrita) faz com que a gente aprenda essas coisas na prática, por osmose, sem ficar se estressando com todas aquelas nomenclaturas esquisitas. Das revistas em circulação por aí, a minha favorita é a Piauí, que aborda assuntos os mais díspares (de matéria com o vigia de um banheiro subterrâneo em Copacabana a uma discussão sobre a percepção da beleza — uma matéria fantástica com um dos maiores violinistas do mundo, Joshua Bell, tocando anônimo, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;com um Stradivari!&lt;/span&gt;, numa estação de metrô em Washington), de maneira inusitada e muito, muito, interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falo em leitura, falo em ler tudo que passar pela frente: anúncio de absorvente, placa de ônibus, bula de remédio... mas falo principalmente de livros, jornais e revistas. É com as idéias contidas neles que a gente alimenta a inteligência, a sensibilidade, o espírito. E é com isso que vcs farão a prova de redação (e outras) no VestUfes. O melhor, porém, é que, passado o vestibular, o que se leu permanece, faz parte de quem vc é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendo a leitura de TODOS os livros que a Ufes indica: é uma oportunidade para que se conheçam muitas novas idéias (ainda que ninguém seja obrigado a concordar com elas). Não acreditem que não há tempo para a leitura e que a leitura é rodapé do vestibular. Talvez sejam poucas as perguntas na prova, mas as perguntas que vcs se farão ao longo da vida certamente se multiplicarão. E podem apostar: é muito mais importante fazer perguntas do que dar respostas (se ninguém tivesse perguntado "Que fungo é esse?", hj não teríamos a penicilina). Por isso, meninos e meninas, e em especial vc, d. asm/Alice/Anônima: NÃO LEIAM RESUMINHOS, a menos que já tenham lido os livros. Resuminhos são inúteis para o vestibular, depõem contra a inteligência de vcs, diz que vcs são preguiçosos e incapazes de entender o que lêem (o resuminho "entende" pra vcs) e só servem para que, nesse caso sim, vcs percam tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar nisso, então, resumindo: leitura é fundamental para uma boa prova de redação, livros e revistas e jornais (apesar das más notícias) dão prazer para o resto da vida (ao contrários dessses BBBs) e praticar a escrita diariamente é a melhor forma de se livrar do stress e do medo para a prova. Afinal: nós somos o que fazemos cotidianamente. A excelência é um hábito, não um acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa sorte a todos nas discursivas (ah, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;jamais&lt;/span&gt;, mas jamais mesmo, deixem uma questão sem resposta: inventem, digam bobagem, mas não entreguem em branco. Melhor uma resposta tosca, nada-a-ver, do que uma em branco: essa é zero mesmo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bjs, d. asm-Alice-Anônima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3909895268701575056?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3909895268701575056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3909895268701575056' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3909895268701575056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3909895268701575056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/12/d-asm-alice-e-redao-no-vestufes.html' title='D. asm / Alice e a redação no VestUfes'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-5836296628592341103</id><published>2007-11-30T21:02:00.001-02:00</published><updated>2008-02-26T23:41:24.999-03:00</updated><title type='text'>Pink &amp; Floyd</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1CfOtDX_hI/AAAAAAAAACQ/eATfnGwq6AU/s1600-R/Pink+%26+Floyd+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1CfOtDX_hI/AAAAAAAAACQ/T_YSFtgF2Oo/s320/Pink+%26+Floyd+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138782249790471698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1Cfj9DX_iI/AAAAAAAAACY/RYPYakUB0Lc/s1600-R/Floyd.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1Cfj9DX_iI/AAAAAAAAACY/20pPtgD8_sg/s320/Floyd.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138782614862691874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1Cf7NDX_jI/AAAAAAAAACg/DGSQgML75qQ/s1600-R/Pink+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1Cf7NDX_jI/AAAAAAAAACg/NCEKWKn0RGo/s320/Pink+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138783014294650418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1CgQtDX_kI/AAAAAAAAACo/reRBDk1TIMc/s1600-R/Pink+%26+Floyd.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1CgQtDX_kI/AAAAAAAAACo/fEwxXUbQC5Q/s320/Pink+%26+Floyd.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138783383661837890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Só pra mudar de assunto: olhem só que gracinhas. Pink e Floyd. São dois capetas. Acabaram de destruir os fones de ouvido Philips com silicone da Pri; correm a casa toda; só querem saber de dormir atrás da geladeira ou na cama da minha mãe; tomaram posse da minha cadeira de rodinhas (cujo encosto já foi devidamente dilacerado pelas unhas deles); custam uma fortuna em ração, areinha química pra fazer xixi e cocô, vermífugo e vacina; mas são absolutamente lindos. Quando vieram pra cá, presentes do Luís e da Tatiane, há um mês + ou -, lembrei-me imediatamente do gato do Reinaldo Santos Neves, que chegou a Itaúnas e pensou que nem se vivesse mil anos ia conseguir cagar o suficiente pra usar aquele areal todo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putz! E repararam como o Floyd parece gato de desenho animado? Ou um &lt;a href="http://www.mingaudigital.com.br/article.php3?id_article=693"&gt;gremlin&lt;/a&gt;, sei lá (só que ele é bonzinho)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-5836296628592341103?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/5836296628592341103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=5836296628592341103' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5836296628592341103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/5836296628592341103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/pink-floyd.html' title='Pink &amp; Floyd'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/R1CfOtDX_hI/AAAAAAAAACQ/T_YSFtgF2Oo/s72-c/Pink+%26+Floyd+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7118294722492504874</id><published>2007-11-22T00:36:00.000-02:00</published><updated>2007-11-22T00:37:02.591-02:00</updated><title type='text'>Congresso de Letras</title><content type='html'>Aí, gente, tá rolando na Ufes, até o dia 23, o &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 0);"&gt;IX Congresso de Estudos Literários&lt;/span&gt;, mais uma superprodução do Programa de Pós-graduação em Letras (PPGL-MEL). Os encontros acontecem em vários locais da Ufes (Auditório do Centro de Artes – Cemuni IV, salas do IC-III e do prédio do Mestrado. Se clicar &lt;a href="http://www.ufes.br/%7Emlb/congresso.asp"&gt;aqui&lt;/a&gt;, vc ficará sabendo de toda a programação do evento. Ainda tem muita coisa rolando e muita pra rolar até a sexta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que dois congressos superimportantes (o Internacional de História e este de Letras) estejam ocorrendo simultaneamente, inviabilizando a presença de muitas pessoas, como este escriba, que gostariam de participar dos dois. Sugiro que, no futuro, os organizadores de congressos (de todas as áreas) na Ufes entrem em contato uns com os outros e tentem fazer uma programação não excludente. Isso, inclusive, manteria a Universidade na mídia o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• • •&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tava devendo este post ao Lucas. E mais o comentário ao belo livro dele. Em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7118294722492504874?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7118294722492504874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7118294722492504874' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7118294722492504874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7118294722492504874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/congresso-de-letras.html' title='Congresso de Letras'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-4506661270127801588</id><published>2007-11-15T23:12:00.000-02:00</published><updated>2007-11-15T23:21:32.088-02:00</updated><title type='text'>Livro novo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qD7CLepLvfI/RzzmJC8nhuI/AAAAAAAAAGc/e1kmN_Uspxs/s1600-h/Capa+MM.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qD7CLepLvfI/RzzmJC8nhuI/AAAAAAAAAGc/e1kmN_Uspxs/s320/Capa+MM.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133230718379853538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, depois de um tempão na gaveta, e atendendo a insistentes pressões, quer dizer, pedidos, do Gilvan, resolvi publicar a minha pesquisa de mestrado: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Império Romano e o Reino dos Céus&lt;/span&gt;, segundo volume da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Coleção Biblioteca Universitária&lt;/span&gt;, da Flor&amp;amp;cultura. Nesse livro eu analiso um discurso ("De laudibus Constantini") pronunciado no século IV por um bispo palestino (Eusébio de Cesaréia) no Jubileu dos trinta anos de governo do imperador romano Constantino, tido como o primeiro imperador cristão, o governante romano que não apenas acabou com as perseguições aos seguidores de Cristo como também restituiu-lhes a liberdade, promulgou leis favoráveis a eles e concedeu-lhes privilégios (isenção de impostos, por exemplo... é, essa sacanagem vem de 1.700 anos) e riquezas tais que, em pouco tempo, no espaço de uma geração, eles passaram de perseguidos a perseguidores e tornaram-se o alicerce moral, ético, intelectual e espiritual do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o barato desse discurso do Eusébio é que, mesmo sendo um discurso cristão (e grandinho: a versão moderna tem 80 páginas no formato 14 x 21. Imaginem aquele calor desgraçado do verão em Constantinopla, ano 316, sem ar condicionado, e um bispo lendo 80 páginas, em grego... e ai de quem saísse.), então, mesmo sendo um discurso cristão, ele não fala uma única vez sequer no nome de Cristo, em crucificação ou sacrifício, essas coisas tão caras aos cristãos. Por que um bispo, diante de um imperador cristão (de fato, porque de direito ele só se batizou na hora da morte) que governava quase por consenso, não fala em o nome de Jesus? As hipóteses são várias, respostas definitivas não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vc quiser saber mais, esteja lá, no coquetel de lançamento, na sede da Adufes, quarta que vem, 21, às 19h00. A Adufes é aquele prédio com frente de vidro ao lado da "penteadeira de bordel" (o prédio da FCAA), na Ufes. Quem quiser comprar, leva R$ 25, que este escriba quer ir a Paris de novo ano que vem. Quem não quiser, está convidado e será bem-vindo do mesmo jeito, que o mais importante é a conversa e o abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-4506661270127801588?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/4506661270127801588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=4506661270127801588' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4506661270127801588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/4506661270127801588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/livro-novo.html' title='Livro novo!'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qD7CLepLvfI/RzzmJC8nhuI/AAAAAAAAAGc/e1kmN_Uspxs/s72-c/Capa+MM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-837546429607872116</id><published>2007-11-15T23:07:00.001-02:00</published><updated>2007-11-15T23:07:41.393-02:00</updated><title type='text'>Congresso Internacional de História, na Ufes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_qD7CLepLvfI/RzzZiS8nhrI/AAAAAAAAAGI/OWrTQThLJxg/s1600-h/Congresso+Hist%C3%B3ria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_qD7CLepLvfI/RzzZiS8nhrI/AAAAAAAAAGI/OWrTQThLJxg/s400/Congresso+Hist%C3%B3ria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5133216858520389298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Outro troço imperdível. De 19 (segunda) a 22 (quinta) de novembro, alguns dos melhores historiadores brasileiros — tipo Gilvan Ventura da Silva, Adriana Campos, Manolo Florentino, Norma Musco Mendes, João Fragoso e Norberto Guarinello, entre outros —, mais os franceses Pascale Girard e Georges Lomné, estarão na Ufes para o &lt;a href="http://www.ufes.br/ppghis/simposio/"&gt;XVI Simpósio de História da Ufes / Congresso Internacional Ufes/Université de Paris-Est (Marne-la-Valée)&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso não for atração suficiente para vcs, saibam que este escriba &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vai estar lançando&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;livro novo&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Império Romano e o Reino dos Céus&lt;/span&gt;) lá, na sede da Adufes, às 19h00 de quarta, 21; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vai estar apresentando&lt;/span&gt;, às 14h00 de quinta, 22, no IC-3, uma comunicação coordenada pela Ana Gabrecht. Ponham-se a caminho, então, e a gente se vê lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-837546429607872116?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/837546429607872116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=837546429607872116' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/837546429607872116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/837546429607872116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/congresso-internacional-de-histria-na.html' title='Congresso Internacional de História, na Ufes'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qD7CLepLvfI/RzzZiS8nhrI/AAAAAAAAAGI/OWrTQThLJxg/s72-c/Congresso+Hist%C3%B3ria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3767408703025868568</id><published>2007-11-14T00:25:00.001-02:00</published><updated>2007-11-24T10:51:20.118-02:00</updated><title type='text'>A terceira realidade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Uma corrente de ar frio penetrou pela fresta da porta. Ela interrompeu momentaneamente o sonho agitado, encolheu com sensualidade as pernas e puxou as cobertas para a cabeça. Restos de uma sonata de Händel e de alguns improvisos de Schubert permanecem pelo espaço, emaranhados ao odor de jasmins e à respiração dela em ré menor, &lt;i style=""&gt;opus&lt;/i&gt; 125, para cravo e violinos. Materializados na atmosfera, corpos suados, de um passado ainda quente, teimam em não se perder na distância da memória. Um gato barítono, em tom degradée, era para sempre no cesto de revistas, aquecido entre as coxas belas das mulheres também que as povoavam, ilustrando-se de erotismo e beleza.