terça-feira, 21 de agosto de 2007

Lançamento imperdível

O Reinaldo é, ora, o Reinaldo é apenas o mais criativo, interessante e original romancista em atividade neste país. Perto dele, hoje, só o Isaías Pessotti de Aqueles cães malditos de Arquelau e talvez o Veríssimo. Reinaldo discorda e nem gosta que se diga isso, mas este escriba, que, há uns 27 anos (desde o tempo do guaraná com rolha), é amigo (e já foi até personagem) dele, já adquiriu o direito — e o dever — de desobedecer. Quem for ao lançamento de A longa história (ó o convite aí ao lado — ou em cima) e, claro, ler o livro vai ter de me dar razão. Eu, de minha parte, passo antes na Flôr de Maio (assim com acento mesmo), na Praça Oito, e compro um chapéu , pra poder, mais uma vez, tirar pro Reinaldo. Gostaram da frase? Pois é. É dele...

Quem não ler A longa história vai para o inferno (Mateus, 12:26). Pelo amor de Siddhartha, o Buda, não percam...

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

E não é que...

... o troço bombou? Tinha gente saindo pelo ladrão (e ladrão, infelizmente, entrando no carro do Caê: foi laptop, foi o que tinha na mala... Caê, um brasileiro). Maioria cria do Grijó. Valeu, a presença de quem foi, pela de quem não foi. Tipo a Lili, por exemplo. Não falei que não ia?

Então. Agora é continuar louvando a iniciativa do Sesc (o projeto tem as impressões de todos os dedos da Lídia, da Beatriz, do Paulo e da Rhuana, entre os que conheço) e espalhar o boato — confirmadíssimo — de que toda segunda terça do mês tem Café Literário, no mesmo lugar, até que seja necessário alugar o estádio da Desportiva pra caber a galera. Suspeito que os próximos escritores serão o Reinaldo e o Luiz Guilherme, ambos Santos Neves a torto e a direito. O Reinaldo, lançando um fantástico livro novo, depois de Kitty aos 22. Chama-se A longa história e é longo mesmo: seiscentas e tantas páginas, de cabo a rabo. Saiu pela Bertrand Brasil e está à venda nos melhores lugares. Quem viver lerá. E o Luiz, que também dispensa apresentações, tem livro no VestUfes: O capitão do fim. Já pensaram que conversa isso vai dar? Percam por nada, menos ainda por jogo do Fluminense.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Café Literário Sesc


Aí, gente, o Sesc estréia dia 14, terça, 19h, no Centro Cultural Majestic, o "Café Literário", um projeto que visa a (gostaram da regência,"visar a"?) promover discussões literárias entre escritores. Nessa primeira edição, os escritores são o Caê Guimarães (grande poeta, quem ainda não o leu arranje um jeito de limpar essa nódoa da biografia) e — adivinhem? yeeeeessssss! — este escriba que vos fala. O mediador é o Grijó. Só pelos dois (o falso modesto aqui vai se excluir antecipadamente) já vale a ida ao Majestic. O tema desse primeiro Café Literário é Tempo da História, tempo da poesia. Bonito, né? Coisa da Aline Yasmin. Dela também, e do Quorum, é o belíssimo cartaz do evento. Vejam aí em cima.

Tá feito o convite. Quem viver verá. Ou não.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Recado para a Alice

Alice, aquela resposta que prometi para hj às 21h52 vai ter de ficar para mais tarde ou amanhã: eu me esqueci de que hj tem futebol na tevê. (É, poeta tb gosta de futebol... rs. Se bem que aquilo que a seleçãozinha do tal do Dunga joga é tudo menos futebol.)

Inté...

domingo, 24 de junho de 2007

As ninfas camaleônicas

Para Bernadette Lyra


Dormitavam ambas, indeléveis, esquecidas num tempo sem paisagens, nem rumores, nem pretensões de ocasião. Um camaleão policrômico penetrou por uma fresta mal apagada, cobiçou-as e, só então, ousou adentrar-lhes as fraldas e os momentos.


— A tua boca não é deste mundo.

O teu suor não cabe o teu ser.

O teu olhar nos fere tão fundo!

Que face é essa que vens nos mostrar?


A primeira delas, parecendo que já o esperava, interrogou-o quando ele mal levitava sobre suas ancas. A segunda, nem bem a outra terminou e já perguntava, completando a idéia que ficara no ar, feito um jogral, com estrelas onde haveria olhos belos e inquisidores:


— Que pasmo é esse que vens nos trazer?

Que espasmo é esse que vens nos roubar?

De onde é teu cheiro, teu cuspe, teu gosto,

que contas as gotas do nosso calar?


O camaleão policrômico, apanhado desprevenido, pendurou-se pelo rabo numa viga do teto e cantarolou um acalanto, evasivo. Ficou olhando à distância os seios imaculados e sutis que elas lhe proporcionavam, com a vontade de tê-los que as pessoas têm quando com saudades. Mas não podia. A paixão, não lhe era dado conceber.


Disfarçou o êxtase crescente, espantando a lua, que espiava, curiosa, pelos buracos do vazio. Porém, logo voltou a desejá-las, elas que, sem pudor, lhe ofereciam corpos e insolitez nos gestos e nas palavras.


— Que amor é esse a nos tragar o porte,

a nos fugir ao tato, a nos ferir a noite?

— Que coisa é isso a nos lamber o corpo,

a nos trazer encanto, infâmia, mel e sal?