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Parcialmente misturada à realidade, ela pensou como seria bom se chovesse e tornou a adormecer completamente. Pois choveu. Uma chuva brava, violenta, que, em sua ferocidade, arrastava casas, arrasava bairros inteiros, carregava pontes, ruas e avenidas, tornando de água o mundo todo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;As coisas emboloravam, mas ela vicejava em seu ambiente bucólico, os corpos oleosos de suor: ela, valsas, e ela, as mãos sempre buscando mais o que acariciar, famintas. Abraçavam-se, sorviam-se, mel na boca, o corpo retesado, ela ali, ela, enfim, os olhos e sua luz aluada, a outra ficava azul e já não eram distintas uma e outra, Schubert ao fundo, sustenido, suspensas as duas no ar, até que é hora de perder a qualidade de pluma, de descer pela escada de jasmins, de retornar ao chão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Ei-lo, então, o velho planeta e seus objetos molhados. Tocou-se, desperta, a ver de onde provinha toda a umidade em volta. Redescobriu a suavidade da pele. Abandonou-se, lasciva, ao próprio toque, excitada. Os seios arfavam. Não era ela em si se tocando, mas a outra, a que se fora. A que — ainda — estava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Os seios, homenagem de algum deus à estética, insistiam em seu descontrole. De súbito, ela se ergueu por alguns segundos, sustentada por gestos invisíveis, arqueou o corpo e, depois, deixou-se ficar, após um gemido mais prolongado, sobre o cetim das almofadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;O gato listrado também se movera de seu cesto de revistas. Por entre as samambaias, avistou-a, arfante, envolvida em sua dupla realidade, alheia a uma terceira, a que chovia e respingava, pela janela aberta, o tapete branco. A terceira realidade está se alastrando para dentro da casa, pensou o gato, acomodando-se perto da lareira. Ao mesmo tempo, gostaria de saber a quem creditar todo o líquido que invadia seu antes morno ambiente, se aos pesados cúmulos-nimbos, que escondiam com seus cristais de gelo o céu conhecido, ou se àquela mulher acetinada que parecia não se satisfazer com as mãos continuarem os braços, porque as experimentava em todas as partes vistas e não vistas do corpo, despreocupada em conter o rio viscoso que nascia em si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Quando, por fim, ela retornou de vez à cama e às almofadas, deu-se conta de como ficara estranho tudo. As coisas que entrevira em seu delírio apenas úmidas estavam na verdade encharcadas. Não as reconhecia agora, que eram como antes que ela as observasse de outro ângulo. Os objetos amorfos, fantasmas sem cheiro nem cor, que compunham suas sensações, de novo eram só restos e uniformes entregues aos seus limites, repletos de suas coerências, já que ela voltara. Não conseguia apreender o sentido de mudarem assim, radicalmente, abdicando de seu lirismo e de suas liberdades, resignando-se, passivas, ao tato e à forma. Qualquer hora dessas precisava ausentar-se novamente, romper a casca desse mundo plausível em que nada se permite além do previsto e do usual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Mas não. Não seria possível fugir outra vez: havia muito que elidir, muito que transpor, e ela já não tinha forças suficientes para isso, tanto se desgastara nessa última fuga. É preciso um tempo para permanecer, para também acomodar-se, e é agora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Diante dessa constatação, uma lágrima brilhante, límpida, abandonou seu esconderijo e percorreu em silêncio um caminho sinuoso, torto, pelo rosto dela até despencar sobre a alvura plácida do seio. Ela sentiu o contato cálido da lágrima no peito, mas não fez gesto algum. Apenas chorou mais, de dor, de impotência, e as lágrimas irmanaram-se à chuva, apagando a lareira, inundando por completo o lugar. Tudo se liquefazia rapidamente. O quarto, recém-nascido oceano, era impossível de não ser visto como tal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;O gato acordou bruscamente, assustado, semi-afogado, sob a água. Em seu desespero, emergiu junto a uma sinfonia de Haydn, que boiava como podia, misturando claves e bemóis, breves e semibreves, esbarrando em garrafas de vinho húngaro, agarrando-se a peças de roupa, que, imediatamente, afundavam e não voltavam à superfície.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Longe dali, outra mulher, tão bela quanto serena, descobriu-se só. Nada com que se ocupasse preenchia o vazio que a possuíra desde que, por medo, desistira de se emocionar. Agora, sentia falta da luz azulada que as envolvia quando se encontravam, da boca molhada, sedenta, do gosto particular de cada uma, do seu cheiro entranhado nela, que, no entanto, era de ambas, ilhadas em seus prazeres, ignoradas as imediações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;E esta hora, furtando-se a passar. Mas é necessário um pouco de fel. É preciso que sofram para que o seu amar-se seja mais que uma simples soma de duas. Pena que não possa ser evitado o vácuo que se formou, esse imenso vazio sem cor que a esmaga e que não imaginava tão pesado, este fardo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Pela vidraça, a chuva lava o mundo. A janela emoldura a paisagem na parede. A enxurrada carrega sentimentos distantes e os mistura ao barro que desce das montanhas e às folhas que caem das árvores. A solidão se tornou tátil, palpável, e suas mãos a tocam, buscando suprir-se de companhia, completar o puzzle de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Passou dias à janela, imersa metade em si, metade no vazio. Quando, ao seu lado preenchido — o que doía pela ausência do outro — um pássaro trinou toda a “An der Schönen, Blauen Donau”&lt;i style=""&gt;, &lt;/i&gt;regido por Karajan, saudando o sol que ressurgia, o mundo ainda estava úmido. Então, ela ajeitou os cabelos, preparando-se para continuar sua permanência, olhou-se no espelho, e não se viu, não se viu inteira. Faltavam-lhe partes: era apenas meio-rosto, meio-riso, meio-olhar. Como as pessoas reagiriam, abraçando metade corpo, metade falta? Como se faria entender, usando meias-palavras? Não. Também é necessário retroceder, mudar de idéia. Não poderia gastar o seu tempo inutilmente, dormir abraçada ao travesseiro inanimado, rude (quando seu corpo pede mãos, pele, movimento), só por determinismo, porque assim tem de ser. E se, além disso, ela fosse se gastando mais e mais até que desaparecesse por completo? Perderia, então, qualquer outra chance que pudesse ter, pois não há novas oportunidades para os condenados à solidão. Foi pensando assim que calçou as sandálias, perfumou-se, saiu, trancou a porta e jogou a chave fora — não ia voltar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;III&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Caminhava nua, mas ninguém reparava nela, não totalmente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;À medida que se aproximava de seu destino, uma sensação de angústia e excitação ia tomando conta dela. As coisas em volta, desfocadas, tomavam a forma que ela sabia tão bem. O mundo usual deixava de haver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Quando chegou, a casa estava fechada. Olhou pelos vãos da persiana e, pela primeira vez, não reconheceu o que não-via. O lodo esverdeara as paredes e mofara as cortinas. A um canto, desalinhada, imóvel, deixando entrever os seios insatisfeitos através das tramas da lingerie, ela vislumbrou a outra. O corpo muito branco ainda tinha as suas mãos impressas por toda parte, seus lábios ainda estavam marcados em carmim sobre a alvura da pele. Ficara eternizado na outra o que já (não) era seu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Então, ela forçou a porta até conseguir entrar. Mesmo ferindo as mãos, perfurou o silêncio quase intransponível do interior, que, vez em quando, desabava sobre ela. Algum tempo depois, cansada e ofegante, envolvia nos braços a amada, afastando-lhe as rêmoras e as algas, limpando-lhe o rosto, penteando-lhe os cabelos. E foi assim — beijando-a calorosamente — que se iludiu com que ela fosse levantar-se e falar de amor, como antes. Mas ela não se levantou e não falou de nada. Permaneceu fria, estática, sem armas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Nesse instante, tudo perdeu o que ainda tinha de voz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;IV&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Uma sonata de Beethoven desprendeu-se do teto, escorreu mansamente pela parede e, escavando o silêncio, tingiu-as de luz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3767408703025868568?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3767408703025868568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3767408703025868568' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3767408703025868568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3767408703025868568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/terceira-realidade.html' title='A terceira realidade'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7311050494660013857</id><published>2007-11-11T11:39:00.000-02:00</published><updated>2007-11-11T11:51:57.594-02:00</updated><title type='text'>Último Café do ano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/RzcGUjfumbI/AAAAAAAAACI/1PX4GRaze1Y/s1600-h/Caf%C3%A9+Sesc.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/RzcGUjfumbI/AAAAAAAAACI/1PX4GRaze1Y/s320/Caf%C3%A9+Sesc.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5131577250607438258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Terça próxima, 13 de novembro, 19 horas. Nem sob ameaça de guerra nuclear percam o último &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Café Literário&lt;/span&gt; que o Sesc promove em 2007. Ninguém menos que &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Reinaldo Santos Neves&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Fernando Achiamé&lt;/span&gt;, com mediação deste belo (é, tem gente que acha) escriba que vos fala, vai estar lá, no palco no Centro Cultural Majestic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A humildade deveria me impedir de dizer que é imperdível. Deveria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7311050494660013857?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7311050494660013857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7311050494660013857' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7311050494660013857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7311050494660013857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/ltimo-caf-do-ano.html' title='Último Café do ano'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/RzcGUjfumbI/AAAAAAAAACI/1PX4GRaze1Y/s72-c/Caf%C3%A9+Sesc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-2945167172565137503</id><published>2007-11-08T02:52:00.000-02:00</published><updated>2007-11-08T03:00:02.155-02:00</updated><title type='text'>Resposta para a Paula Fiorotti 1</title><content type='html'>A Paula Fiorotti, que tem um blog cor de rosa ali na esquina (&lt;a href="http://poesiaeexpressao.blogspot.com/"&gt;http://poesiaeexpressao.blogspot.com/&lt;/a&gt;), escreveu há um tempão, sem espaço entre a pontuação e a letra seguinte (uma característica muito interessante), como se assim pudesse economizar tempo para pôr mais coisas na tela, o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;"Olá Miguel,&lt;br /&gt;Tudo bem?Gostaria apenas de fazer uma breve análise de seu livro "Os mortos estão no living" com o intuito de saber o porquê dessa temática.Sua obra explora a morte,que é um assunto polêmico,pois nada se sabe sobre ela,ou quando se sabe,é omitido.Você escolheu abordar esse assunto por ele ser encarado na sociedade atual como algo enigmático e misterioso?Porque somente quem leu seu livro, sabe o quanto isso é verdadeiro e presente nos seus contos.São belas narrativas carregadas de aliterações e sinestesias e dentro de tudo isso,percebemos(nós,leitores) que a morte é sim,uma forma de descrever diversos eventos que não se fundem,como é a proposta do seu livro.São textos independentes,sem personificação e você ainda consegue,maravilhosamente bem,concretizar algo tão abstrato em nossas mentes,alguns devaneios,certas loucuras,diria assim.Em se tratanto de tanta peculiaridade,foi esse "mistério" ao redor da morte que o fez escrever o livro?Interesso-me em saber porque, é fascinante o modo com o qual não moralizou sua obra,mesmo tendo uma temática tão pouco "bem explorada".Ainda curiosa,gostaria de saber se o termo "living" seria a justificativa para mostrar que os mortos estão em nosso meio,por toda a parte,sempre presentes?Um abraço."&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;• • • Vai daí que:&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Paula, pra começo de conversa, discordo um pouco de vc quanto a achar que a morte é uma temática “tão pouco ‘bem explorada’”. Acho que a morte é um dos temas mais recorrentes da vida – e aqui incluo a Bíblia, Shakespeare, Dante, Woody Allen, Rembrandt, Verdi... enfim, parece que todo mundo já escreveu, pintou, compôs ou deu algum pitaco sobre a morte (veja, entre outros, um filme chamado &lt;i style=""&gt;Os últimos passos de um homem&lt;/i&gt;). O chato é que, sobre esse assunto, todo mundo tem razão, uma vez que, da morte, a única certeza é que ela chega, mais cedo ou mais tarde (no meu caso, quanto mais tarde melhor).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em &lt;i style=""&gt;Os mortos estão no living&lt;/i&gt; (acho que já disse isso em algum lugar neste blog), eu não moralizo nem trato o tema da morte como algo enigmático, porque acho a morte muito simples: num dado momento, os processos que mantêm seu corpo funcionando param e vc já era. Até onde sabemos, nenhuma outra espécie pensa sobre a finitude da existência. Nosso problema é exatamente este: tentar entender que não vamos durar para sempre e aceitar que a maioria de nós, daqui a cem anos, se tanto, estará absolutamente morta e esquecida. Nós não conseguimos, me parece, lidar com&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a idéia de um mundo sem a nossa presença.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[&lt;i style=""&gt;Continuo depois. São 2h50 de quinta-feira e Morfeu acaba de me dar um abraço. Impossível não aceitar.&lt;/i&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-2945167172565137503?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/2945167172565137503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=2945167172565137503' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2945167172565137503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2945167172565137503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/resposta-para-paula-fiorotti-1.html' title='Resposta para a Paula Fiorotti 1'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1696672140668142080</id><published>2007-11-08T02:33:00.000-02:00</published><updated>2007-11-08T02:35:14.391-02:00</updated><title type='text'>Quatro assassinatos (quase) sem motivos</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;1. Tinha um leve defeito verde no olho anil. Desanimado pelo ar frio e impassível da manha, espremeu o passo e desapareceu numa viela mal disfarçada no sem-cor da paisagem. Edifícios brotaram subitamente de uma lacuna qualquer em direção ao céu que se descortinava. Não obstante o belo espetáculo de fototropismo, ele continuou julgando o ambiente enfadonho, quando tomou o elevador. Já no apartamento, abriu a janela da sala e, observando os néons em estado de desaparecimento, enforcou-se com os fios do toca-discos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;2. O sol fugiu por uma fresta do horizonte e incendiou os cabelos da mulher parada diante da indecisão de ficar mais um pouco ou ir dormir. O homem passou por ela e deixou no ar possibilidades tardias de sexo. Seguiu-o, a madrugada ainda estava prenhe de intenções. Não falaram nada, nem era preciso. Mas, apenas entraram no quarto minúsculo de um hotelzinho da periferia, ele a matou. Em seguida, violentou-a, limpou a consciência na toalha imunda do banheiro idem, trancou a porta e nunca mais foi visto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;3. A lágrima surgiu, espessa, junto com a claridade matutina. A noite havia sido de ouvir estrelas distantes com olhos de astrônomo e de tentar contato com astronautas extra-humanos, uma fuga. Fracassara de novo, por isso, frustrado, devolveu a imaginação ao seu lugar no bolso do pijama, dando, enfim, pelo cansaço. No banheiro, mijou toda sua ruína interior na pia. Foi quando a mulher logrou libertar-se de seu sono milenar e perguntou-lhe as horas com voz e gestos de múmia. Respondeu qualquer coisa intangível ao raciocínio, enfiou a cara na privada e vomitou. A mulher levantou-se pensando com o estômago, implorou ao espelho que a recompusesse para o dia em gestação e nunca soube explicar por que foi assassinada pelo marido. Então, ele a deixou caída no tapete e voltou para o vômito interrompido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;4. Etc.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1696672140668142080?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1696672140668142080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1696672140668142080' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1696672140668142080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1696672140668142080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/quatro-assassinatos-quase-sem-motivos.html' title='Quatro assassinatos (quase) sem motivos'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7452198492953932425</id><published>2007-11-08T02:06:00.001-02:00</published><updated>2007-11-08T02:09:07.187-02:00</updated><title type='text'>A resposta grandona para a Naiara</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Meio escondida lá em “O domínio”, a Naiara escreveu: “Sou uma "fã" desse livro, já que ao lê-lo, minha imaginação foi despertada de um sono mto profundo...&lt;br /&gt;É dificil, dentre os 31 contos, escolher o meu preferido. Porém, acho que o meu preferido é esse: O Domínio.Todas as vezes que estou dentro de um ônibus e vejo alguém tirando um cochilo, eu me recordo do conto e começo a lembrar de cada pedacinho do conto...e isso é um relaxamento e tanto!&lt;br /&gt;Mas...ao ler esse conto, fiquei com uma dúvida na minha cabecinha... Vc termina (ou nem termina!)o conto com um "que":"ninguém acredita que"&lt;br /&gt;Isso me deixou mto curiosa...e não só a mim, como a mtos amigos que tbm se fascinaram com o seu livro.&lt;br /&gt;Agora me responda Marvila: O que vc qria com isso? Qual foi o seu objetivo com esse "que"?&lt;br /&gt;Parabéns pela obra!”&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então... aí eu respondi um monte de coisas e o &lt;i style=""&gt;Blogger&lt;/i&gt; deu pau e perdi tudo. Só agora, depois de enrolar um tempão é que pude voltar aqui, pra cumprir minha promessa de dizer algo a respeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;• • •&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;É o seguinte, Naiara: vc nunca se pegou caindo no sono no meio de um pensamento? Pois é: a mulher está ali, ao lado do narrador (o narrador é quem, a duras penas, tem a palavra), e ele, encantado... Até que pára de resistir a ela e se entrega, antes de completar a frase (o sono aí é, talvez, uma metáfora para certas paixões que tomam conta da gente quando a gente está mais distraído). O Drummond, num poema maravilhoso (um dos meus favoritos, aliás), “Caso pluvioso”, fala dessa mesma paixão avassaladora e incontrolável:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;A chuva me irritava, até que um dia,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;descobri que maria é que chovia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;A chuva era maria, e cada pingo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;de maria ensopava o meu domingo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;E por aí vai. Ela aumenta de volume, chove sem parar, obrigando o poeta a criar neologismos para sintetizar o que sente (“chuvadeira Maria, chuvadonha, / chuvinhenta, chuvil, pluvimedonha”) e engolfando o mundo todo. Até que, ao final, “anti-petendam cânticos”, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Os navios soçobram. Continentes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;já submergem com todos os viventes,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;e maria chovendo. Eis que a essa altura,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;delida e fluida a humana enfibratura,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;e a Terra não sofrendo tal chuvência,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;comoveu-se a Divina Providência,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;e Deus, piedoso e enérgico, bradou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Não chove mais, maria! — e ela parou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Acho que escrevi “O domínio” sob a influência dessa idéia de paixão: algo tão avassalador e indomável que sai levando tudo de roldão. Pelo menos essa me parece a paixão que vale a pena. Aquela em que a gente “mergulha de cabeça torcendo para o fundo não chegar”, como diz o Selton Mello para a Débora Fallabela, em &lt;i style=""&gt;Lisbela e o prisioneiro&lt;/i&gt; (parabéns pra quem viu). Parece, infelizmente, que já não se fazem paixões assim, tudo tem de ser justificado, pesado, medido, raciocinado... mas o bom é quando nos deixamos levar, não fazemos perguntas, não queremos saber por quê... O bom é quando a gente ou percebe de súbito que “maria é que chovia” ou adormece antes de saber o que estava para pensar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7452198492953932425?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7452198492953932425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7452198492953932425' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7452198492953932425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7452198492953932425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/resposta-para-naiara.html' title='A resposta grandona para a Naiara'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6012384381647026744</id><published>2007-11-08T01:30:00.000-02:00</published><updated>2007-11-08T01:42:00.312-02:00</updated><title type='text'>Para Mary Kiedis</title><content type='html'>Lá em "Casamento", a Mary Kiedis diz: "Posso estar enganada, mas o provavel é que o vest ufes cobre uma análise geral dos contos, algo sobre o estilo de narração, etc." e fulmina: "o que você acha?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menina, eu achar alguma coisa não vai adiantar muito pra vc, porque vá a gente saber o que passa na cabeça da banca de Literatura do VestUfes. Uns três anos atrás, pra vc ter uma idéia, caiu um poema meu ("Químicas") no vestibular. Fizeram quatro questões com ele: três de Literatura e uma de... Química. Acertei a de Química e mais duas, hehe... Portanto, não sou fonte muito confiável nesse quesito. Mas vc diz que leu o livro. Creio que isso baste para vc dar conta de uma prova — mas espero que tenha ajudado vc a se interessar mais ainda por Literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa sorte, moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Mary, já ia esquecendo de dizer: vc foi a primeira pessoa que percebeu — e comentou sobre — o "clima psicodélico do livro". Eu achava que ninguém havia se tocado com isso. E é uma característica importante do livro, junto com o clima de farsa, o niilismo, a sensualidade (às vezes meio bruta), o romantismo, o realismo fantástico, o erotismo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6012384381647026744?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6012384381647026744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6012384381647026744' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6012384381647026744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6012384381647026744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/11/para-mary-kiedis.html' title='Para Mary Kiedis'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3104859582568233705</id><published>2007-10-13T17:22:00.000-03:00</published><updated>2007-10-13T17:32:25.662-03:00</updated><title type='text'>Aviso aos navegantes</title><content type='html'>1) O Blogger não permite editoração fora dos padrões que, por alguma razão, ele acha únicos. Assim, certos recursos literários que a gente utiliza para criar alguns "efeitos especiais", na verdade, acabam dando a impressão de que a gente é idiota. Exemplo: no sétimo parágrafo, a palavra "transparente" vai se tornando transparente, pelo desaparecimento gradual dos fonemas, até existir apenas o espaço em branco entre as vírgulas... O PageMaker e até o Word (o Word!) fazem isso com um pé nas costas. Agora vejam o que o Blogger fez. Dêem um desconto pra essa porqueira aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Eu só vou fazer comentário agora a partir de perguntas e comentários de vcs. Senão fica parecendo leitura dirigida. Se vcs não perguntarem ou comentarem nada, eu fico aqui, quieto no meu canto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3104859582568233705?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3104859582568233705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3104859582568233705' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3104859582568233705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3104859582568233705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/10/aviso-aos-navegantes.html' title='Aviso aos navegantes'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7659757016973237135</id><published>2007-10-13T17:13:00.000-03:00</published><updated>2007-10-13T17:22:24.209-03:00</updated><title type='text'>Nessa noite, o trem atrasou</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Todas as noites, o trem passava, desesperado, gritando as onze horas, e eu estava à janela, pensando devagar para não acordar os fantasmas da casa. Eva, absorta e tênue, acomodava-se melhor no sofá a cada vagão, até adormecer. O matraquear constante do relógio impregnava nas paredes nuanças de senilidade, uma senilidade branca, lustrosa, como nosso pasmo cotidiano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Quando o trem findava de passar, era meia-noite e o seu desespero, como sempre, acabava fazendo parte de nossa própria fisionomia. Então, Eva se levantava, arrastando pesadamente os sonhos, deixava que uma lágrima, talvez de desejos não satisfeitos, talvez de premonição, lhe quebrasse a inércia do rosto e ia dormir no quarto dos fantasmas, sem dizer palavra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Fora assim desde o princípio, mas, certa noite, percebi que alguma coisa pesada iria desabar sobre nós, porque o trem atrasou. O silêncio das onze horas, onde haveria seu grito inaugural, não-soou como uma explosão. Eva mexeu-se, inquieta e lúcida, no sofá, buscando uma posição que, pela primeira vez, nunca mais encontrou. Acabou ficando mesmo na vertical, murcha, o tempo enjaulado nela rastejando, pegajoso, sobre seu corpo, enquanto a lua deixava transparecer sua lividez sem ser interrompida pelos vagões do trem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Eu estava entregue ao meu hábito de ficar à janela, mas podia sentir que algo havia mudado. Sabia que Eva, mais que qualquer um, agora fazia parte do relógio, integrando-se ao limbo das paredes. Do mesmo modo, sem precisar vê-la, eu não precisava ouvi-los para saber que conversavam como velhos amigos, ela e os fantasmas. Eles também haviam notado a diferença ocasional do silêncio e desceram para se convencer de que, de fato, existíamos e co-habitávamos pacificamente a casa que pertencera aos seus ancestrais desde idos tão remotos que mesmo a memória infalível dos fantasmas hesitava em afirmá-los categoricamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Durante toda a vida, eles tinham-se abstido da sala, limitando seus movimentos ao pretérito dos quartos e do sótão, mantidos lá por sua determinação de não misturar duas épocas distintas, a deles e a nossa, a fim de que pudessem ser preservados intactos os pensamentos e as emoções peculiares de cada geração que ocupasse a casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Nessa noite particular, porém, não havia um tempo definido, já que o trem atrasou, e fazíamos todos parte de uma mesma era, sem delimitações. Foi assim que eles se aventuraram ao desconhecido da nossa atmosfera e, grudando suas ventosas no corpo de Eva, ofereceram-lhe compulsoriamente um outro nível de vínculo com a realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;As coisas conhecidas, assim, ficaram diferentes, permanecendo iguais. Em determinado instante, notei que o relógio morrera completamente, embora ressuscitasse de imediato. Foi muito rápido, esse lapso temporal, mas, na pequena fração de segundo durante a qual a vida ficou latente, Eva se levantou, os fantasmas em volta, feito crianças na hora do recreio, e sobrevoou a sala (não continuava murcha. Pelo contrário, brilhava muito e parecia feliz como nunca), até que foi se tornando transparente, tr&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;ns&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;ar&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;nt&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;, t&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;n&lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;a  &lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;n&lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;, t                                   &lt;span style=""&gt;                     &lt;/span&gt;, , e obrigou minhas retinas a abdicar de sua presença. Eu já não me espantava com nada, como se previamente advertido desses acontecimentos inusitados (porque, nessa noite, o trem atrasou). No entanto, tomou-me uma profunda sensatez de medo. O ambiente se tornara tão sutil sem a presença de Eva que ficou difícil encontrar os objetos em seus lugares. Quase podia enxergar-se o silêncio palpitante de cada coisa. Era isso que me assustava. Eu não estava preparado para conviver sem companhia humana com fosse lá o que fosse tão gigantesco e inabalável em suas possibilidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Nervosamente, comecei a rabiscar a quietude com uma canção antiga, mesmo sabendo que não ia conquistar o vazio, e Eva foi reaparecendo no sofá, impávida, de novo enrugada, como se nunca tivesse saído de lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Se pudesse prever o instante em que ela cairia do sofá, talvez eu pudesse também ter evitado o terror que se seguiu. Mas não. Distraído, com meu assombro interior, não fui capaz de perceber a real extensão do fato de sua cabeça haver-se partido de encontro ao soalho, a não ser muito depois, quando o veneno dos escorpiões começou a circular pelo meu sangue e tudo foi ficando escuro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Eva estava, indiferente, jogada no chão, e já não tinha lábios, nem olhar, nem nariz, porque os aracnídeos que abandonavam às dezenas seu crânio rachado haviam devorado quase toda a sua carne e ela, agora, era só ossos, exceto pelo sexo, que eles desfiavam laboriosamente, fibra por fibra, como se toda a vida tivessem sido treinados para isso, para decompor seus átomos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Pouco depois, numa nuvem negra, eles destruíam os móveis (alguns chegavam a brigar com suas próprias imagens nos espelhos pela ocupação do mesmo espaço) e, caminhando sobre a substância da minha aflição, escalavam meu corpo e me atacavam, vorazes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;A essa altura, inerme, eu suava tanto que alguns deles escorregavam pela minha pele. Mesmo assim, não desistiam de cravar-me seus aguilhões, disputando, cada vez mais ferozes, todo centímetro, toda glândula de um mim que já nem ouvia a dor e apenas fechava os olhos e deixava me arrancarem os pedaços, me levarem sabe Deus para onde.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;De repente, não havia nem a sala, nem Eva, nem medo, nem Deus, nem nada, só os escorpiões. E eu queria que acabassem rápido com aquilo. (Mais e mais escuro, o planeta só fazia compactuar com o que acontecia.) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Um escorpião, pacientemente estacionado sob o meu nariz, aguardando uma melhor oportunidade para o ataque, percebeu quando, em minha agonia, abri um olho, pronto a me julgar morto, e, presto, cravou-me seu ferrão risonho através da córnea, até atingir-me o cérebro, amalgamando-se aos meus pensamentos embaciados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Simultaneamente a outros escorpiões que penetraram por entre minhas costelas e devoravam meu coração, tornei a ouvir o trem. Talvez fosse muito tarde, mas clamei por Ele, meu último recurso, com o que me restava de forças. Éramos, eu sabia, os dois, os desesperados. Apesar disso, ele partiu em minha auto-defesa, gritando cada vez mais alto, mais Alto, mais ALto, mais ALTo, interrompendo a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;l&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;u&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;a epaços regulares dos vagões, e gritando tão ALTO que espantou os escorpiões, suplantou a morte e tudo foi acontecendo ao contrário. Como um filme exibido de trás para diante, eles foram retrocedendo, assustados, devolvendo o corpo de Eva, até que voltaram para a cabeça dela, e ela, à sua posição inicial no sofá. O trem terminou de passar. A normalidade vítrea de sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Mas, em algum não-movimento irretorquível, o trem se atrasara, isso era consumado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Na noite do dia que se seguiu, quando esses fatos, diluídos pela isenção com que os analisamos à distância, assemelhavam-se a não mais que um pesadelo conjunto, Eva, sem dar sequer mostras de parecer lembrar-se do que houve, aninhou-se em mim, carente de afeição e sexo, e, beijando-me avidamente, como em tempos irretornáveis sem a proteção segura da memória, tragou-me para dentro de si.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Nesse momento, o macho aprisionado em suas entranhas, a pele lubrificada pelo prazer retomado, ela permitiu-se um sorriso, que ilustrou o quarto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Então, através dos seus dentes muito brancos, um escorpião assomou a cabeça, negro, e sorriu também.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7659757016973237135?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7659757016973237135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7659757016973237135' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7659757016973237135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7659757016973237135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/10/nessa-noite-o-trem-atrasou.html' title='Nessa noite, o trem atrasou'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-2263325100975936169</id><published>2007-09-29T16:43:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T16:48:55.821-03:00</updated><title type='text'>O domínio</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;No ônibus, a mulher dormia, linda, ilhada, alheia às cercanias. Tinha um sono tão pesado que obrigava o veículo a se arrastar morosamente pelas ruas esburacadas. A cada solavanco, o sono dela ficava mais denso, embaçando os vidros das janelas, misturando-se às nossas respirações difíceis, atrapalhando nossos movimentos, como um anestésico. Aos poucos, a letargia era tanta que perdíamos a noção das coisas e o próprio motorista abandonou à sorte a direção do ônibus, atropelando, sem qualquer ressentimento, os pedestres distraídos e os cães vadios, subindo pelas calçadas, invadindo as lojas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Na cadeira ao lado, eu tentava resistir ao torpor que insistia em que meu corpo não se movesse. Ela estava muito próxima de mim para eu não notar, com admiração crescente, a textura serena que lhe fugia da pele, em contraste com o sono pegajoso que emitia. Seu vestido, ventreaberto, permitia à evidência um seio límpido, belo, suave, deixando por instantes a prisão da lingerie ao ritmo compassado da respiração, isento de vícios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Senti-me tentado a tocá-la. Com esforço, levei minha mão até sua perna e a deixei pousada ali, sem tentar qualquer outro gesto, por medo ou por cansaço, não sei. Ela escorregou a cabeça até o meu ombro e uma nuvem soporífera mais forte escapou de seus pulmões e me envolveu, mas, nesse instante, quando eu já sucumbia ao sono, o ônibus sacolejou ao derrubar um hidrante e isso foi suficiente para que eu me recompusesse, assustado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Os demais passageiros já estavam totalmente dominados, fixos nas posições que puderam preservar para si, já que o sono ocupava todos os outros espaços enquanto aumentava de intensidade, adquirindo autonomia, de forma que, em pouco tempo, o ônibus havia parado, incapaz de transportar sem ajuda sua carga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Minha mão, séculos depois, por vontade própria ou puro reflexo, abandonou a inércia e atreveu-se a outro movimento, aconchegando-se entre as pernas da mulher. A maciez que encontrou e a diferença de temperatura fizeram-me reagir e empurrar a cabeça dela para longe do meu ombro, juntamente com a nuvem soporífera que me sufocava. Percebendo que já não estava tão imerso quanto os outros em seu sono — e eu era o único —, pude ampliar minha ação e alcançar seu seio desprotegido. Toquei-o levemente, temendo que se desfizesse em miragem, mas ele resistiu ao meu contato e ofereceu-se mais. Deixei-me, então, seguir o caminho do corpo dela, admirando cada milímetro de pele que descobria, abrindo novas possibilidades, trilhando cada detalhe, indiferente a Morfeu, dono de todos que não eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;Lânguida, ainda entorpecida, ela ajeita com sensualidade os cabelos dourados, espalhando um pouco da luminosidade escondida sob eles pelo ambiente pastoso, e fecha o vestido, prendendo em si minha mão pousada sobre o seio. Talvez por não ser um objeto qualquer, mas a mão que acaricia e que solda pele e pele, o que tem junto ao peito, ela concede em abrir ligeiramente os olhos, gesto bastante para esclarecer os objetos existentes e os latentes com sua luz acobreada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:100%;" &gt;O ônibus havia parado bem no centro da cidade. Por sobre a nossa dormência, distingui o barulho do trânsito e das pessoas irritadas querendo chegar mais cedo a casa. Era um fim de tarde multígrado. O sol agonizante fortalecia as perspectivas modernas dos edifícios e projetava sombras elípticas sobre o asfalto. Um motor engasgou e morreu. Um homem teve um infarto, outro deixou cair o livro de Fernando Pessoa que lia e adormeceu, encostado a uma banca de jornais. Devagar, a cidade foi parando, até que todos dormiam a sono solto onde e como podiam. Não consegui evitar um bocejo. Ao meu lado, a mulher linda, atenta às cercanias, aproveitou-se desse descuido e me possuiu de vez, com um beijo melífluo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os semáforos tentam inutilmente controlar o caos. Há nuvens, ninguém telefona, ninguém observa o luar incipiente, ninguém acredita que&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="line-height: 150%;font-size:12;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-2263325100975936169?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/2263325100975936169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=2263325100975936169' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2263325100975936169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2263325100975936169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/09/o-domnio.html' title='O domínio'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8239816999776378007</id><published>2007-09-29T16:29:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T16:47:06.726-03:00</updated><title type='text'>Resposta para o Guilherme Daher, parte II</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A questão do tempo em "Dies irae", creio dizer respeito ao distanciamento entre um Lázaro ingrato e um Cristo simultaneamente humano e divino (ou pretensamente divino). Lázaro portar o momento sob a axila é reflexo imediato do tempo que ele vive. É Natal. No Natal, as pessoas andam apressadas, muitas vezes com presentes debaixo do braço. O trocadilho foi inevitável: “Era Natal. Portanto enfiou o presente debaixo do braço [...]”, presente tanto representando qualquer coisa que se dá ou concede a alguém, inclusive dádivas e dons, segundo o Houaiss, quanto o instante atual. Lázaro fugiu &lt;b style=""&gt;com&lt;/b&gt; o tempo (o que pode ser interpretado como a reprodução ad infinitum de características desabonadoras da humanidade, tais como a ingratidão), fugiu com a única coisa de que Cristo talvez precisasse, e, quando este o encontra, ele não sabe explicar nem o que fez nem o que estava fazendo em um tempo que não era o seu. Não era? Ao longo da história, quantos Lázaros não existiram? Quem de nós pode jogar a primeira pedra?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Cristo está furioso. Na verdade, essa é uma característica das mais humanas em um Deus que se faz homem. Não apenas a substância carne de que é composto, mas o espírito humano é que o caracteriza — e engrandece. Cristo fica furioso com os vendilhões do Templo, lembram-se?, e os expulsa a chicotadas. Cristo ficaria, sim, furioso, ao reencontrar aquele a quem salvara e de quem, em vão, necessitara. A Bíblia não diz nada disso (exceto a surra nos vendilhões), mas nós podemos imaginar tudo isso. Então, podemos imaginar tb que, quando Cristo surra Lázaro até a morte (tomando, por fim, a vida que lhe devolvera), o povo imagine que ele apenas está fazendo o que qualquer um faria, punindo um infrator, restabelecendo a ordem (uma ordem) das coisas. Já não nos cansamos de achar que a polícia ou qualquer um que represente a autoridade policial, por exemplo, tem, sim, de agir com violência, de eliminar o marginal? Vingança executada, portanto, sob aplausos do povo, Cristo pode, enfim, sentir-se Deus e subir aos céus.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Ou não?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;• • •&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;PS: O conto faz uma descrição naturalista de Cristo: sujeira, barba por fazer, piolhos, carrapatos. Parece-me muito mais justo imaginar que, em uma região de negróides, como a Galiléia, não existiria um Cristo como o pintou o imaginário medieval europeu: branco, de olhos claros, limpo etalvez cheirosinho. Cristo não era humano? Então. O lugar não tem água e, pra piorar, é tremendamente empoeirado: o deserto está ali, à porta. Na época do Império Romano, banho se tomava muito raramente: nossos modernos ideais de assepsia não eram sequer sonhados. Então, a figura de Cristo — ou a de qualquer pessoa — tem necessariamente de levar em conta o ambiente e o comportamento da época. Eu me arrepio imaginando, principalmente, o cheiro das pessoas (tenho horror a gente fedorenta). Devia ser complicado até pra transar... Talvez por isso não houvesse explosão demográfica. Tenho uma teoria: a população começou a crescer depois da invenção do banho com sabonete...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8239816999776378007?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8239816999776378007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8239816999776378007' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8239816999776378007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8239816999776378007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/09/resposta-para-o-guilherme-daher-parte.html' title='Resposta para o Guilherme Daher, parte II'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3915522471918458494</id><published>2007-09-24T02:00:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T13:06:27.270-03:00</updated><title type='text'>Resposta para o Guilherme Daher, parte I</title><content type='html'>O Guilherme aí nos comentários de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dies irae&lt;/span&gt;, fez umas perguntas difíceis de responder de uma vez. Vamos por partes, então. Rapaz, vc vai acabar virando crítico literário. Tremendamente apropriadas, além de muito bem organizadas, suas perguntas. Fiquei meio zonzo, sendo posto assim na parede. Mas vamos lá. De antemão vc fique sabendo, como eu já preguei por aí afora, que a minha resposta é só UMA das respostas possíveis. As suas, tão verdadeiras quanto as minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso posto, toca o comboio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo pelo fim: Lázaro, no conto, não na Bíblia, que lá ele some assim que ressuscita, me parece ter-se negado a testemunhar a favor de Cristo (logo Lázaro, o ressuscitado), como o fez Pedro, que disse "não" três vezes, quando lhe perguntaram se era amigo dO Cara (e quem era besta de encarar os romanos naquela época?). Então, ele foge. Pedro fugiu, todo o mundo se escafedeu e largou Cristo pra lá. Lázaro também fugiria. Impossível saber por quê ou de quê. Medo, vergonha? Se vc leu&lt;span style="font-style: italic;"&gt; O caçador de pipas&lt;/span&gt;, deve ter percebido que a gente tende a (se) afastar (d)aquilo que nos lembra nossos erros. Talvez isso tenha acontecido ao nosso Lázaro. Envergonhado por não ajudar aquele que lhe devolvera a vida, ele foge. E, pelo visto, foge para outro tempo. Através dos tempos, sempre vamos encontrar lázaros mal-agradecidos. Mas aquilo de que ele fugia (sua covardia, p. ex.) vai estar sempre com ele. Será sua tradição e maldição. É num tempo não bíblico, portanto, que seu passado, quando ele talvez já não se recordasse dele, o reencontra, na figura de Cristo. A identificação com o personagem bíblico só ocorre nos diálogos com Jesus porque talvez esse Lázaro amedrontado que depara com seus próprios receios seja uma metáfora de todos aqueles que, ao longo da vida, se escondem quando deveriam estar à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado é que ninguém se pergunta que fim levou esse personagem bíblico, para mim tão enigmático e importante quanto Judas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão do tempo, veremos a seguir. Parte II vem aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3915522471918458494?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3915522471918458494/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3915522471918458494' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3915522471918458494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3915522471918458494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/09/resposta-para-o-guilherme-daher-parte-i.html' title='Resposta para o Guilherme Daher, parte I'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8293657459664439857</id><published>2007-09-17T23:50:00.000-03:00</published><updated>2007-09-18T00:03:03.391-03:00</updated><title type='text'>Dies irae</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Era Natal. Portanto, enfiou o presente debaixo do braço e retificou o pretérito, colando-o às suas costas. Na estrutura mal-ajambrada do corpo, pesadas reticências e abismos desconhecidos, feridas que não secavam. Masturbava-se regularmente. Às vezes, sonhava. Às vezes, limitava-se a ter apenas poluções diuturnas. Tudo dependia de seu estado de humor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Cruzou a avenida. Do outro lado, os transeuntes ficaram diferentes. Um amontoado de roupas e passos apressados, poliacrômicos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    No semáforo seguinte, voltou para o lado anterior. As calçadas apinhavam-se de mendigos e leprosos, doentes de toda espécie, à espera de um milagre. Estranhou que não visse nenhum Cristo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    De repente, percebeu que as pessoas passaram a olhá-lo, espantadas: &lt;i style=""&gt;Como ousa portar o momento sob a axila?&lt;/i&gt; Algumas delas quiseram apedrejá-lo, mas ele seguiu seu caminho, indiferente. Se tinha mesmo o momento, como diziam, quem haverá contra mim?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Atirou uma esmola impassível ao pedinte mais próximo e contemplou a sua boa ação do dia com indisfarçável orgulho e uma crescente sensação de poder. Deveria ter continuado a ser escoteiro. &lt;i style=""&gt;Bobagem, escoteiros não fumam.