— Surgiu ao léu, já sabe a céu, saiu à mãe?

— Terá jardins, rua calçada, escada à lua?

— Que coisa é isso a nos tomar o espaço?

— Que coisa é isso a nos roubar ao sonho?


Uma falava com a boca da outra, suplicante. Supliciante. Ele não sabia qual delas desejar mais, não conseguia apreender o sentido exato do que ouvia. E via o sexo de ambas, que falavam por si, mas um pelo da outra, movendo-se lenta e docemente, vertendo os sons em longos suspiros de prazer e imoralidade. O camaleão policrômico não podia imaginar quanto tempo ainda conseguiria manter-se pênsil e distante: cada vez mais sensuais e febris, elas se acariciavam mutuamente e o chamavam, chamavam, chamavam:


— Por que não vens, se nos tiraste à sorte?

Por que não falas, se nos roeste o nó?

Ou não nos matas, se é desaguar, a morte,

de um instante em outro, adiante, e só?


Era um jogo da verdade e o camaleão policrômico, surpreendido nele, não podia mentir, de modo que rasgou um pedaço azul-solidão de sua pele e o engoliu, para se revigorar.


A que falara antes (qual?) estendeu a mão e tocou o local descarnado. Na obscuridade em que se encontravam, sentiu alguma cosia áspera, como uma casca de ferida, mas não retirou a mão. Ao contrário, trouxe a da companheira até a sua e implorou, ao mesmo tempo que se incorporavam uma à outra, em meio ao mar de lençóis, sangue, nácar e suor que se formou:


— Tira-me a pele, o meu jejum me dói.

Tira-me a vida, a lida, a ferro e dor.

Leva-nos longe, ao barro que constrói

a tua força e o teu ficar sem som.


Vencido, o camaleão policrômico desistiu do que viera fazer, sorriu, condescendente, de si mesmo e absorveu todas as luzes.


E instaurou-se a Escuridão.

Comentários

Só pra pôr um pouco de ordem aqui: a partir de 6 de agosto (aí, moçada que gosta de escrever datas e horários com um O - zero - na frente: isso não existe não, tá? Melhor escrever assim: 6 de agosto, 8 de maio, 7h32... e não 08 de maio, 07h32)... Então. A partir de 6 de agosto, começarei a postar comentários aos contos já publicados. E tentarei publicar os contos semanalmente. Percam o medo, entrem no link de comentários aí embaixo (ele está aí para ser usado, não para enfeitar o blog) e façam sugestões, digam o que pensam, falem de suas dúvidas. Na medida do possível, vou tentar esclarecer, assim sem o objeto direto mesmo, só de sacanagem com os gramáticos. Mas lembrem-se: apesar de o papa (coitado!) bater-se contra o que chama de "ditadura do relativismo", não existem verdades absolutas. Toda verdade é relativa e depende dos olhos de quem vê.

Inté...

sábado, 16 de junho de 2007

Parênteses para assunto mais sério que literatura no VestUfes

Nós não precisamos de religião. Precisamos é de Ética.
— Dalai Lama


Gente, um senador (Marcelo Crivella) está quase aprovando um projeto no senado (aquela casa de santos) que permitirá à igrejas fazer uso dos (parcos) recursos da Lei Rouanet de incentivo à cultura para promover reformas em templos religiosos. O sujeito é "bispo" da igreja universal, a quadrilha liderada por Edir Macedo. Imaginem que legal para eles botarem a mão, sem esforço e sem risco de a Polícia Federal chegar junto, em um naco do quase um bi de reais disponível na Lei Rouanet para promover a cultura no Brasil. A lei, por meio de renúncia fiscal, destina-se à produção de filmes, livros, peças de teatro, circo, literatura, dança, música... enfim, da cultura brasileira em suas diversas manifestações. Já pensaram como os pastores estão assanhados com a possibilidade de parte dessa grana toda ir parar em seus bolsos?

E tem mais: as igrejas já são (caiam da cadeira os que não sabem disso) isentas de todo tipo de impostos, enquanto nós que ralamos diariamente deixamos, também diariamente, quer desejemos ou não, quatro doze avos de nosso trabalho nas mãos dessa corja de políticos, juízes e empresários corruptos que assola o país. Vcs sabiam que as igrejas não prestam contas da "mixaria" dos dízimos a ninguém? Vcs sabiam que o Salesiano, o Americano, o Sacré-Coeur e uma penca de outras escolas que cobram fortunas de seus alunos são isentas de impostos por, supostamente, serem entidades religiosas? Se pelo menos o cursinho ou a faculdade lá fosse gratuito ou não custasse os olhos da cara, né?... Pois é, se não bastasse isso, agora vem esse senador cretino (desculpem o pleonasmo vicioso) aí e quer tirar da gente mais dinheiro ainda pra favorecer seus cupinchas e suas malfeitorias. Assim não vale. Se valer, e se Deus é comércio,vou abrir uma igreja também...

Então. Aí um grupo de pessoas inconformadas com a sacanagem toda bolou um abaixo-assinado que está circulando na Rede. Assinem também e divulguem pra todo o mundo que vcs conhecem. O link é o seguinte:

Não à Lei Rouanet para "templos religiosos"

Estou cada vez mais indignado. Vamos parar de ser passivos. Tá na hora de usarmos esse potencial de comunicação todo que está em nossas mãos para mudar o Brasil. Chega de passividade! Ou a gente acaba com os vermes ou os vermes acabam com o país.

Fechem os parênteses.