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Súbito, eis que se depara com Cristo. Recém-saído do útero do esgoto, o Mestre tinha suas longas vestes brancas muito sujas e os cabelos e a barba apinhados de carrapatos e piolhos. Fedia a quilômetros, mas, definitivamente, era o Cristo. reconheceria aquelas chagas abertas em qualquer lugar onde tornasse a vê-las.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    — Com que, então, fugiste ao Tempo, Lázaro? — Jesus se recuperou da surpresa antes e falou primeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    — Mas este não é o Tempo, Senhor? — Lázaro retrucou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    — Por que me abandonaste, Lázaro, se sabias que eu não era homem, se sabias que eu não era tanto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Lázaro tremeu:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    — Mas, Senhor —, repetiu — &lt;i style=""&gt;este&lt;/i&gt; não é o mesmo Tempo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Cristo espumava de raiva:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    — Custei a encontrar-te, Lázaro, porque fugiste &lt;i style=""&gt;com&lt;/i&gt; o Tempo. Fugiste covardemente, deixando-me aos cães e aos centuriões. Precisei de ti e não testemunhaste por mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    Lázaro estava apavorado, mas ainda tentou algum argumento:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    — Senhor, não é minha culpa que... — e interrompeu a frase ao ver que Cristo arrebanhava o cassetete de um guarda próximo e se preparava para exercer sua autoridade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    E Cristo batia e batia e batia, munido de sua divindade borrachuda, até que Lázaro caiu, em estado de sangue, e, como tal, alastrou-se pela calçada, sujando os sapatos dos que passavam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;    O povo aplaudiu. Sob a ovação, Cristo subiu aos céus, sentindo-se Deus.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8293657459664439857?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8293657459664439857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8293657459664439857' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8293657459664439857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8293657459664439857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/09/dies-irae.html' title='Dies irae'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8883506333785993043</id><published>2007-08-21T19:50:00.001-03:00</published><updated>2007-08-21T20:13:06.839-03:00</updated><title type='text'>Lançamento imperdível</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/Rstsl4VE6tI/AAAAAAAAABs/GcNEWItojKg/s1600-h/convite+Reinaldo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/Rstsl4VE6tI/AAAAAAAAABs/GcNEWItojKg/s320/convite+Reinaldo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101290400958966482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O Reinaldo é, ora, o Reinaldo é apenas o mais criativo, interessante e original romancista em atividade neste país. Perto dele, hoje, só o Isaías Pessotti de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aqueles cães malditos de Arquelau&lt;/span&gt; e talvez o Veríssimo. Reinaldo discorda e nem gosta que se diga isso, mas este escriba, que, há uns 27 anos (desde o tempo do guaraná com rolha),  é amigo (e já foi até personagem) dele, já adquiriu o direito — e o dever — de desobedecer. Quem for ao lançamento de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A longa história&lt;/span&gt; (ó o convite aí ao lado — ou em cima) e, claro, ler o livro vai ter de me dar razão. Eu, de minha parte, passo antes na &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Flôr de Maio&lt;/span&gt; (assim com acento mesmo), na Praça Oito, e compro um chapéu , pra poder, mais uma vez, tirar pro Reinaldo. Gostaram da frase? Pois é. É dele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não ler &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A longa história&lt;/span&gt; vai para o inferno (Mateus, 12:26). Pelo amor de Siddhartha, o Buda, não percam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8883506333785993043?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8883506333785993043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8883506333785993043' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8883506333785993043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8883506333785993043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/08/lanamento-imperdvel.html' title='Lançamento imperdível'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/Rstsl4VE6tI/AAAAAAAAABs/GcNEWItojKg/s72-c/convite+Reinaldo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-834911921655638263</id><published>2007-08-15T13:19:00.000-03:00</published><updated>2007-08-15T13:20:08.569-03:00</updated><title type='text'>E não é que...</title><content type='html'>... o troço bombou? Tinha gente saindo pelo ladrão (e ladrão, infelizmente, entrando no carro do Caê: foi laptop, foi o que tinha na mala... Caê, um brasileiro). Maioria cria do Grijó. Valeu, a presença de quem foi, pela de quem não foi. Tipo a Lili, por exemplo. Não falei que não ia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então. Agora é continuar louvando a iniciativa do Sesc (o projeto tem as impressões de todos os dedos da Lídia, da Beatriz, do Paulo e da Rhuana, entre os que conheço) e espalhar o boato — confirmadíssimo — de que toda segunda terça do mês tem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Café Literário&lt;/span&gt;, no mesmo lugar, até que seja necessário alugar o estádio da Desportiva pra caber a galera. Suspeito que os próximos escritores serão o Reinaldo e o Luiz Guilherme, ambos Santos Neves a torto e a direito. O Reinaldo, lançando um fantástico livro novo, depois de &lt;a href="http://www.tertulia.art.br/arquivo/sobre_kitty_aos_22.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Kitty aos 22&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Chama-se &lt;a href="http://www.tertulia.art.br/arquivo/a_longa_historia.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A longa história&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e é longo mesmo: seiscentas e tantas páginas, de cabo a rabo. Saiu pela Bertrand Brasil e está à venda nos melhores lugares. Quem viver lerá. E o Luiz, que também dispensa apresentações, tem livro no VestUfes: &lt;a href="http://www.tertulia.art.br/arquivo/o_capitao_do_fim.htm"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O capitão do fim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Já pensaram que conversa isso vai dar? Percam por nada, menos ainda por jogo do &lt;a href="http://www.fluminense.com.br/"&gt;Fluminense&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-834911921655638263?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/834911921655638263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=834911921655638263' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/834911921655638263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/834911921655638263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/08/e-no-que.html' title='E não é que...'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-26398239105872427</id><published>2007-08-06T15:05:00.000-03:00</published><updated>2007-08-06T15:07:37.674-03:00</updated><title type='text'>Café Literário Sesc</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/RrdjKjQZWPI/AAAAAAAAABk/ImeA_G2xs-I/s1600-h/cartaz+caf%C3%A9+liter%C3%A1rio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/RrdjKjQZWPI/AAAAAAAAABk/ImeA_G2xs-I/s320/cartaz+caf%C3%A9+liter%C3%A1rio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095650536306858226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aí, gente, o Sesc estréia dia 14, terça, 19h, no Centro Cultural Majestic, o "Café Literário", um projeto que visa a (gostaram da regência,"visar a"?) promover discussões literárias entre escritores. Nessa primeira edição, os escritores são o Caê Guimarães (grande poeta, quem ainda não o leu arranje um jeito de limpar essa nódoa da biografia) e — adivinhem? yeeeeessssss! — este escriba que vos fala. O mediador é o &lt;a href="http://mesmasletras.blogspot.com/"&gt;Grijó&lt;/a&gt;. Só pelos dois (o falso modesto aqui vai se excluir antecipadamente) já vale a ida ao Majestic. O tema desse primeiro Café Literário é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tempo da História, tempo da poesia&lt;/span&gt;. Bonito, né? Coisa da Aline Yasmin. Dela também, e do &lt;a href="http://institutoquorum.org.br/"&gt;Quorum&lt;/a&gt;, é o belíssimo cartaz do evento. Vejam aí em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá feito o convite. Quem viver verá. Ou não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-26398239105872427?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/26398239105872427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=26398239105872427' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/26398239105872427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/26398239105872427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/08/caf-literrio-sesc.html' title='Café Literário Sesc'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_olAjU6lJbwY/RrdjKjQZWPI/AAAAAAAAABk/ImeA_G2xs-I/s72-c/cartaz+caf%C3%A9+liter%C3%A1rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7706210472275866287</id><published>2007-07-04T19:49:00.000-03:00</published><updated>2007-07-04T19:54:39.730-03:00</updated><title type='text'>Recado para a Alice</title><content type='html'>Alice, aquela resposta que prometi para hj às 21h52 vai ter de ficar para mais tarde ou amanhã:  eu me esqueci de que hj tem futebol na tevê. (É, poeta tb gosta de futebol... rs. Se bem que aquilo que a seleçãozinha do tal do Dunga joga é tudo menos futebol.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inté...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7706210472275866287?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7706210472275866287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7706210472275866287' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7706210472275866287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7706210472275866287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/07/recado-para-alice.html' title='Recado para a Alice'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3033011973877370951</id><published>2007-06-24T13:02:00.000-03:00</published><updated>2007-06-24T14:44:02.820-03:00</updated><title type='text'>As ninfas camaleônicas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para Bernadette Lyra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Dormitavam ambas, indeléveis, esquecidas num tempo sem paisagens, nem rumores, nem pretensões de ocasião. Um &lt;a style="font-weight: bold;" href="http://petfriends.com.br/enciclopedia/esp_repteis/repteis_enciclopediacamaleao.htm"&gt;camaleão&lt;/a&gt; policrômico penetrou por uma fresta mal apagada, cobiçou-as e, só então, ousou adentrar-lhes as fraldas e os momentos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— A tua boca não é deste mundo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O teu suor não cabe o teu ser.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O teu olhar nos fere tão fundo!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Que face é essa que vens nos mostrar?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;A primeira delas, parecendo que já o esperava, interrogou-o quando ele mal levitava sobre suas ancas. A segunda, nem bem a outra terminou e já perguntava, completando a idéia que ficara no ar, feito um &lt;a href="http://www.universal.pt/scripts/hlp/hlp.exe/artigo?cod=6_149"&gt;j&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ogral&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, com estrelas onde haveria olhos belos e inquisidores:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Que pasmo é esse que vens nos trazer?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Que espasmo é esse que vens nos roubar?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;De onde é teu cheiro, teu cuspe, teu gosto,&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;que contas as gotas do nosso calar?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O camaleão policrômico, apanhado desprevenido, pendurou-se pelo rabo numa viga do teto e cantarolou um acalanto, evasivo. Ficou olhando à distância os seios imaculados e sutis que elas lhe proporcionavam, com a vontade de tê-los que as pessoas têm quando com saudades. Mas não podia. A paixão, não lhe era dado conceber.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Disfarçou o êxtase crescente, espantando a lua, que espiava, curiosa, pelos buracos do vazio. Porém, logo voltou a desejá-las, elas que, sem pudor, lhe ofereciam corpos e insolitez nos gestos e nas palavras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Que amor é esse a nos tragar o porte, &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;a nos fugir ao tato, a nos ferir a noite?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Que coisa é isso a nos lamber o corpo,&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;a nos trazer encanto, infâmia, mel e sal?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Surgiu ao léu, já sabe a céu, saiu à mãe?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Terá jardins, rua calçada, escada à lua?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Que coisa é isso a nos tomar o espaço?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Que coisa é isso a nos roubar ao sonho?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Uma falava com a boca da outra, suplicante. Supliciante. Ele não sabia qual delas desejar mais, não conseguia apreender o sentido exato do que ouvia. E via o sexo de ambas, que falavam por si, mas um pelo da outra, movendo-se lenta e docemente, vertendo os sons em longos suspiros de prazer e imoralidade. O camaleão policrômico não podia imaginar quanto tempo ainda conseguiria manter-se pênsil e distante: cada vez mais sensuais e febris, elas se acariciavam mutuamente e o chamavam, chamavam, chamavam:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Por que não vens, se nos tiraste à sorte?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Por que não falas, se nos roeste o nó?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Ou não nos matas, se é desaguar, a morte, &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;de um instante em outro, adiante, e só?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Era um jogo da verdade e o camaleão policrômico, surpreendido nele, não podia mentir, de modo que rasgou um pedaço azul-solidão de sua pele e o engoliu, para se revigorar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;A que falara antes (qual?) estendeu a mão e tocou o local descarnado. Na obscuridade em que se encontravam, sentiu alguma cosia áspera, como uma casca de ferida, mas não retirou a mão. Ao contrário, trouxe a da companheira até a sua e implorou, ao mesmo tempo que se incorporavam uma à outra, em meio ao mar de lençóis, sangue, nácar e suor que se formou:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;— Tira-me a pele, o meu jejum me dói.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Tira-me a vida, a lida, a ferro e dor.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Leva-nos longe, ao barro que constrói&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;a tua força e o teu ficar sem som.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Vencido, o camaleão policrômico desistiu do que viera fazer, sorriu, condescendente, de si mesmo e absorveu todas as luzes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;E instaurou-se a Escuridão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3033011973877370951?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3033011973877370951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3033011973877370951' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3033011973877370951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3033011973877370951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/06/as-ninfas-camalenicas.html' title='As ninfas camaleônicas'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-9172726586796071690</id><published>2007-06-24T12:37:00.000-03:00</published><updated>2007-06-24T13:01:02.402-03:00</updated><title type='text'>Comentários</title><content type='html'>Só pra pôr um pouco de ordem aqui: a partir de 6 de agosto (aí, moçada que gosta de escrever datas e horários com um &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O&lt;/span&gt; - zero - na frente: isso não existe não, tá? Melhor escrever assim: 6 de agosto, 8 de maio, 7h32... e não 08 de maio, 07h32)... Então. A partir de 6 de agosto, começarei a postar comentários aos contos já publicados. E tentarei publicar os contos semanalmente. Percam o medo, entrem no link de comentários  aí embaixo (ele está aí para ser usado, não para enfeitar o blog) e façam sugestões, digam o que pensam, falem de suas dúvidas. Na medida do possível, vou tentar esclarecer, assim sem o objeto direto mesmo, só de sacanagem com os gramáticos. Mas lembrem-se: apesar de o papa (coitado!) bater-se contra o que chama de "ditadura do relativismo", não existem verdades absolutas. Toda verdade é relativa e depende dos olhos de quem vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inté...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-9172726586796071690?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/9172726586796071690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=9172726586796071690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/9172726586796071690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/9172726586796071690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/06/comentrios.html' title='Comentários'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3931398589633041299</id><published>2007-06-16T15:49:00.000-03:00</published><updated>2007-06-16T17:06:38.692-03:00</updated><title type='text'>Parênteses para assunto mais sério que literatura no VestUfes</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nós não precisamos de religião. Precisamos é de Ética.&lt;br /&gt;— Dalai Lama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente, um senador (Marcelo Crivella) está quase aprovando um projeto no senado (aquela casa de santos) que permitirá à igrejas fazer uso dos (parcos) recursos da Lei Rouanet de incentivo à cultura para promover reformas em templos religiosos. O sujeito é "bispo" da igreja universal, a quadrilha liderada por Edir Macedo. Imaginem que legal para eles botarem a mão, sem esforço e sem risco de a Polícia Federal chegar junto, em um naco do quase um bi de reais disponível na Lei Rouanet para promover a cultura no Brasil. A lei, por meio de renúncia fiscal, destina-se à produção de filmes, livros, peças de teatro, circo, literatura, dança, música... enfim, da cultura brasileira em suas diversas manifestações. Já pensaram como os pastores estão assanhados com a possibilidade de parte dessa grana toda ir parar em seus bolsos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem mais: as igrejas já são (caiam da cadeira os que não sabem disso) isentas de todo tipo de impostos, enquanto nós que ralamos diariamente deixamos, também diariamente, quer desejemos ou não, quatro doze avos de nosso trabalho nas mãos dessa corja de políticos, juízes e empresários corruptos que assola o país. Vcs sabiam que as igrejas não prestam contas da "mixaria" dos dízimos a ninguém? Vcs sabiam que o Salesiano, o Americano, o Sacré-Coeur e uma penca de outras escolas que cobram fortunas de seus alunos são isentas de impostos por, supostamente, serem entidades religiosas? Se pelo menos o cursinho ou a faculdade lá fosse gratuito ou não custasse os olhos da cara, né?... Pois é, se não bastasse isso, agora vem esse senador cretino (desculpem o &lt;a href="http://209.85.165.104/search?q=cache:uyDEOlGaUPoJ:pt.wikipedia.org/wiki/Pleonasmo+%22pleonasmo+vicioso%22&amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;amp;amp;amp;ct=clnk&amp;cd=1&amp;amp;gl=br"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pleonasmo vicioso&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;) aí e quer tirar da gente mais dinheiro ainda pra favorecer seus cupinchas e suas malfeitorias. Assim não vale. Se valer, e se Deus é comércio,vou abrir uma igreja também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então. Aí um grupo de pessoas inconformadas com a sacanagem toda bolou um abaixo-assinado que está circulando na Rede. Assinem também e divulguem pra todo o mundo que vcs conhecem. O link é o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 51, 153);"&gt;&lt;a href="http://www.petitiononline.com/cult2007/petition.html"&gt;Não à Lei Rouanet para "templos religiosos"&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Estou cada vez mais indignado. Vamos parar de ser passivos. Tá na hora de usarmos esse potencial de comunicação todo que está em nossas mãos para mudar o Brasil. Chega de passividade! Ou a gente acaba com os vermes ou os vermes acabam com o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechem os parênteses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3931398589633041299?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3931398589633041299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3931398589633041299' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3931398589633041299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3931398589633041299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/06/parnteses-para-assunto-mais-srio-que.html' title='Parênteses para assunto mais sério que literatura no VestUfes'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7059451555670134901</id><published>2007-06-13T01:44:00.000-03:00</published><updated>2007-06-13T01:52:05.146-03:00</updated><title type='text'>Casamento</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;Para Tânia R.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noiva quer espaço para si, para seu próprio ato. Não o átrio desta igreja, o pároco, os convivas. A noiva quer o amante, não o noivo. Quer sorver de novo o mel dos lábios dele e o calor de sua pele e o seu olhar lascivo, compassado. Deseja a música das mãos que ainda — entre — têm seus seios recentes. Quer de volta a magia, não o bolor; a descoberta, não a passividade; a delícia, não o horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrementes, ouve-se um martelar de Mendelssohn e sinos. Selam seu destino. Triste sina: não é um véu, mas mortalha, que a cabisbaixa carrega, presa. Não é um padre: é um juiz, quem lhe cospe ladainhamente seus pecados, pelos quais a curva longa e duradoura que ela imaginou para longe deste tribunal não lhe será permitida, a fuga. Assim também sabe-se do ouro desses que o noivo tira grilhões do bolso e que o juiz abençoa, em nome do carrasco e do filho, amém, que, à sua direita, lhe dilata o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teima a noiva, inquieta, em relembrar o amante. Teima em ter no corpo, entranhado, imediato, o cheiro dele e a paciência e a calma dele, coisas tornadas lugares onde seus mais intrínsecos desejos foram expostos e satisfeitos (é claro, o noivo — o turvo — saberá disso quando for executar a sentença — porque há uma sentença, como houve um crime e haverá uma execução).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa ela, posto que desarmada, abrir o vestido e mostrar no peito, à platéia, as marcas do outro, o original: os beijos, carícias, rastros de sensual serpente impressos em cor indecifrável sobre a carne onde houve espaço e onde o aço das unhas sulcou sua pele e a mapeou e ela foi possessão e território dele e não houve quem mais a invadisse. Teima esta noiva bela e delicada em freqüentar outra fantasia, em rolar de novo, abraçada no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu&lt;/span&gt; homem, entre lençóis de cetim, com acompanhamento de grilos e lua e Debussy. Teima em não estar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noivo, esse teima-lhe a mão. O juiz pergunta algo, Deseja por sua livre e espontânea vontade esta punição, que ela responde laconicamente, responde, indiferente, para sim. Está no fim o rito com que amortalham seus últimos resquícios de esperança. Poderia aspirar a outra coisa senão a este castigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos convidados tem uma lágrima pronta para jorrar assim que houver oportunidade de aparecer nas fotografias. A mãe do noivo mal disfarça sua excitação crescente, feito se o filho, ao possuir daqui a pouco a noiva, pudesse vingá-la, mãe, de humilhação semelhante que não pôde ser perdida entre os objetos amontoados nos porões da memória. Uma criança, com ar anjo, leva flores de um lado da igreja e a outro, imorrediça. Seria um enterro? A noiva sente-se como. Quase pode sentir os pés flutuando no caixão acolchoado e o cheiro a formol e o algodão no nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então, consumada a cerimônia e conhecido o veredicto, ela vê o amante. No meio do povo, ele se levanta, silencioso, e esse silêncio é triste. Ele sorri, e seu riso é reticente. Ela não se contém e chora. Pensam que é a emoção do casamento, não a desolação. Ela sofre todos os cumprimentos calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito, porém, o amante não se consola e rasga o ar com sua adaga de voz, beduíno que interrompe o deserto, e a chama. Acesa, ela atira para trás a aliança e, dando a mão ao amado, dá-se por inteiro sua ressurreição: e canta e dança, levita no ar, de tal forma e tanto que compreendemos o milagre ocorrido e atiramos neles os castiçais e as estátuas, os altares e os santos, os tapetes, os bancos, os paralelepípedos da rua, para que não fixassem pedra sobre pedra — e sobre esse fato edificaremos a nossa farsa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7059451555670134901?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7059451555670134901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7059451555670134901' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7059451555670134901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7059451555670134901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/06/para-tnia-r.html' title='Casamento'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6344162737324993634</id><published>2007-06-11T02:44:00.001-03:00</published><updated>2007-06-11T02:49:59.126-03:00</updated><title type='text'>E o blog, hein?</title><content type='html'>A Isabela começou, a Josely deu um empurrão o agora campeão brasileiro (Nenseeeee!) Lucas entrou na onda. Então: o blog de poesia tá no ar. Meio que em construção ainda, mas tá lá o esqueleto dele. Vejam em &lt;a href="http://marvilla-poesia.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;http://marvilla-poesia.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Agora é com vcs. Pra vcs. E esta semana cuido deste aqui, tadinho, entregue às moscas, que nem a defesa do Flamengo diante do Figueirense...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6344162737324993634?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6344162737324993634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6344162737324993634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6344162737324993634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6344162737324993634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/06/e-o-blog-hein.html' title='E o blog, hein?'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6023885879014620295</id><published>2007-05-07T09:14:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T00:08:56.272-03:00</updated><title type='text'>O vampiro, Deborah</title><content type='html'>A tempestade anunciou o vampiro. Ele ficou parado na porta, molhado até a alma, compondo com o batente um quadro surrealista sobre um fundo escuro e chuvoso. Deborah interrompeu a respiração no terceiro parágrafo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Assim_Falou_Zaratustra"&gt;Zaratustra&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, sem coragem de olhar para ele, com medo de resistir mais do que devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente voltou a respirar e o olhou, muito tempo depois, não se assustou, nem lhe disse que entrasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vampiro estava recortado contra nuvens pesadas que desabavam violentamente sobre o jardim, esmagando as violetas que ela plantara no último domingo (melhor dia para plantar violetas), e contra um vento forte que deslocava as cortinas e desequilibrava uma reprodução do auto-retrato de Van Gogh de cima da lareira. Ele ficou ainda minutos que não terminavam impassível na porta, dominando a situação com sua figura esguia e altiva, olhos profundos. Essa não era como das outras noites, nem era como das outras vítimas. Estava especialmente denso, investido em sua melhor aura de fascínio e horror. Queria impressionar. Não saíra de casa sem rever todos os detalhes: os vincos das calças, os sapatos alemães, as meias Lupo, as abotoaduras de ouro. Previra tudo, até o tempo gasto escovando os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o vampiro se decidiu a entrar e falou alguma coisa em romeno antes de trancar a porta. Deborah: respondeu em voz baixa, consentindo. Ele: aproximou-se e tocou-lhe o seio esquerdo, como dono. Ela: retirou a mão dele de sobre o seio e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Por que demorou tanto a vir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não me demorei — foi a resposta. — É que você me esperou todas as noites ao seu lado e o que vai pelo coração de quem espera é muito longo, tortuoso. Sente cansaço, aquele que aguarda o instante da posse, formula hipóteses as mais várias e descabidas. “Eis, então, que desistiu”, concluiu apressadamente. “Aqui jaz alguém imediato”, dirá sua lápide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Parece poesia? É poesia.&lt;/span&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Trago ainda no corpo as marcas doloridas de não ter desistido eu — disse Deborah. — Foram horas muito longas, até perceber os seus passos no jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— E era apenas o tempo suficiente, que eu também esperei, para você se compor e se colar, mosaica, até estar completa e preparada para mim. Agora que está pronta, eis-me aqui. Venho buscar o que é meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sabia que ele estava certo. Durante toda a sua vida estivera pronta para este instante de sedução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completou o cenário: Mozart, &lt;a href="http://72.14.209.104/search?q=cache:ihDsLGaVjGwJ:en.wikipedia.org/wiki/Liebfraumilch+liebfraumilch&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;cd=3&amp;gl=br"&gt;Liebfraumilch&lt;/a&gt;, que a hora é alegre, embora cada qual deva cumprir um destino — e isso não é mera fatalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma borboleta atravessou o set e fez um pouso azul na borda de um copo de cristal. Ruído de chuva na vidraça e penumbra, interrompida apenas, vez ou outra, pela alvura mágica da pele, o roçar da seda na perna — ela se &lt;span style="font-style:italic;"&gt;veste &lt;/span&gt;para o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vampiro, esse fique onde está, não entre ainda, que aqui só cabe a forma bela e sensual da amada. Não invada, o amante, esta fantasia, não interrompa este instante irrepetível. Ela não quer que nada se precipite. Investe-se de sonhos. Vai ser preciso descobri-la mansamente, desfolhá-la, roubar-lhe significado após significado, encontrá-la sob a metáfora, até que ela se entregue, quando quiser, inteira e límpida. É muita emoção para uma só paciência, é o que ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ouve cada coisa em seu silêncio. [&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O coração inaudível dos objetos bate seu ritmo múltiplo, persistente.&lt;/span&gt;] Está ansioso. Bastaria que algo se movesse e o mundo deixaria sua rota, mas nada se move, exceto o sangue dele (insuficiente para alterar o caminho do planeta), que circula mais rápido e acaba por se perder de suas vias naturais, fugindo das veias e artérias, acumulando-se desordenadamente em suas pernas, de forma que, quando Deborah o chama, ele está preso ao chão, sem conseguir andar, e mais pálido que nunca. Agora ela está difusa, menos mulher que fantasma. Pronuncia o nome dele com som serpente. Quase caminha, mais paira, acima da gravidade do momento e da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela está frágil, ali, ao alcance do vampiro, dos dentes dele, sedentos, a seda branca alcançando seu braço, feito pele que, desgarrada, voltasse ao dono original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele: vai dizer algo em magiar. Mas: ela o impede, decidida. Passam um tempo incalculável admirando-se mutuamente, um, pesado e imortal; outra, provocante e alada, deixando-se sugerir. Não faltará ânsia para que, dentro em breve, o beijo. Não faltará silêncio para que, entretantos, o mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Podia ter vindo antes — ela falou semidistraída, enquando ajeitava-lhe uma mecha de cabelos que teimava em cair sobre o olho esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se desvencilhou da mão dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Você ainda não estava preparada. Mas eu não vir não significa que eu não estivesse aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Terá sido sua então a boca que senti sobre os seios e suas as mãos que me desnudaram e seus os caninos que me romperam a jugular, nas noites em que eu me julgava só?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Sim, era eu, o que você imaginou para suprir minha ausência ignorada, sem saber que, em mim, doía-me tanto minha própria ausência que precisei te resgatar em minha vida insípida e sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Ah, e quanta doçura havia em suas mãos e lábios em meus sonhos! Trouxe-a com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto falava, uma lágrima escapou ao seu controle e, após percorrer um abismo vertical, estilhaçou-se no chão, em mil diamantes minúsculos. Ele faz um segundo movimento, andante molto. Sua mão mergulha nos cabelos dela, vaga pelo ombro, ficará eterna nesse ir e vir, fluida, na maciez da pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltou a falar, a voz era calma e triste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Trago comigo é uma dor inexprimível e sem remédio, o ter que vagar eternamente, sem consolo, por entre seres que apenas me aceitam, não me conhecem. Se fui doce com você, é porque te inventei para poder suportar esse vazio inesgotável que tenho em mim através dos séculos, e quero agora acreditar na sua real existência. Você não é mais um sonho. Não sou mais um sonho. Estou aqui. Ainda respiro, fumo, bebo, durmo... não sei bem pra quê, mas não importa. Sei que te amo, criatura minha, da mais sincera maneira de amar. Só que a mágoa mais profunda em mim persiste, inacessível a pais, irmãos, ou companheiras de leito e vida breve. A lívida face do absurdo roça a minha, com vagar. Que há de ser feito dessa dor em meio ao nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Não há o que possa, amado, nos redimir desse imenso destino de estarmos vivos sem saber por quê. Por isso te acolho em mim e te protejo. Que sejas sempre essa mistura de humano e divino que és, meu homodeo de negros cabelos e voz de profundeza. E que possas me aguardar sempre em alguma região de ti, através de céus escuros e solidão e lágrimas e ranger de dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- - -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde como nunca. As coisas sempre. Lábio a lábio, eles se recompõem mulher e homem, indistintos. Em alguma parte, contra um cenário de &lt;a href="http://users.fulladsl.be/spb1667/cultural/fglorca.html"&gt;García Lorca&lt;/a&gt;, alguém lê a Espanha. O acaso da luz que vem da lareira detona veias vermelhas na casa e cada poro das paredes, enfim, verte seu sangue contido, ex. De noites como assim não fogem gritos aos assassinados, nem se encomendam preces aos defuntos antigos, nem apodrecem frutos recém-colhidos, nem flui o trânsito, nem sequer a vida segue seu curso, nem. Noite sem jamais, o que resta para acontecer é o silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6023885879014620295?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6023885879014620295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6023885879014620295' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6023885879014620295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6023885879014620295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/05/o-vampiro-deborah.html' title='O vampiro, Deborah'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-1329846702540186391</id><published>2007-04-12T15:38:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T17:13:07.936-03:00</updated><title type='text'>Um cara genial</title><content type='html'>O blog é um barato. O nome do cara é Orlandeli. Quem for lá vai se esbaldar. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://blogorlandeli.zip.net/"&gt;Sigam-me&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; os que estiverem a fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-1329846702540186391?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/1329846702540186391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=1329846702540186391' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1329846702540186391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/1329846702540186391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/04/um-cara-genial.html' title='Um cara genial'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7236844688176664896</id><published>2007-03-27T23:24:00.000-03:00</published><updated>2007-03-28T00:01:49.574-03:00</updated><title type='text'>Os mortos estão no living</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Todos os meus mortos estavam de pé, em círculo,&lt;br /&gt;                 eu no centro.&lt;br /&gt;                 Nenhum tinha rosto. [...]&lt;br /&gt;                 Notei um lugar vazio na roda.&lt;br /&gt;                 Lentamente fui ocupá-lo.&lt;br /&gt;                 Surgiram os rostos iluminados.&lt;br /&gt;                       &lt;blockquote&gt;• &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_drummond_de_andrade"&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/a&gt;, “Comunhão”&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia sapos coaxando na memória, onde os mortos passeavam, impunes, suas sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia precisar exatamente quando começara a crescer, por isso o período anterior ao seu crescimento estivera recostado por tanto tempo entre o umbral da vagina materna, as roupas de boneca, a primeira comunhão, a primeira menstruação. Agora era adulta e, adulta, era um feto consumido. Foi num espaço vago dessas abstrações que, lentamente, o coaxar dos sapos se instalou, sem que ela pudesse evitar, e um morto pôde consolidar-se em suas lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De início, assustou-se e ficou tão lívida quanto lhe era possível comprimir o sangue para os pés. Mas, em seguida, reconheceu o cadáver sorridentes do pai, depois, o da mãe, do avô, dos tios, tias, primos, o irmão assassinado, e, tranqüilizada, distraiu-se vendo, com saudades, o filme dos mortos de toda a sua genealogia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eram tantos os antepassados desaparecidos e tanta a emoção singular de revê-los com tamanha nitidez que ela quase não ia percebendo uma personagem de que não se lembrava, embora tivesse algo de vagamente familiar. Era uma menina, cuja imagem já começava a se dissipar no fotograma desbotado pelos anos. Por muito, porém, que a observasse, não a encontrava entre suas recordações, por mais e mais que as vasculhasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou a projeção do filme, sentindo-se confusa. Temeu adultérios, coisas escondidas, segredos perdidos resvalados, de repente, sem querer, do escuro em que jaziam para a luz. E aquela garotinha ali, nem um sorriso (sorrir era sempre uma pista), estagnada, fitando-a, pouco à vontade, de um passado sem vestígios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intrigada, ela ficou ainda alguns instantes coagulada na atmosfera da sala, tentando dar com o porquê da visita súbita e silenciosa de toda a sua linhagem, desde o fundador da estirpe até aquela criança enigmática, mas não teve oportunidade de pensar em mais nada, os filhos já voltavam da escola, precisava preparar-lhes banho-lanche, como fora esquecer-se disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portando seu melhor sorriso, antes que os filhos tocassem a campainha, abriu a porta, esperando uma tarde como tantas, e ficou boquiaberta: eles não a beijaram e, pior, passaram &lt;span style="font-style:italic;"&gt;através &lt;/span&gt;dela, como nos truques de atravessar paredes dos mágicos dos circos, sem vê-la, indo procurá-la escada acima, seguidos de um séquito de pequenos colegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava estupefata, sem compreender o acontecido, quando ouviu os gritos do filho mais velho. Correu o mais que pôde, animal em defesa da cria atacada, tropeçando nos móveis, esbarrando nas paredes, em direção de onde ele estava, mas ele já voltava pelo corredor, novamente não a viu e tornou a passar pelo corpo dela, antes que a irmã menor e os colegiais que trouxeram fizessem o mesmo, chorando e chamando pelos vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente quando conseguiu se libertar da surpresa e tentou ir atrás deles foi que ela descobriu, num relance, que não ultrapassaria mais a soleira da casa e o que significava a visita dos mortos da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o desespero aumentando, deu meia-volta e rumou para o seu quarto, temendo o que iria constatar assim que chegasse lá. O que viu, e o que seus meninos viram, era ela mesma, muito branca, quase incolor, integrada em definitivo à paisagem dos lençóis que trocara pela manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante, observando o próprio cadáver, alheia à carne, tornou a ver os parentes extintos, à exceção da menina desconhecida que a intrigara da primeira vez. Aí, carregando sobre si a confirmação de seu novo estado, ela se arrastou lentamente até onde estava um velho baú, esquecido no sótão desde o enterro do último parente. No fundo dele, envolto em grossa camada de cupins, encontrou um igualmente velho álbum e, sem ligar para os insetos e para a poeira que se desprendeu, saltando agitadamente os retratos em vários ângulos e tamanhos de pais, avós, irmãos e amigos de outra era, defrontou-se, enfim, com o que procurava: a fotografia que agora estava ausente do filme de seus mortos. Então compreendeu todos os acontecimentos do dia, o universo espraiado diante dela: era seu o nome escrito com tímida caligrafia primária nas costas da foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E soube assim que também fazia parte do filme, porque já completara a memória de todas as coisas, presentes e passadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os filhos voltaram, trazendo lágrimas e uma multidão heterogênea de vizinhos e curiosos, ela nem pensou em chamá-los. Apenas ajeitou, com gesto imperceptível e triste, os cabelos deles, beijou a ambos carinhosamente e, ainda sem que notassem, sentou-se à beira da cama onde estava seu corpo e enjaulou-se em si mesma, acomodada em sua condição de morta até o dia em que tiver de levantar-se e passar o filme dos cadáveres da família na memória das suas crianças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7236844688176664896?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7236844688176664896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7236844688176664896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/os-mortos-esto-no-living.html' title='Os mortos estão no living'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-7179064508663036196</id><published>2007-03-21T00:56:00.000-03:00</published><updated>2007-03-21T10:11:20.479-03:00</updated><title type='text'>Princípio de conversa - IV</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Títulos – III&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse discurso todo aí em cima (aí embaixo?) é só pra dizer a vcs que “Tudo tem um jeito diferente de ser. Depende do modo que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;a gente&lt;/span&gt; vê”. Não deixem que ponham vendas em vcs. Abram os olhos: “nossa única riqueza é ver” (Alberto Caeiro, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://pt.wikisource.org/wiki/O_Guardador_de_Rebanhos"&gt;O guardador de rebanhos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, poema VII, "Da minha aldeia vejo quanto da terra...").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• • • &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém aí sabe como fazer pra esse negócio aqui não ser postado de baixo pra cima? É esquisito ler assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• • •&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hj é só. Tô pregado. Amanhã posto o comentário sobre "Três histórias" e um novo conto. Inté.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-7179064508663036196?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/7179064508663036196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=7179064508663036196' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7179064508663036196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/7179064508663036196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/princpio-de-conversa-iv.html' title='Princípio de conversa - IV'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-762672104194642385</id><published>2007-03-21T00:42:00.000-03:00</published><updated>2007-03-22T00:26:02.510-03:00</updated><title type='text'>Princípio de conversa - III</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Títulos – II&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Mas aí notei que, ao utilizar a palavra “living” para determinar o local em que os mortos da família eram recebidos como visitas pela tal mulher, eu fechara o campo semântico da palavra. Ou seja, nesse contexto, living significava apenas living. Foi nessa altura do parágrafo que entrou em campo uma ex-professora minha do curso de Letras-Inglês. Com aquele seu habitual jeitinho todo meigo, a Lílian falou: “Que interessante! Os mortos estão NO living”... e disse um NOU tão categórico que eu até hj me pergunto como não me havia aventado essa possibilidade. Eu só via o NO como contração de em + o; a Lílian, americana e professora de Syntax and Semantics, viu como um advérbio de negação antecedendo um adjetivo (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;living&lt;/span&gt;: vivo, vivente) e dando-lhe a acepção contrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, o título poderia ser rudemente traduzido como “Os mortos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;não &lt;/span&gt;estão &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vivos&lt;/span&gt;”. O que poderia soar meio tosco, por excessivamente óbvio, não fosse o fato de que passo o livro todo tratando deles como personagens que recebemos na sala, como personagens vivos. Porque a morte de que trata este livro não é apenas (ou nem é) a morte da carne, o corpo estendido no chão, caixões, velórios, enterros, coisas macabras (apesar de certa professora de um cursinho aí me acusar, à revelia, de ter escrito um livro lúgubre). A morte de que trata este livro é, na maioria das vezes, metafórica, mas disso falaremos em outra hora, quando alguém aí fora disser a palavra mágica “niilismo” — vão lá perguntar ao &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://www.google.com.br/"&gt;oráculo&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; o que é isso, só pra adiantar o meio-de-campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por agora, fica assim: um hipotético título como “Os mortos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;não &lt;/span&gt;estão &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vivos&lt;/span&gt;” contrapõe-se ao que o livro “prega” e até àquela idéia kardecista de uns parágrafos atrás. Mas isso torna a leitura mais instigante: a sua atenção se desvia, vc fica pensando que é uma coisa e é outra. Um título, afinal, como diz &lt;a href="http://www.themodernword.com/eco/eco_biography.html"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Umberto Eco&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (vão acostumando os ouvidos: vcs vão ouvir falar muito dele por aqui) deve desviar a atenção do leitor, não fornecer a ele uma chave. Daí que eu gostei mais ainda do título e fui dormir em paz. Deu pra entender, Akemi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Mas a idéia de que os nossos mortos (principalmente os metafóricos) estejam nos visitando, sentados na sala, tomando um suco de kiwi, enquanto nos esborrachamos pra entender o que acontece, é que move este livro. Afinal, nós somos o que fomos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-762672104194642385?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/762672104194642385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=762672104194642385' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/762672104194642385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/762672104194642385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/princpio-de-conversa-iii.html' title='Princípio de conversa - III'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-2016106031693546596</id><published>2007-03-21T00:38:00.000-03:00</published><updated>2007-03-21T01:47:11.211-03:00</updated><title type='text'>Princípio de conversa - II</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Títulos - I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título do livro é, modéstia às favas, um achado, ainda que involuntário. Mas literatura é assim, nem tudo é fruto de escolha consciente: “Entre a intenção do autor e o propósito do intérprete”, diz Umberto Eco em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Interpretação e superinterpretação&lt;/span&gt;, “existe a intenção do texto”. A princípio, o título era apenas o de um dos contos, que vc vai ler aí embaixo, em que uma mulher recebe na sala a visita dos parentes mortos e não entende o que está acontecendo. Ela está morta mas não tem consciência disso. Ainda não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achei que essa situação simbolizava a minha “intenção do autor”: meu livro deveria falar da morte não como fim da vida, mas talvez até como os kardecistas [corram pro Houaiss ou pra &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Kardecista"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Wikipedia&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;] falariam: como um passagem para outra etapa. Discutiremos isso como um dos temas principais do livro, ao longo deste blog. Aceito as sugestões e opiniões de vcs, que essa é a motivação principal para eu estar aqui a essas horas da noite. Toca o bonde...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-2016106031693546596?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/2016106031693546596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=2016106031693546596' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2016106031693546596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/2016106031693546596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/princpio-de-conversa-ii.html' title='Princípio de conversa - II'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-8875541377975605066</id><published>2007-03-21T00:28:00.000-03:00</published><updated>2007-03-21T01:43:23.161-03:00</updated><title type='text'>Princípio de conversa - I</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;As três partes do todo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira edição de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os mortos estão no living&lt;/span&gt; (1988) trazia duas divisões: “Os mortos” e “Os outros”. Se a primeira parte tratava dos mortos, “os outros”, por antonímia, só poderiam ser os vivos — aqueles que, portanto, por imposição natural, estão sujeitos à morte, como viu bem o Pedro Nunes lá no &lt;a href="http://www.tertulia.art.br/"&gt;Tertúlia&lt;/a&gt;. Isso conferia ao livro unidade e circularidade: uma parte completava a outra, sem que se pudesse precisar qual era princípio, qual era fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na presente edição, porém, acrescentei uma terceira parte, chamada, ironicamente, de “Faixa bônus”, como essas faixas extras nos cedês e devedês que os produtores não sabem onde enfiar. No meu caso, depois que a incluí, pensei ter perdido a unidade do livro, mas então percebi que ocorrera o contrário: o conto da faixa bônus, “Cada um por si”, trata, possivelmente (há leituras diferentes), de vampiros. E vampiros (presentes em várias passagens), como se sabe, são mortos-vivos, de modo que o livro passou a ter uma parte que fala dos mortos, uma que fala dos vivos e uma que fala... de mortos-vivos. A mim me parece que os mortos estão vivos ao longo dos contos. Ou não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-8875541377975605066?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/8875541377975605066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=8875541377975605066' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8875541377975605066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/8875541377975605066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/princpio-de-conversa.html' title='Princípio de conversa - I'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-6122809451243490380</id><published>2007-03-13T12:13:00.000-03:00</published><updated>2007-03-21T15:37:33.420-03:00</updated><title type='text'>Poeta surpreendente</title><content type='html'>Ei, gente que gosta de (boa) poesia: abri parênteses aqui, antes do que prometi (20 de março) pra dizer que tem um garoto de 17 anos, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lucas dos Passos e Silva&lt;/span&gt;, escrevendo como gente grande, cheio de meios-termos, sutilezas e ironias (de quebra, ele é tricolor tb hehe). Fica devendo nada a poeta de livro publicado, não. Experimentem só este poema dele e vejam se não tenho razão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AMOR?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, obrigado.&lt;br /&gt;Estou tentando largar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• • •&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog dele é: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://o-velho-e-a-flor.blogspot.com/"&gt;http://o-velho-e-a-flor.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;. Vão lá com os sentidos abertos, como desejava o Caeiro, e tomem um porre de poesia. Desde já vou ficar indo-vindo daqui pra lá. Encontro bêbado vcs bêbados pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Este post é porque a gente tem de fazer de tudo para divulgar coisas boas. Assim o planeta fica melhor. Literatura é puro prazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-6122809451243490380?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/6122809451243490380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=6122809451243490380' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6122809451243490380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/6122809451243490380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/poeta-surpreendente.html' title='Poeta surpreendente'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7686537983050286887.post-3550615397217480504</id><published>2007-03-06T02:32:00.000-03:00</published><updated>2007-03-06T14:15:41.684-03:00</updated><title type='text'>Três histórias</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. A noiva passa, de carro, como para um enterro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. Alguns moleques atêm-se a atear fogo a velhas caixas de papelão. Um cão sem dono acompanha atentamente o movimento das crianças.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. A lua&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. É uma noiva feia, de seus vinte e tantos anos, e gestos enfadonhos. O motorista — talvez o pai da moça —, circunspecto, não repara que ela prefere ser enterrada a se casar. Mas isso não importa agora, os convivas já estão na igreja e o padre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. O cão, timidamente, late um pouco de amizade. Um dos moleques traz mais papel e restos de uma tábua para alimentar o fogo. Logo, logo, estarão aquecidos nesta seminoite que congela até mesmo os olhares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. se&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. O carro pára no sinal vermelho. O pai — se é o pai — não quer se arriscar a ultrapassá-lo, com medo de que algo aconteça à filha — se é a filha — no dia do casamento. Seguirá todas as normas de trânsito, tomará todas as precauções, para que ela chegue impune ao altar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. Mais dois moleques se aproximam, tiritando de frio, da fogueira. O cão sem dono abana o rabo e lambe afetuosamente o braço de um deles, que o enxota, rude. O vento ruge.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. construindo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. A noiva só deseja saltar do carro e sair correndo (para onde?), mas ele recomeça sua marcha, irrevogável.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. São mais que várias em idade, sexo e solidão, as crianças em redor da fogueira e o cão, sedentos de carinho. O calor do fogo supre, fogazmente, a falta de abraços. Olham-se de vez em quando e tornam ao seu mutismo, unidas apenas pela luz da madeira e dos papéis que se queimam. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. pausada,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. A noiva reza por um defeito mecânico qualquer que retarde seu sacrifício. Pai e filha — já são pai e filha — estão ligados unicamente pelo rugido do motor e do tráfego. Nunca mais, nunca mais será antes, para tomar a decisão acertada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. Um dos moleques, aquecido, desata uma cantiga de infância. Outros dois tamborilam os dedos magros e sujos sobre latas vazias de leite Ninho, enquanto os restantes marcam o campasso da música com palmas. O cão se enrosca, gratificado pela melodia e pelo calor, em seu próprio corpo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. simples,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. O automóvel contorna a praça e estaciona em frente à igreja. Uma multidão se aglomera em volta dele, comentando o vestido e a beleza da noiva. Ninguém atenta para a lágrima dela, que abre caminho na maquilagem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. Um pedaço de pão passa, multiplicando-se, de mão em mão, entre os meninos, irmanando-os, calando momentaneamente suas diversas fomes. Um deles acaricia o cão e o enrola em jornais de notícias remotas. O cão, satisfeito, sussurra um agradecimento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. lentamente,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;1. A noiva — Mendelssohn ao fundo —, empunhada pelo pai circunspecto, adentra a igreja e é entregue ao seu algoz. Nada lhe resta a fazer senão calar-se e acomodar-se ao destino que lhe reservaram. Os convidados sorriem em leque, felizes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;2. As crianças, com um pouco de querosene, ateiam fogo ao cão, que sai correndo, ganindo, ilustrando a noite com seu desespero. Os moleques riem, felizes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;3. Lua.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%; font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;---&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Então... agora é com vc. Escreva aí nos comentários as suas dúvidas e opiniões. Exponha as SUAS idéias. Não tenha medo, palavra não morde (tá bom, a palavra "morder" morde). Só não vale tentar sacanear pra zonear o blog, porque eu sou o mediador e só vou publicar o que contribuir para melhorar a interpretação do livro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Pra começo de conversa, saiba que interpretar significa reduzir a uma paráfrase denotativa todas as possíveis conotações de um texto. Interpretar, portanto, é mutilar. Quanto mais mutilações um texto permitir, melhor ele é. Digo isso para que vc NÃO fique pensando que o meu modo de ver o que escrevi é A verdade, única e monolítica. Não é. Minha verdade é tão-somente UMA das verdades possíveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;De quinze em quinze dias, a partir de 20 de março de 2007, publicarei aqui um&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; conto de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os mortos estão no living&lt;/span&gt;, juntamente com um post baseado nos comentários e dúvidas dos possíveis freqüentadores do blog. Espero que, ao final do ano, tenhamos discutido o livro todo e que essa discussão sirva não apenas para vc fazer uma boa prova de Literatura do VestUfes, como, principalmente, para desenvolver seu gosto pela leitura, pela escrita e pelo debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez vc se depare aqui com algumas palavras estranhas ao seu universo cotidiano. É de propósito. Não vou aliviar, não. É pra vc ir ao dicionário, aumentar seu vocabulário, discutir coisas além de clip da MTV e Big Brother, e ampliar seu leque de recursos expressivos (já reparou que as idéias se expressam por palavras? Pois é, parece que, quanto mais palavras, mais idéias, né?...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resumo: a intenção aqui é aproveitar o fato de vc ser obrigado (ou obrigada) a ler para o vestibular e colocar em discussão algumas das idéias que circulam por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os mortos estão no living&lt;/span&gt;, de modo que vc possa (e eu também) ter mais coisas em que pensar. Vai encarar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7686537983050286887-3550615397217480504?l=mortosnoliving.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/feeds/3550615397217480504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7686537983050286887&amp;postID=3550615397217480504' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3550615397217480504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7686537983050286887/posts/default/3550615397217480504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mortosnoliving.blogspot.com/2007/03/trs-histrias.html' title='Três histórias'/><author><name>Miguel Marvilla</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04901990554841554937</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_olAjU6lJbwY/RhqMe2zCfqI/AAAAAAAAABc/dfIiPxRM6JY/s320/MM+12ago06+0003.JPG'/></author><thr:total>29</thr:total></entry></feed>
